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solares imperiais do Vale do Paraíba são, ainda
hoje, o testemunho vivo da grandeza do Ciclo do Café.
O Instituto Preservale apresenta algumas das mais belas casas
rurais do Brasil do século XIX, contando um pouco da
sua história e convidando o internauta do século
XXI para uma viagem no tempo. Clique nas fazendas! |
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Hotel
Fazenda do Arvoredo
Antiga Fazenda Santa Maria
O
Hotel Fazenda do Arvoredo localiza-se na antiga Fazenda Santa
Maria, em Barra do Piraí, no Vale do Paraíba
Fluminense.No século XVIII, esta região começa
a ser desbravada e colonizada como o caminho para as Minas
Gerais, tornando-se local de apoio da Corte para as Minas
e vice-versa. Com o solo fértil, o clima ameno e a
mão de obra escrava, a cultura do café obtém
enorme sucesso. Transforma esses fazendeiros em empresários
rurais, possuidores de grande fortuna e poder junto ao imperador,
que os agracia com títulos nobiliárquicos, o
que os torna conhecidos como os famosos barões do café.
Com o enriquecimento dos Fazendeiros, estas unidades de produção
se sofisticam. Constroem-se casas senhoriais, as casas grandes,
o abrigo dos escravos, as senzalas, os depósitos do
café, as tulhas, dispostos em torno do pátio
de secagem do café, formando assim o quadrilátero
funcional.
A Fazenda Santa
Maria mantém as características de uma autêntica
fazenda do ciclo do café. O andar superior da casa
grande, moradia dos barões, divide-se em três
áreas distintas: área comercial, área
social e área íntima, tendo ao centro o átrium,
onde circulava o ar para manter uma boa aclimatação
da casa. Na cozinha, encontra-se ainda o antigo fogão
à lenha, datado do século XIX, em pleno e total
funcionamento, responsável por um dos destaques do
hotel que é a culinária regional.
Em 1808, o Príncipe
Regente Dom João doou a José Luiz Gomes, Barão
de Mambucaba, extensas terras com o objetivo de nelas plantar
café, dando origem à Fazenda Santa Maria. Em
1836, Honório Hermeto Carneiro Leão, assume
a fazenda. Seu filho, Nicolau Neto Carneiro Leão, herda
a propriedade e recebe o título de Barão de
Santa Maria, em homenagem à própria fazenda.
Manda construir outra sede, maior e mais luxuosa, concluída
em 1858. Em 1903, a fazenda é adquirida pelo Conde
João Leopoldo Modesto Leal, juntamente com outras 30,
dentre as quais a Fazenda Ponte Alta.
Em
1982, a antiga Santa Maria é recebida como herança
pelos irmãos Ana e Augusto Pascoli, que a transformam
em Hotel Fazenda em 1992, iniciando assim, um novo ciclo:
o do turismo. Ana Heloísa, prematuramente falecida
em Maio de 2001, foi, junto com seu irmão, Augusto
Eduardo, Sócia Fundadora do Instituto PRESERVALE, promovendo
e apoiando o Turismo Cultural e Ecológico, não
apenas como empresários do setor, mas com a sua atuação
e dedicação pessoal à memória
do Vale e de sua história.
No Hotel Fazenda do Arvoredo, o visitante poderá desfrutar
de um tour pela sede, aprendendo sobre mobiliário,
arte e arquitetura do século XIX com o próprio
Barão de Santa Maria e sua esposa, interpretados por
funcionários do Hotel trajados a caráter. Após
o tour, o turista é convidado para um Chá Imperial,
no qual degustará todas as iguarias típicas
da culinária do século XIX.
Fonte: Fazenda Santa Maria
Texto: Adriano Novaes e Sonia Mattos Lucas
Informações:
Tel: (24) 2447-2001
Site: www.hotelarvoredo.com.br

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Fazenda
Ponte Alta
A Fazenda Ponte
Alta teve como primeiro proprietário José Luiz
Gomes, o Barão de Mambucaba, então grande sesmeiro
em Angra dos Reis. Em 1808, o Barão requereu sesmarias
nesta região. Construiu a Fazenda Ponte Alta por volta
de 1830, quando começaram a surgir as primeiras fortunas
geradas pelo café no Vale do Paraíba. Com a
morte do Barão de Mambucaba, em 1855, sua filha, Rosa
Luiza Gomes herdou a Ponte Alta. Esta por sua vez casou com
Antônio Gonçalves de Moraes, o "Capitão
Mata Gente", filho do Barão de Piraí, grande
proprietário de terras no outro lado do Rio Piraí.
Em
1936, a Ponte Alta foi herdada por Dona Isabel Modesto Leal,
neta primogênita do Conde Modesto Leal, abastado negociante
português, que a adquiriu em 1903 juntamente com outras
30 propriedades, em uma carteira hipotecária do Banco
de Crédito Real do Brasil. Dona Isa (como ficou conhecida)
era amiga pessoal do então Presidente Getúlio
Vargas, que costumava visitar a Fazenda, tendo passado seus
últimos cinco aniversários na Ponte Alta. D.
Isa construiu a atual sede de pedra no lugar da antiga vivenda
da Fazenda. O que se vê hoje, desta antiga "Empresa
Agrícola do Café", é à parte
do conjunto de serviço das antigas instalações
do café, incluindo o engenho de café, o engenho
de serra, a senzala, as tulhas e as oficinas, que formavam
um quadrado fechado. Por tudo isso, é, na região,
o mais representativo conjunto de serviço da época
do café.
Em
1960, a Fazenda Ponte Alta foi comprada por Nellie Pascoli,
empresária do setor de mineração, co-fundadora
do Grupo CAEMI. Dona Nellie era apreciadora da arte brasileira
e, em especial, da fase histórica do Brasil Colônia
e Império. Assim, em 1972 ela recupera o antigo moinho
de café da fazenda, num projeto arquitetônico
de Jorge de Souza Hüe, utilizando mobiliário e
peças dos séculos XVIII e XIX. Em 1982, a senhora
Nellie Pascoli morre e deixa a Fazenda Ponte Alta como herança
para seus sobrinhos, Evelyn e Ricardo Pascoli. Evelyn Pascoli,
falecida em Janeiro de 2003, foi a grande pioneira do Turismo
Cultural no Vale do Paraíba, tendo criado o Sarau Histórico,
aonde a história da Fazenda, como parte do contexto
geral da história do Vale e do Brasil, é narrada
teatralmente, permitindo ao turista um mergulho no passado
e uma redescoberta do presente. Diretora Executiva do Instituto
PRESERVALE por quatro anos, Secretária de Turismo de
Barra do Piraí, empresária de sucesso e personalidade
carismática, cativante e alegre, Evelyn Pascoli impulsionou
tremendamente o Turismo na região. Hoje a Fazenda Ponte
Alta tem como atividades à pecuária, a criação
de cavalos da raça Mangalarga Marchador e o Turismo
Cultural e Pedagógico, desenvolvidos na Pousada Fazenda
Ponte Alta.
Fontes:
Adriano Novaes e Roberto Guião de Souzalima
Informações:
Tel: (24) 2443-5005 ou 2443-5159
Site: http://www.pontealta.com.br

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Fazenda
São João da Prosperidade
A história
da Fazenda São João da Prosperidade inicia-se
no século XIX a partir de 1820 - 1830, quando o café
começa a ser cultivado na região. Através
de doação de sesmarias, Antônio Gonçalves
de Moraes, o chamado "Capitão Mata Gente",
casado com Rosa Luiza Gomes de Moraes, investe na plantação
de café. Era também dono da Fazenda Braço
Grande (atual Ibitira), que doou a seu filho José Gonçalves
de Moraes em 1843, conforme escritura passada no Cartório
de Ipiabas.
Em
1843, ainda segundo escrituras, Antônio Gonçalves
de Moraes comprou um sítio denominado Barra do Piraí
e, em 1853, construiu uma ponte sobre o rio Piraí,
dando início ao povoado de São Benedito, origem
da cidade de Barra do Piraí. Em 1883, com a inauguração
da Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto, que saía
de Barra do Piraí e ia até mesma, mais tarde
denominada Viação Férrea de Sapucay e
posteriormente Rede Mineira de Viação, passou
a existir a estação "Prosperidade",
que servia para o Rio de Janeiro pela Estrada de Ferro Dom
Pedro II. A fazenda fazia limite com a Fazenda Floresta, em
Ipiabas, de propriedade da Baronesa do Rio Bonito e com a
Fazenda Braço Grande. Austero, longo e simples, são
os qualificativos mais apropriados para este casarão
de um só pavimento, com 950 m2 de área construída,
que possui 10 quartos e 5 salões, além de outras
dependências, cujas grossas paredes externas são
de pedra e as internas de pau-a-pique. Entretanto, a singela
arquitetura contrasta, por um lado, com a importância
histórica da Fazenda e, por outro, com a autenticidade
e conservação do prédio, fruto de louvável
e perseverante trabalho dos atuais proprietários. Luiz
Geraldo Muniz e Magide. Na frente da casa existe uma construção
de pedras que provavelmente, se destinou a abrigo das tropas
de mulas, que levavam o café para o Rio de Janeiro.
Com
uma área de 40 alqueires e tendo como principais atividades
à suinocultura, a pecuária de leite e de corte
e a fabricação de cachaça. A Fazenda
oferece visitas orientadas a grupos de turismo, recebendo
grande afluxo de visitantes devido à sua localização,
na Estrada Barra do Piraí - Conservatória, assim
como ao excelente tour que Magide conduz, contendo informações
detalhadas sobre a arquitetura e o modo de vida do século
XIX no Vale. Magide e Luís Geraldo pertencem ao Instituto
PRESERVALE, participando ativamente de nosso Programa de Turismo
Cultural.
Fontes:
Fazenda São João da Prosperidade
Texto: Adriano Novaes e Roberto Guião
de Souzalima
Revisão: Sonia Mattos Lucas
Informações:
Magide Breves Muniz
Tel: (24) 2442-3194

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Fazenda
da Taquara
Quando
chegaram de Portugal, o Comendador João Pereira da
Silva, em companhia de Joaquim José Pereira de Faro
- futuro barão do Rio Bonito - estabeleceram-se nesta
região da antiga Província do Rio de Janeiro
(atual Barra do Piraí), nos primeiros decênios
do século XIX. Nesta mesma época, o café
começou a ser plantado no Vale do Paraíba e
o Comendador dedicou-se a cultivar o fruto precioso.Faziam
parte das propriedades do Comendador: a fazenda Campo Bom,
a fazenda Ipiabas e a fazenda da Nova Prosperidade ( Taquara),
como aparece no inventário do Comendador, falecido
em 1872. O nome Taquara foi dado pelos escravos, devido à
abundância de um bambu fino, encontrado na propriedade,
que era assim denominado.A sede foi construída, provavelmente
na década de 30, em forma de quadrilátero com
o jardim interno, sob a influência da arquitetura colonial
das Minas Gerais do século XVIII.
A
Fazenda da Taquara permanece, ainda hoje, sob o domínio
da família do Comendador.Com quase dois séculos
de existência, a sede, ainda em perfeito estado de conservação,
preserva sua história, com seus móveis, documentos
e retratos originais.A fazenda da Taquara é de propriedade
de João Carlos Tadeu Botelho Pereira Streva, descendente
direto, já na quinta geração do Comendador.
Outra característica desta propriedade é ser
hoje um centro de produção de café como
no século passado, além de desenvolver atividades
de granja de frangos e suinocultura. O casal João e
Ana Maria participa ativamente das iniciativas de Turismo
Cultural promovidas pelo Instituto PRESERVALE. A visita guiada
à Fazenda compreende um excelente tour pela sede e
antiga senzala, bem como degustação de quitutes
feitos na propriedade. Atualmente a Fazenda oferece, também,
almoço típico para grupos agendados com antecedência.
Fonte:
Fazenda da Taquara
Texto: Adriano Novaes
Informações:
Ana Maria ou João Carlos Streva
Tel: (24) 2443-1221 ou (24) 2443-1273
e-mail: m.taquara@ig.com.br

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Fazenda
Aliança
A família Faro foi pioneira no desbravamento de terras que se situam à margem esquerda do Rio Paraíba do Sul, atual município de Barra do Piraí, outrora município de Valença. Foram senhores de várias sesmarias, oito na margem esquerda e duas na margem direita. O patriarca do poderoso clã foi Joaquim José Pereira de Faro, natural de Braga, Portugal, migrado para ao Brasil em 1793. No Rio de Janeiro, dedicou-se ao comércio e ao tráfico transatlântico de africanos escravizados. Galgou a projeção social alcançando o posto de professor na Ordem de Cristo em 13.05.1808 e, novamente, com o mesmo hábito efetivo em 03.05.1819. Foi Cavaleiro Imperial da Ordem do Cruzeiro em 12.10.1828, fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial, Coronel de infantaria reformado e membro da junta administrativa da Caixa de Amortização. Fez parte da Corte de D. João VI e D. Pedro I. Fundador e conselheiro do Montepio Geral, em 1841. Foi agraciado com o título de Barão do Rio Bonito em 06.10.1841.
Joaquim fundou duas fazendas: São Joaquim das Ipiabas e Sant’Anna do Parahyba, ambas no início do século XIX. Casou-se em 1793 no Rio de Janeiro com Anna Rita Darrigue Faro com quem teve nove filhos. Desses, quatro estabeleceram-se com fazendas na região. Entre eles, João Pereira Darrigue de Faro, que seguindo os passos do pai galgou grande projeção social na Corte chegando a ocupar a Presidência da Província do Rio de Janeiro. Entre outros cargos de grande destaque, foi o segundo Barão do Rio Bonito. João fundou a fazenda Monte Alegre, além de receber de herança a Fazenda Sant`Anna. Outro filho importante do casal Joaquim e Anna Rita foi Luiz Pereira Ferreira de Faro, formado em medicina e casado com sua sobrinha Maria Magdalena de Matos.
Luis foi senhor da sesmaria sobre-quadra da fazenda Sant’Anna, onde fundou a fazenda Boa Esperança na primeira metade do século XIX.
Em 1861, Luis resolveu vender sua fazenda Boa Esperança para o sobrinho José Pereira de Faro, que mudou o nome desta fazenda para Alliança.
Pelo que consta, José adquiriu a Alliança já com a sua unidade de produção de café construída, composta de casa de vivenda, terreiros de pedra, engenhos de beneficiamento de café, tulhas, senzalas, paióis e etc... A partir desta data, José inicia obras de modernização do complexo cafeeiro da fazenda, ampliando cafezais (mais de 700 mil pés), terreiros e melhorias nas edificações e maquinarias. Um imponente pórtico em estilo colonial português é construído na fachada lateral, em cujo frontão triangular é colocada à data do fim da obra -“1863”.
José Pereira de Faro era também senhor da importante fazenda Sant’Anna onde vivia, herdada do sogro e tio, o 2º Barão do Rio Bonito.
José Pereira de Faro, nascido a seis de março de 1832, casou-se no Rio de Janeiro em 1855 com sua prima Francisca Romana Darrigue de Faro com quem teve cinco filhos.
Homem culto de idéias liberais estudou na Europa e com apenas 20 anos foi administrar a fazenda Floresta deixada pelo pai. Desde então se ocupou da vida rural voltou-se para interesses do desenvolvimento da localidade de São Bendito de Barra do Piraí. Fez construir nesta localidade a belíssima igreja matriz de Sant’Anna (1881), mas não descuidou de suas propriedades, buscando sempre produzir o melhor café para exportação, o que se confirmou na Exposição Nacional realizada em 1861, quando recebeu a medalha de ouro e de menção honrosa.
Na exposição internacional de Londres realizada em 1862, foi agraciado com a medalha de primeira classe, além de receber diversas menções honrosas. Por esse feito foi agraciado com Ordem da Rosa pelo Imperador D. Pedro II. Em outras exposições, como a de Hamburgo, Altona e Córdoba, também obteve os primeiros lugares na confrontação de seus produtos com os de outros países, como publicado no artigo “A Vida Fluminense”, da “Folha Illustrada”, 1871. Em 1873, auge da sua projeção social foi agraciado com o título de 3º Barão do Rio Bonito.
Em 1882, quando D. Pedro II visitou a fazenda de Sant’Anna, anotou em seu diário que se encontra no Museu Imperial:
“... o sistema de Faro é preparar tudo de que precisam as fazendas, até o sabão. O Pão de trigo é bom; mas o de cará mais saboroso. Despolpa e leva o café cuidando de fazê-lo para os terreiros por meio de um plano inclinado sobre que corre um carro. Tem ensaiado diversos sistemas de aprontar o chão dos terreiros; mas ainda não preferiu nenhum”.
Como progressista que era, defendia a imigração dos estrangeiros e a instalação de um engenho central para fabricação de açúcar e álcool em Barra do Piraí, que ainda hoje, guarda como lembrança sua imensa chaminé.
Em 1885, hipotecou todos os seus bens ao Banco do Brasil, enumerando seus mais de 800 escravos. Três anos mais tarde, a abolição da escravatura o deixou em sérias dificuldades econômicas e, pouco depois, seus bens foram sendo executados pelos credores.
Entre suas propriedades agrícolas podemos citar as fazendas Sant “Anna, Alliança e Monte Alegre todas ainda com suas sedes preservadas”.
O Barão do Rio Bonito faleceu em 1899, com 67 anos, na cidade de Nova Friburgo, na residência do genro Antonio Clemente Pinto, 2º Barão de São Clemente, casado com sua filha Georgina.
A fazenda Alliança foi arrematada pelo Comendador José Joaquim de França Júnior em 1893, que a vendeu para a firma Ferreira, Borges & Cia em 1897. Em 1912, o casal Otto Frederico e Dra Fernanda Delboug Raulino adquiriu a propriedade, que permaneceu durante mais de setenta anos em posse dessa família. Os herdeiros de Fernanda venderam a Alliança a Sra Carmem Simões Alves de Lima, permanecendo em sua família até 1995, quando foi então adquirida pelos Rabello.
A fazenda Alliança não foi exatamente a sede principal da família Faro, mas foi, sem dúvida nenhuma, a segunda mais importante.
Ainda hoje, os mesmos terreiros de secar café, construídos com lajes de pedra na fazenda Alliança, impressionam pela vastidão. O estilo colonial português da fachada da fazenda é peculiar e revela um gosto simples, porém, original, o que a distingue de todas as sedes erguidas no Vale do café. Suas várias edificações anexas, como o enorme engenho de beneficiamento, tulhas e as ruínas da antiga enfermaria, nos dão a noção da vida movimentada de seus proprietários e de seus mais de 800 escravos e empregados.
Texto
e Fonte: Adriano Novaes
Informações:
OBS: A Fazenda está em restauro, e podem ser agendadas visitas técnicas sob consulta.
Endereço: Estrada de Barra do Pirai a Valença
Contato: Alberto Machado
Tel: (24) 2442-0669
email: amachado@ism.com.br

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Fazenda
Vista Alegre
Francisco
Martins Pimentel, açoreano da Ilha de São Miguel,
já antes de 1829 estava estabelecido em Valença,
nas terras que viriam a integrar a Fazenda Vista Alegre. No
final dos anos 40, adquiriu a Fazenda Santa Terezinha (cuja
sede original desapareceu) e lá faleceu em 1852. Esta
é, provavelmente, a data em que um de seus dez filhos,
Joaquim Gomes Pimentel, passou a ocupar a sede da Vista Alegre,
imprimindo sua marca na história da Fazenda, e de toda
a região, atravé de notáveis atuações
pioneiras no campo das artes, da cultura e do desenvolvimento
sócio-econômico.
Alçando em 24
de outubro a posição de Alferes, Joaquim Pimentel
recebe, em 28 de Fevereiro de 1864, de D. Luís “El
Rey” de Portugal, o título de Visconde de Pimentel.
No ano seguinte, registra o primeiro mapa de sua propriedade,
bem como de seus vizinhos e parentes, abrangendo uma área
que ocuparia de São Francisco a Esteves, aprofundando-se
pela Serra da Concórdia (antiga Serra de São
Manuel) até o lugar aonde existe hoje a Fazenda da
Conquista.
Em 16 de junho de 1869,
torna-se Capitão da Guarda Nacional, já então
consagrado pelo dinamismo e pela inovação de
métodos e tecnologias de produção rural
e na vida social da Fazenda Vista Alegre. Célebre em
sua época pelo convívio com as artes, o Visconde
de Pimentel frequentemente promovia saraus na Fazenda, para
onde trazia apresentações memoráveis
de artistas e músicos famosos, como por exemplo o pianista
Gotshalk, em 21 de Agosto de 1869.
O Visconde criou também
sua própria banda de música, constituída
por 27 escravos libertos. A Banda de Música da Fazenda
Vista Alegre costumava apresentar-se em todas as ocasiões
festivas da região. Aprendia-se na Fazenda, além
de música, as artes teatrais e a religião. A
Escola de Ingênuos, como ficou conhecida, foi a primeira
no país a alfabetizar filhos de escravos e crianças
pobres das redondezas.. A Casa da Música, local onde
funcionava a escola, existe ainda, próximo à
sede.
As inovações
implantadas na Fazenda Vista Alegre motivaram uma histórica
visita do Conde D’Eu a Valença, de 16 a 18 de Setembro
de 1876, na qual o Conde teve a oportunidade de participar
de animados saraus, visitas às instalações
das propriedades de Pimentel, cavalgadas e passeios no lago
que existia aonde é hoje o Parque de Exposições
de Valença, em cuja nascente mineral refrescou-se.
Embora tenha atingido
fama e grande prestígio em vida, o Visconde de Pimentel
faleceu sem ter deixado herdeiros e já com seus bens
inteiramente hipotecados à sua irmã, Maria Francisca,
viúva do Comendador Manoel Esteves, dono de casa comissária
de café. Esta, por sua vez, após retirar todos
os bens – móveis, documentos, quadros e objetos -,
veio a entregar a Vista Alegre em pagamento de suas próprias
dívidas ao Banco do Brasil, por ocasião da derrocada
da economia cafeeira na Velha Província, a partir da
Abolição. A Fazenda Vista Alegre é adquirida
em leilão pela família do Barão de Oliveira
Castro em 1901, juntamente com as vizinhas Chacrinha e Campo
Alegre.
Em 1912 chegam à
Vista Alegre, trazidos pela mão da família Oliveira
Castro, os primeiros imigrantes dinamarqueses do Vale, que
vieram a fundar, na Fazenda, a primeira indústria de
queijos de tecnologia européia do Estado, os famosos
Laticínios Dana. A família Nielssen residiu
na Vista Alegre por cerca de trinta anos, tendo desenvolvido
e aprimorado queijos de qualidades variadas, até transferirem-se
para o sul de Minas, aonde vieram a multiplicar indústrias
e marcas de laticínios diversos.
A Fazenda Vista Alegre
pertence, desde 1980, a Delio e Clair de Mattos Santos, que
a adquiriram de Eduardo Soares Sampaio, herdeiro indireto
do Barão de Oliveira Castro. O Dr. Delio Mattos é
advogado e empresário, Cônsul Honorário
da República de Malta, Fundador e Conselheiro do Instituto
Preservale. Sua esposa, Claïr de Mattos Santos é
escritora e editora, tendo escrito, dentre outras obras de
ficção, romance e teatro, o livro “Grãos
Vermelhos do Vale”, que narra a saga do café ambientada
na Fazenda Vista Alegre.
Após haver desenvolvido
também a produção de laticínios,
hoje desativada, a Fazenda Vista Alegre dedica-se hoje à
criação de gado Canchim, e às atividades
de Turismo Cultural. Participando do programa de Visitação
Orientada do Instituto PRESERVALE, destinado a promover o
conhecimento e a pesquisa dos Patrimônios Históricos
e Culturais do Vale do Paraíba, a Vista Alegre mantém
a tradição de um importante legado histórico,
oferecendo a todos os que a visitam um pedaço da memória
nacional.
Texto
e Pesquisa: Sonia Maria Mattos Lucas
Informações:
Sonia Mattos Lucas
Tel: (21) 8118-0007 ou (24) 9831-9627 ou (24) 2453-5116
e-mail: soniamlucas@preservale.com.br
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Fazenda
Santo Antônio do Paiol
A
Fazenda Santo Antônio foi aberta em terras da sesmaria
concedida em 1814, por provisão a João Soares
Pinho, que já se havia estabelecido nesta fazenda desde
1807, quando estas ainda eram consideradas “terras devolutas”.
Alguns anos depois, foram adquiridas por Francisco Martins
Pimentel, que já estaria estabelecido na vizinha sesmaria
de Santa Teresa.
Em
1850, casava-se, no oratório de Santa Teresa, com Francisca,
a filha de Pimentel, Manoel Antônio Esteves, recebendo
como dote a fazenda Santo Antônio do Paiol. Seria a
segunda e a mais próspera fase daquele estabelecimento
cafeeiro. Logo após o casamento, morre o sogro e Esteves,
com a fortuna aumentada, manda construir nova sede, em frente
à pioneira Santa Teresa. Terminada em 1852, a casa
foi dotada com todos os requisitos exigidos de uma fazenda
de café do ciclo.
Desenvolvendo
profícua atividade, Esteves ampliou os cafezais, adquirindo
ou abrindo novas fazendas, tais como São Manuel, Ribeirão,
Santa Catarina, São Francisco, Nazaré e Boa
Vista. Nelas chegou a ter mais de seiscentos escravos. Eliminando
intermediários, ele mesmo negociava a produção,
operando no Rio de Janeiro e em Santos com a firma exportadora
Esteves & Filhos. Se já era grande fazendeiro,
tornar-se-ia grande comissário de café. Como
uma das mais proeminentes figuras do vale, Esteves se empenhou
nas gestões que viabilizaram a construção
da Estrada de Ferro União Valenciana, com evidentes
benefícios para a economia local. Da estrada de ferro
seria o primeiro presidente, e por seu trabalho receberia
do governo imperial a comenda da Ordem da Rosa.
Manoel
Antônio Esteves morreu em sua casa do Rio de Janeiro
em 1879, no auge de seu prestígio e da fortuna que
legou aos filhos. Sucede-lhe na administração
dos negócios o filho Francisco Martins Esteves, pessoa
de cultura e saber, de hábitos refinados, amante da
música clássica e da ópera. Residiu em
Paris por algum tempo, ao se casar com Ana Carolina, filha
do conselheiro e ministro do Império, Zacarias de Góes
e Vasconcelos. Retornando ao Brasil, trabalhou na comissaria
e na fazenda Santo Antônio, sem demonstrar gosto ou
inclinação para o mundo dos negócios.
Administrando a fazenda como lhe era possível e já
enfrentando os contratempos que sucederam a derrocada do ciclo,
Francisco adquire partes dos demais herdeiros e fixa-se definitivamente
em Paiol, que passou a gerir juntamente com o filho, Marcos
Zacarias Manoel Esteves, depois seu sucessor na fazenda em
franca decadência.
Em
meio às maiores dificuldades, os Esteves se desfazem
de parte das terras, com a finalidade de assegurar a manutenção
das benfeitorias. Marcos morreria precocemente em 1941, e
sua viúva desde então desenvolveu esforço
que deve ser enaltecido. Com a fazenda praticamente desativada,
sem renda e com o patrimônio em terras sensivelmente
reduzido, Francisca Olympia Alves de Queiroz Esteves lutou
determinadamente para preservar como pôde todo o acervo
móvel e imóvel de Santo Antônio. Assumindo
uma ligação afetiva com a memória da
fazenda, do marido e da saga dos Esteves, empenhou-se com
denodo para manter vivo tudo que dissesse respeito a Marcos
e aos Esteves.
Assim
chega até o ano de 1969, quando, idosa, não
mais podendo prosseguir em seu propósito, e nem mesmo
se manter na fazenda, toma a deliberação de
doá-la a uma entidade religiosa, a Congregação
da Pequena Obra da Divina Providência (Don Orione),
como último recurso para manter a propriedade e os
pertences dos Esteves.-No ano de 1990, a Fazenda Santo Antonio
do Paiol foi arrendada por Rogério Vianna, empresário
carioca que, juntamente com sua esposa Maria Alice, empreendeu
uma grande reforma na sede, já então desgastada
pelo tempo. Nesta empreitada, foram recuperados a sede, o
mobiliário e, especialmente, foi organizado o acervo
documental da Fazenda, magnífico legado preservado
pela família Esteves que, não obstante, havia
permanecido inacessível aos olhos de pesquisadores
e interessados. Sócio Fundador do Instituto PRESERVALE,
Rogério restituiu à Fazenda Santo Antonio do
Paiol a sua dignidade e importância histórica,
bem como resgatou, em meio aos documentos encontrados em Esteves,
informações de enorme valor histórico,
que estão sendo hoje pesquisados e catalogados a partir
de projeto do Instituto PRESERVALE. A Fazenda voltou às
mãos da Ordem Dom Orione no ano de 2000, e está
retomando, com o PRESERVALE, as atividades de Turismo Cultural
iniciadas por Rogério e Maria Alice Vianna.
Fonte:
Fazenda Santo Antônio do Paiol
Revisão: Sonia Mattos Lucas
Informações:
Frei Geraldo Magela
Tel: (24) 2458-4720
e-mail: fazenda.santo_antonio_paiol@yahoo.com.br

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Fazenda
Pau D'Alho
A
fazenda do Pau D’Alho teve origem nas terras da sesmaria concedida
a Joaquim Marques da Silva e sua mulher D. Faustina Angélica
de Moura, denominada Cachoeira de Santa Rosa.
Sua
excelente localização geográfica, nas
proximidades da Aldeia de Valença, facilitou sua abertura
ainda em princípios do século XIX, sendo assim
uma das pioneiras na zona da recém fundada Aldeia.
Marques
da Silva, que havia se estabelecido na Fazenda de Santa Rosa,
teve muitos filhos que, após constituírem família,
estabeleceram-se na sesmaria, dando origem a outras pequenas
propriedades como Pau D’Alho.Após o falecimento de
Joaquim Marques da Silva, a viúva e os filhos dividem
as terras, vendendo parte delas.
Em
1835, a viuva D. Faustina, vende parte das terras da Fazenda
Pau D’Alho ao comendador José da Silveira Vargas .
Silveira Vargas foi Comendador da Ordem da Rosa e seria em
1826 o primeiro presidente da Câmara Municipal de Valença
e um dos maiores animadores de seu progresso. Vargas inaugurou
em Valença um período de importantes realizações,
sendo responsável pelo primeiro passo em prol da instauração
do ensino primário na vila, da fundação
da Santa Casa de Misericórdia e da construção
da matriz de N. Senhora da Glória. Foi também
pioneiro na vacinação antivariólica e
na preservação do meio ambiente valenciano,
combatendo ecologicamente as pragas que atacavam a lavoura
de café.
Embora
tenha feito de sua Pau D’Alho um importante empreendimento
agrícola, em cuja propriedade trabalhavam cerca de
170 escravos, Vargas não se dedicou com afinco às
atividades da lavoura cafeeira. Era político e capitalista,
sendo na época um dos maiores acionistas do Banco do
Brasil. Ao morrer em 1861, deixou um capital acumulado em
1, 016 : 494 # 974 contos de Réis.
Após
a morte de Vargas a fazenda ficou em poder da viúva
D. Maria Joaquina da Silveira e os seis filhos do extinto
casal: D. Bárbara, D. Carolina, D. Placidina, Custódio,
Antônio e Alexandre, cuja administração
da fazenda a este último caberia.
Em
1866, falece D. Maria Joaquina, e Pau D’Alho fica em poder
dos filhos Carolina, Placidina, Custódio e Alexandre.
Na época contando com uma área de 562 e meia
braça, por 1 500 de fundos em terras, Pau D’Alho era
um verdadeiro celeiro para Valença. Produzia além
de café, muito milho, arroz, mandioca, feijão,
carne de porco, além de madeira para construção,
lã de carneiro e algodão.
Em
fins do século XIX, o café encontrava-se em
profunda decadência em todo Vale do Paraíba.
Muitas fazendas estavam hipotecadas aos bancos nesta época
e, com a Abolição da Escravatura em 1888, a
situação ainda mais se agravara. O mesmo ocorria
em Pau D’Alho.
Luís
Damasceno Ferreira, filho de D. Placidina e do comendador
João Damasceno Ferreira, nesta época estudava
medicina no Rio de Janeiro. Abandonou o curso e veio para
Valença administrar a fazenda dos pais e tios, que
encontrava-se com sua economia abalada. Damasceno, ilustre
autor da “História de Valença”, dirigiu a fazenda
até 1897 quando foi vendida ao comerciante italiano
Vito Pentagna, que já era proprietário nesta
ocasião da vizinha Fazenda Santa Rosa.
Nicolau,
Caetano e Vito Pentagna eram filhos de Saverio Pentagna e
Giuseppina Sorrentino, oriundos da vila de Scário,
província de Salerno - Itália. Como tantos outros
italianos, fugia do crescente empobrecimento do sul do país,
buscando as glórias prometidas pelo café do
outro lado do Atlântico. Nicolao foi o primeiro a chegar
no Brasil em 1863.
Em
1878, Nicolao transfere-se para Valença, onde tornou-se
sócio do português Manuel Pereira Sampaio na
casa comercial “Pentagna & Sampaio “, constituindo uma
das maiores da região. Logo depois chegaram em Valença
os outros irmãos Vito e Caetano. Vito trabalhou como
tropeiro entre o sul de Minas e Valença. Não
tardou e entrou para sócio da firma “ Pentagna &
Sampaio” e seu nome não demorou a ser sinônimo
de líder comercial. Em seguida, torna-se proprietário
da Fazenda de Santa Rosa.
Dotado
de tino industrial, aproveitou o represamento do Rio das Flores
em sua Fazenda Pau D’Alho, iniciando em 10 de março
de 1912 a construção de uma usina hidrelétrica
para proporcionar a concretização de seu velho
sonho de instalar mais uma indústria em Valença.
Logo após, em 07 de setembro de 1913, era fundada a
Cia. Fiação Tecidos Santa Rosa.
Faltando
pouco para ver definitivamente concluído seu maior
empreendimento, falecia Vito Pentagna vítima de um
infarto.
Após
a morte de Vito em 1914, a fazenda passou às mãos
da viuva Urbana de Castro Pentagna. Esta legou por sua morte,
em 1940, ao filho Dr. Savério Pentagna, advogado ,
industrial e político.
Dr.
Savério esteve sempre dinâmico à frente
da direção da fábrica Santa Rosa, enfrentando
momentos difíceis, que só puderam ser contornados
por sua grande habilidade. Com a saúde abalada, em
1953 coordenou a venda do controle acionário da Companhia
para seu cunhado Dr. Júlio Mourão Guimarães.
Pouco tempo depois veio a falecer.
O
atual proprietário é o Humberto Vito Ribecco
Pentagna, único filho varão do Dr. Savério,
que desde cedo dedicou grande interesse pela fazenda, colocando-se
logo que a idade o permitiu, à frente de sua administração.
Para assistí-la de forma mais completa, buscou formação
profissional adequada, tornando-se engenheiro agrônomo.
Em plena atividade, Humberto já tem sua continuidade
assegurada emseu filho Savério Vito Pentagna, 4º
geração da família na fazenda, um fato
raro nos dias atuais.
A
principal atividade econômica da Fazenda Pau D’Alho
sempre foi o café, que aos milhares de pés,
cobria seu vasto solo, abarrotando de grãos as grandes
tulhas. A libertação dos escravos e a conseqüente
decadência da lavoura cafeeira em todo o estado transformaram,
como na maioria das fazendas da região, seus cafezais
em pasto para o gado. Nos anos 60 voltou-se ao plantio original
do café.
Em
suas terras, além dos pastos para o gado bovino, há
plantações de milho e feijão e uma grande
variedade de árvores frutíferas. Encontramos
também belas quedas d’água, sendo digna de nota
por seu valor histórico e magnificência, a Usina
Hidrelétrica Vito Pentagna, cuja barragem, que represa
o Rio das Flores, foi inaugurada em 1943, em substituição
a uma antiga existente. Responsável pelo fornecimento
de energia da Companhia Fiação e Tecidos Santa
Rosa, esta usina atendeu também a particulares em Valença.
Com uma localização privilegiada, em meio a
um cenário de grande beleza natural, inspirou uma justa
homenagem da internacionalmente famosa Rosinha de Valença,
que compôs “Usina de Prata”, interpretada pelo cantor
Ney Matogrosso. Sócios Fundadores do Instituto PRESERVALE,
Humberto e sua esposa, Aparecida Pentagna, recebem grupos
de Turismo Cultural em visita orientada pela propriedade,
recentemente restaurada pela família.
Texto
e Pesquisa: Adriano Novaes
Revisão: Sonia Mattos Lucas
Fontes: Anotações de Fernando Antônio
Ielpo Jannuzzi Filho
Arquivo do Museu da Justiça, Rio de Janeiro
Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro
Cartório do Segundo Ofício, Valença
Informações:
Aparecida Pentagna
Tel: (24) 2453-3033
e-mail: carlapentagna@yahoo.com

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Fazenda
Florença
Com
a chegada do café no Vale do Paraíba em princípios
do século XX, famílias inteiras migraram para
a região, a fim de se dedicarem aos negócios
da lavoura. Entre tantas, destaca-se a irmandade dos Teixeira
Leite, uma das mais proeminentes. Precursores de uma série
de idéias inovadora como, por exemplo, a Estrada de
Ferro D. Pedro II e o primeiro Banco Agrícola no interior
da Província, espalharam-se pela pelas comarcas de
Vassouras, Valença, Barra Mansa e Além Paraíba.
Mineradores na região
de São João Del Rei, o primeiro a chegar foi
Custódio Ferreira Leite Guimarães, futuro Barão
de Ayuruoca.
Ayuruoca tornou-se
quase uma lenda na região, a ele é atribuída
a propagação do café no Vale, assim como
a abertura de estradas e pontes para escoamento do precioso
grão.
Sabendo da distribuição
de terras pelo Coroa Portuguesa na região, trouxe consigo,
inúmeros parentes. Tão cedo, tornaram-se os
irmãos, sobrinhos e primos, fazendeiros de café.
Entre eles, o irmão
Anastácio Leite Ribeiro ( 17?? –1853), que adquire
duas sesmarias que confrontavam com sesmaria dos índios
Araris, no “Conservatório de Santo Antonio do Rio Bonito”.
Anastácio fundou
a fazenda São José do Rio Bonito, cuja sede
muita bem localizada, ainda jaz em vales conservatorienses.
De seu casamento como
Maria Esméria d’ Assunção nasceram os
filhos: Anna Maria Esméria, que foi a primeira mulher
do Futuro Barão de Vassouras, fundaram fazenda Cachoeira
Grande em Vassouras; João Ferreira Leite; Joaquim Leite
Ribeiro, foi Juiz de Paz em Conservatória; Francisco
Leite Ribeiro, depois da morte dos pais ficou com a fazenda
São José e Boa Vista; Marianna Cândida
casou com primo Francisco Leite Pinto, foram fazendeiros em
Mar de Espanha; Custódio Ferreira Leite; Maria Francisca
Leite; Anastácio e finalmente José Leite Ribeiro,
que após a morte dos pais, fundou a fazenda Florença.
Um belo exemplar da arquitetura
neoclássica dos oitocentos o Solar da Florença
é marcado pelo alpendre com frontão neoclássico,
raros nos solares do Vale Cafeeiro.
José Ferreira
Leite viveu ate 1861, ficando a fazenda com seus herdeiros
até o final do século XIX.
Em princípios
do século XX foi adquirida pela família de Lupércio
de Castro, cuja família foi proprietária durante
anos.
Texto
e Pesquisa: Adriano Novaes
Fontes: - FERREIRA, Luis Damasceno, História
de Valença. 2ª edição, Valença,
Editora Valença, 1998.
- RIBEIRO, Armando Vidal, Família Vidal Leite Ribeiro
– Genealogia - Reminiscências. Edição
particular.
- TELLES, AUGUSTO DA SILVA. “ Vassouras - Estudo da Construção
Residencial Urbana”. Revista do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional.
- STEIN, Stanley. J. “Vassouras um Município Brasileiro
do Café, 1850-1900”, Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
1990.
- NUNES, Luiz Gonzaga, Os Leite Pinto. Belo Horizonte, Rona,
1986.
- LIMA, Roberto Guião de Souza, Fazenda São
Lourenço. Colégio Brasileiro de Genealogia 2000.
- IÓRIO, Leoni. Valença de Ontem e de Hoje.
Cia Dias Cardoso, J de Fora. 1952.
Locais Pesquisados:
Museu da Justiça – Tribunal de Justiça do Estado
do Rio de Janeiro – RJ
Inventário de D. Maria Esméria d’Assunção
– 1842 / caixa 115 – proc. Nº 1117
Informações:
Paulo Roberto dos Santos
Tel: (24) 2438-0124
Site: www.hotelfazendaflorenca.com.br

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Fazenda
da Bocaina
A história da Fazenda da Bocaina, reflete um dos processos de ocupação do território no Vale do Paraíba do Século XIX. Não aquele dos grandes proprietários que, ao prosperarem, trocavam favores com o Império e adquiriam títulos nobiliárquicos, aumentando suas terras, deixando legados aristocráticos e grandes dívidas com os bancos. Ao contrário, revela a mobilidade das famílias rurais em sua conquista pela sobrevivência, modelando assim a experiência histórica de um grande contingente da população regional, comprometido com a pequena propriedade, a lavoura e a vida nas cidades da província fluminense.
A Fazenda da Bocaina está situada no Município de Valença – RJ, localizando-se à 130km do Rio de Janeiro e a 350 km de São Paulo, fazendo parte do circuito do Ciclo do Café e do pool das fazendas históricas do Instituto Preservale.
A propriedade fez parte da sesmaria concedida pelo Príncipie Regente D. João VI à D. Bárbara Joaquina em 1816 no “Sertão de Valença”.
Sua sede tem, aproximadamente, 160 a 180 anos, tendo sido erguida mesmo antes do apogeu do Ciclo do Café.
As áreas requeridas na época eram muito cobiçadas nesta ocasião pela proximidade com o rio Paraíba do Sul (até então principal meio de penetração no Sertão de Valença) e com a Aldeia de Valença que foi fundada em 1803.
Sua principal produção na época era de cereais e víveres que abasteciam o Rio de Janeiro e a própria Aldeia de Valença.
Este tipo de propriedade é bem antiga, com características típicamente mineiras e que se costumava intitular de “cabeça de sesmaria”, porque as casas eram bem simples e abrigavam os primeiros portugueses que aqui aportavam (os que vinham realmente desbravar e trabalhar).
A partir dessa sesmaria e com a expansão do cultivo do café, ela foi dividida e vendida a outros proprietários que construíram casa maiores e mais suntuosas como a Fazenda da Cachoeira (antiga Fazenda da Floresta) que ficava à noroeste da sesmaria e a Fazenda Boa Vista, que se situava na testada da sesmaria, onde hoje se ergueu o bairro São Francisco. Desta Fazenda não sobrou nenhum vestígio, a não ser um enorme tronco centenário no coração do bairro.
A Fazenda da Bocaina possuiu aproximadamente seis proprietários, incluindo o atual, que a adquiriu em 1981.
BOCAINA, etimologicamente é um vale na montanha, local onde a propriedade foi construída.
A atual proprietária e sua família reconstituíram ao longo dos anos, minuciosamente, as características originais da sede e seus arredores, que estavam muito abandonados, realizando outras construções de igual arquitetura.
Foi residência de veraneio por todo esse tempo e hoje está aberta para visitação histórica de grupos previamente agendados com café colonial ou almoço antecipadamente marcados.
A propriedade é produtiva e seleciona Nelore de Elite.
Pesquisa: Adriano Novaes
Texto: Solange Goes
Fontes: Fazenda da Bocaina
Informações:
Solange Azevedo de Araujo Goes
Tel: (24) 8823-4266 / 9965-1048 ou 2453-3266 / 2453-8100
Site: www.fazendabocainarj.com
e-mail: fazendabocainarj@hotmail.com

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Fazenda
Chacrinha
Tudo leva a crer que o cidadão Manoel Pereira de Souza Barros adquiriu, em meados da década de 1840, de Joaquim José dos Santos, duas sesmarias no sertão dos índios Coroados de Valença, nas margens do rio das Flores, requeridas em 1805 e 1813 a Dom Fernando José de Portugal, Capitão General de Mar e Terra e Vice-Rei do Estado do Brasil.
Durante as décadas de 1850 e 1860, Capitão Souza Barros desenvolveu suas fazendas com lavoura de café. Segundo o historiador valenciano José Leoni Iório, a fazenda Chacrinha ficou reservada ao filho de igual nome, Manoel Pereira de Souza Barros, que tendo sido atacado de moléstia grave, em sua adolescência, abandonou o curso que estava fazendo na Faculdade de Direito de São Paulo, e seu pai viu-se obrigado a mandá-lo para Portugal, onde se submeteu a rigoroso tratamento. Iório menciona ainda que, após a chegada do filho, já restabelecido da doença, foi oferecida em Campo Alegre uma grande festa em sua homenagem. Nesta festa o agora Comendador Souza Barros fez pesar o jovem rapaz em uma balança, colocando em um dos pratos barras de ouro. O seu peso em ouro foi o valor do dote que lhe dera o seu progenitor. Daí, a alcunha — menino de ouro — que lhe deram muito apropriadamente.
Logo em seguida, Manoel Pereira de Souza Barros casou-se com a prima D. Rita Arnalda Pereira de Souza Barros, com quem teve onze filhos, sendo que dez atingiram a idade adulta.
A atual sede da fazenda Chacrinha, que substitui uma modesta casa de vivenda construída por Santos, começou a ser edificada no final da década de 1860, o que coincide com o retorno de Manoel para a fazenda do pai.
A partir do final da década de 1860, o Tenente Coronel Manoel Pereira de Souza Barros se dedica aos negócios da fazenda em companhia do pai. Participa ativamente da vida social e política da cidade de Valença, porém não se afasta do ambiente social da Corte. Divide o seu tempo entre Valença e a Capital do Império do Brasil, onde transforma a antiga residência de seus pais em um elegante palacete.
Os investimentos tecnológicos, logísticos e sociais implantados na vida da Campo Alegre por Souza Barros, mesmo depois da morte de seu pai, nos fazem acreditar que ele abandonou o projeto de residir na Chacrinha. A mudança de idéia teria sido a favor do filho mais velho, também chamado Manoel Pereira de Souza Barros, para quando este atingisse a idade adulta e estivesse pronto para gerir os negócios da fazenda.
Souza Barros participa ativamente na viabilização da fundação da Companhia Estrada de Ferro União Valenciana. Além de sócio, seria também presidente da Companhia em 1870.
Em suas terras fez construir a estação que levou seu nome, “Souza Barros”, que tempos depois teve o nome mudado para “Estação de Chacrinha”, dando origem ao bairro do mesmo nome. A partir desta estação, construiu uma linha férrea de sete quilômetros até Campo Alegre, por tração animal.
Em 17 de dezembro de 1881, Manoel Pereira de Souza Barros é agraciado com o título de barão de Vista Alegre, coroando o auge de sua ascensão social. O momento histórico coincide com a quase conclusão do luxuoso Solar da Chacrinha, avaliado na época em 30 contos de réis.
Para marcar a época, manda colocar uma cartela com as inscrições do ano de 1881 na porta lateral do Solar da Chacrinha. Este momento foi registrado pelas lentes do fotógrafo Marc Ferrez, que, em visita às fazendas do barão de Vista Alegre, realizou, além das fotos da Chacrinha, diversas fotos da fazenda Campo Alegre, principalmente de escravos no eito. Estas fotos constituem para a História verdadeiras relíquias de registro do trabalho escravo nas fazendas cafeeiras oitocentistas.
Além da produção de café, Chacrinha se consolida como importante produtora de aguardente, uma das poucas fazendas com produção em escala comercial.
Uma outra paixão dos barões de Vista Alegre é o turfe. Além de participar da fundação do Derby Club na Corte do Rio de Janeiro, o barão constrói, próximo à fazenda Campo Alegre, um prado particular Seus cavalos importados fazem sucesso no Derby e até mesmo fora do Brasil, como, por exemplo, em turfs na Argentina.
A égua puro-sangue inglês Frinéia, campeã internacional, foi citada no jornal La Prensa de Buenos Aires, quando da inauguração do Hipódromo de Buenos Aires, por haver ganho o prêmio.
Vista Alegre herdou do pai 234 escravos. Aos poucos, foi libertando seus escravos, o que geralmente acontecia no dia 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da fazenda Campo Alegre. A exemplo de seu vizinho, o visconde de Pimentel, o barão de Vista Alegre cria em sua fazenda Campo Alegre uma escola para “ingênuos”, crianças filhas de escravos que haviam nascido após a Lei do Ventre Livre.
De nada adiantaram as iniciativas acima. A abolição veio, e com ela a falência dos Vista Alegre.
Em 14 de maio de 1890, o barão hipoteca ao Banco da Lavoura e do Comercio do Brasil a fazenda Campo Alegre, sítio Retiro e alguns imóveis urbanos na Capital. Com a possibilidade de perder tudo que havia conquistado e com a saúde abalada por complicações cardíacas, com a idade de 42 anos, em 8 de janeiro de 1891, o barão de Vista Alegre falecia, repentinamente, no seu palacete da rua Conde d’Eu. Seus restos mortais foram inumados no cemitério de S. João Batista, no Rio de Janeiro.
A fazenda Chacrinha que estava hipotecada foi arrematada pelos Esteves, Irmãos e Cia, por 195:295$000.
Sem sabermos do real motivo da dissolução do patrimônio rural dos Esteves, o certo é que estes hipotecaram ao Banco do Brasil as fazendas Chacrinha (5/8/1892), Campo Alegre, Santa Thereza e Vista Alegre, estas duas últimas havidas em execução de uma hipoteca do visconde de Pimentel datada de 8/8/1881, no valor de 120 contos de réis.
Levadas novamente a leilão pelo Banco do Brasil, em 1901, as quatro fazendas acima mencionadas são adquiridas pelos irmãos Álvaro e Horácio Mendes de Oliveira Castro.
Com os Mendes de Oliveira Castro um novo ciclo se inicia na história dessas fazendas.
Depois de fechado o negócio, os irmãos Oliveira Castro formaram a sociedade denominada Desde o início, Álvaro assumiu a administração direta da Companhia Alliança Agrícola, proprietária das fazendas Santa Thereza, Vista Alegre, Campo Alegre, Caieira, Chacrinha e o sítio Retiro (Velho).
Empreendeu a modernizou o sistema de beneficiamento de café da Campo Alegre, ampliou a linha férrea até a sede da Chacrinha e substituiu os bondes de tração animal por pequenas locomotivas à vapor. Reformou a antiga estação “Souza Barros” e mudou seu nome para “Estação de Chacrinha”. Diversificou as atividades agrícolas nas fazendas, introduzindo nas propriedades o gado de leite e a produção de laticínios. Para a produção de laticínios, Álvaro centralizou a produção na fazenda Vista Alegre, aproveitando as antigas instalações do engenho de café da fazenda. Para melhorar a produção da manteiga produzida em Vista Alegre, convidou o dinamarquês Malm Nielsen, que, com essa sociedade, mudaria completamente a história da produção de queijos finos no Brasil.
Aos poucos, os enormes cafezais vão sendo substituídos por pastos, como se sucedeu com todas as fazendas do vale do Paraíba.
Com o passar dos anos, Álvaro adquire a parte de Horácio na sociedade, tornando-se único proprietário da Companhia e, em 1956, toma a iniciativa de dividir seu patrimônio entre seus cinco filhos.
Em 1985, os irmãos Oliveira Castro vendem Chacrinha ao empresário e médico carioca Dr. Pedro Alberto Guimarães, um apaixonado por antigas fazendas de café, que adquiriu e recuperou da ruína algumas casas históricas, entre elas Santana do Turvo, em Barra Mansa, e São Fernando, em Vassouras. Com Chacrinha não foi diferente, embora seu estado de conservação fosse excelente. Em agosto de 1987, as obras de restauração foram inauguradas com toda pompa e circunstância.
Dr. Pedro Alberto, em 1996, resolve vender Chacrinha ao casal de advogados cariocas Sérgio Shaione Fader Fadel e Hecilda Martins Fadel, com raízes no vale do Paraíba.
Chacrinha não poderia estar em melhores mãos. A sensibilidade artística do casal Fadel se uniu ao gosto pela história desta aristocrática propriedade.
Sérgio continua com a vocação econômica da fazenda mantendo a criação de gado da raça nelore e girolando para corte e leite, além da produção da aguardente ‘Chacrinha’.
A Sérgio e a sua dedicada esposa Hecilda, o mérito de fazer perpetuar a vocação histórica da fazenda Chacrinha, como monumento histórico a ser preservado.
A propriedade é produtiva e seleciona Nelore de Elite.
Texto e Pesquisa: Adriano Novaes
Revisão: Sonia Mattos Lucas
Informações:
Estrada de Chacrinha s/n - Valença-RJ
Contato: Drª. Hecilda Fadel
Tel: (21) 2262-8685 - Fax: (21) 2240-5458 ou (24) 2453-4661
OBS: A Fazenda recebe para visitação guiada, com reserva antecipada. Abre anualmente para concertos do Festival Vale do Café.

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Fazenda
União
A
sede da Fazenda União é um exemplar de propriedade
rural do ciclo cafeeiro. Na opulência do meio produtivo
rural, As casas tinham um porte avantajado, dotadas de importância
arquitetônica e muitos cômodos, de volume e imponência
maior do que se imagina para uma residência apenas familiar.
Podemos encontrar outras casas grandes do gênero ao
longo do Vale do Paraíba, apontando claramente para
uma certa tendência à excentricidade e por vezes
até ao exibicionismo dos então, Barões
do Café.
A história da Fazenda União inicia-se em 1802,
quando José do Amaral obteve por concessão a
Sesmaria do Paraíso.Ficando durante onze anos sem condições
para explorar as terras, resolve vendê-las para João
Pereira Nunes em 1813, que também não produziu,
não beneficiou nem plantou nada em seus campos.
Em 1814, o Capitão Bernardo Vieira e sua esposa Dona
Escolástica Maria de Jesus , compraram estas terras
sem produção alguma e inexploradas, o casal
então deu o nome de Fazenda do Paraíso à
propriedade recém adquirida.
Com o falecimento
do Capitão Bernardo Vieira em 1838, as terras da Sesmaria
foram dividas em sete partes , dando origem às Fazendas
União , Esperança, Sapucaia, São Luis,
São Policarpo, Divisa e Sossego.
Desta partilha de bens entre herdeiros, coube a José
Vieira Machado e sua esposa Dona Lina Laudegária Vieira
e Souza as terras em que atualmente se encontra a Fazenda
União. Em 05 de Setembro de 1853 a propriedade foi
vendida para Antônio Pereira da Fonseca Júnior,
que adquire também a Fazenda Esperança. O novo
proprietário recebe a escritura com o nome de Saudades
do Rio.
Em
18 de Setembro de 1859, a Fazenda retoma o seu antigo nome
de União, através do Barão e , mais tarde
, de Visconde do Rio Preto, sendo esse o seu mais próspero
e ilustre proprietário. Por causa de sua localização
privilegiada, situada ao longo do caminho para as Minas Gerais,
a fazenda tornou-se passagem e pouso obrigatório para
viajantes, impondo-se como uma das mais concorridas, da então
recém fundada, freguesia de Santa Teresa d Valença.Filho
do Visconde do Rio Preto, o Barão Domingos Custódio
Guimarães Filho, recebe em 1867 a Fazenda União
como dote de casamento, tornando-se proprietário, juntamente
com Dona Maria Balbina de Araújo, sua esposa Posteriormente,
em 1873, o médico Camilo Bernardino Fraga e sua esposa
Dona Luíza Vieira da Cunha Fraga, tornaram-se seus
proprietários. A abolição da Escravatura
em 1888, acelerou o processo de decadência do ciclo
e das fazendas de café.
Em 1901, a agora
viúva Dona Luíza, enfrentando graves dificuldades
financeiras, vê-se obrigada a hipotecar a fazenda à
João Alves Montes. Em meados do ano de 1918, o Senhor
Melchiades Augusto de Mourão Matos, que havia sido
padre e abandonou o celibato para desposar Dona Olga Morgante
Ferreira, compra a propriedade. Vendendo-a quatro anos mais
tarde, em 1922, para José Rodrigues de Almeida e sua
esposa Dona Prudência. O casal resolve então
mudar a atividade produtiva da fazenda para a criação
do gado leiteiro, que em todo o Vale do Paraíba, tornara-se
a atividade econômica principal. A Fazenda União
permaneceu com os herdeiros de José Rodrigues de Almeida
até 1972, quando foi vendida para Vicente Crispin de
Oliveira e Dona Filomena Faria de Oliveira. Adquirida por
João Manoel dos Reis Filho em 1992, o prédio
centenário foi revitalizado e orientado a atender aos
requisitos do conforto moderno, foram recuperados o telhado,
as paredes de pau a pique, os pisos e toda estrutura em madeira
e até os seus porões. O entorno da imponente
sede recebeu um elaborado cuidado paisagístico, onde
se procurou preservar as árvores centenárias
e as preferências botânicas do requintado período
colonial.O mobiliário foi então acrescido de
preciosas peças de época, recuperadas e adquiridas
em leilões, antiquários e incansáveis
inserções pela região do vale . Em um
trabalho feito ao longo dos anos, todo o seu interior recebeu
tratamento arquitetônico e artístico compatível
à época colonial.
Mais tarde, João
Manoel casa-se com Dona Rosalina Monteiro dos Reis e, no sentido
de preservar e divulgar o estilo de vida e os costumes do
nosso período colonial, sobretudo durante o ciclo do
café no Vale do Rio Paraíba , o casal vem preservando
as tradições, e para oferecer a hospitalidade
e o provincianismo daquela época,transformaram a Fazenda
União em um espaço de cultura e lazer.
Texto
e Fonte: Ana Helena Ribeiro Telles Santos
Informações:
João Reis
Tel: (24) 2453-2940 ou 9845-7351
email: fazendauniao@yahoo.com.br

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Fazenda
Santo Antônio
Esta
Fazenda foi um presente de casamento do Visconde de Ipiabas
para sua filha Cândida Peregrina, no enlace com o Comendador
Benjamin Salles Pinheiro. Mais tarde vereador e Prefeito de
Valença e um dos fundadores da estrada de ferro Rio
das Flores. Em 1865 ampliou a Casa Grande dotando-a de todo
o luxo e conforto próprio da burguesia oitocentista.
A Fazenda foi propriedade
do Visconde de Ipiabas, homem de grande influência no
Brasil Império - Ciclo do Café.
Informações:
Arturo Pereira
Tel: (24) 2488-2148 ou (21) 9889-7017
e-mail: fazstoantonio@hotmail.com
Link de Rio das Flores: www.riodasflores-artur.com.br

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Fazenda
Paraíso
(Estrada Rio das
Flores – Paraibuna, 9,3 km após Rio das Flores- RJ,
no seu distrito de Manuel Duarte)
Atualmente,
a Fazenda Paraíso está na mini-série
"Um Só Coração", da TV Globo.
A “Jóia de
Valença” como dizem os historiadores, pertencia na
época do café à freguesia valenciana
de Santa Thereza, famosa pela suas condições
favoráveis ao cultivo da rubiácea, pelas importantes
fazendas com seus magníficos solares rurais e pela
maior concentração de fazendeiros nobilitados
(barões, viscondes e condes) de toda a rica e grande
região de serra acima da cidade dos marqueses.
O
nome original dessa fazenda era Flores do Paraízo,
provavelmente em homenagem ao Rio das Flores que corre em
suas terras e pouco adiante deságua no Rio Preto e,
também, por ser mesmo um paraíso.
O
conjunto agrícola de grande porte – do qual considerável
parte ainda hoje se vê – foi construído por Domingos
Custódio Guimarães, 1o barão e depois
visconde do Rio Preto e era a sede de seu império cafeeiro.
Ao morrer deixou cerca de 15 grandes propriedades agrícolas
nas Províncias Fluminense e Mineira, além de
casas, palacetes urbanos e inúmeros outros bens (vale
a pena conhecer, em Valença, o palacete dele, hoje
a Faculdade de Economia, e o mausoléu da família
no cemitério do Riachuelo).
A residência da
Fazenda do Paraíso, um solar de dois andares de inspiração
neoclássica em forma de U, foi construído solto
no meio do terreno. Tal construção é
ricamente ornamentada por fora com obras de cantaria, ferro
e madeira e por dentro com paisagens, pinturas “trompe l’oeil”
e “faux marbre” do pintor espanhol José Maria Villaronga,
papéis de parede franceses, ricos trabalhos de marcenaria,
em especial, nos pisos, além de outros em variados
tipos de ladrilhos hidráulicos, etc. O interior, ricamente
decorado com móveis, estatuetas, lustres e espelhos
tem, para arrematar, uma capela interna que ocupa a altura
dos dois andares e parte considerável da profundidade
do casarão na sua ala esquerda.
Nesse conjunto agrícola
e nesse ambiente requintado, ambos particularmente enfeitados
e engalanados, no dia 7 de setembro de 1868, data em que o
jovem Império do Brasil completava 46 anos de idade,
foi comemorada a inauguração da ligação
rodoviária de Manoel Duarte com a estrada União
e Industria. A data foi propositadamente escolhida pois coincidia
com o dia do aniversário do visconde do Rio Preto,
que faria 66 anos, posto ter sido ele o grande incentivador
da ligação mencionada e que facilitaria, em
muito, o escoamento do café desta parte da região
valenciana e das fazendas dele, naturalmente. Para tanto,
foi montada uma monumental festa para comemorar os três
eventos. Aconteceu o imprevisto. Em meio à grande festa
quando, sob aplausos, o visconde do Rio Preto adentrava a
rica sala de entrada do solar, ele veio a falecer de fulminante
ataque cardíaco nos braços da viscondessa e
amparado por parentes e por personalidades como Mariano Procópio
Ferreira Lage – engenheiro, construtor da estrada e figura
de proa da festa, José Francisco de Mesquita - o marques
de Bonfim, ex-sócio e amigo particular do aniversariante,
e na presença de um sem número de ilustres convidados
de vários locais da Província Fluminense, em
particular de Valença e da Corte.
Paraíso,
ainda guardando muito do esplendor do passado quando, certamente,
era a mais rica e suntuosa casa sede do café do Vale
do Rio Preto e após passar por outros proprietários,
foi vendida em 1912 ao cel. Alexandre Belfort Arantes descendente
de tradicionais troncos mineiros, em cuja família ainda
se encontra sendo hoje administrada por um bisneto dele, Paulo
Roberto Belfort Carneiro da Silva.
Texto
e Fonte: Roberto Guião de Souza Lima
Informações:
Paulo Roberto Belfort
Tel: (24) 2458-0093
Link de Rio das Flores: www.riodasflores-artur.com.br

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Fazenda
Campos Eliseos
Uma
Fazenda Histórica que Hospeda. A Campos Elíseos
não é uma “Pousada” nem um “Hotel Fazenda” é
uma verdadeira Fazenda Histórica centenária
que hospeda no mesmo estilo que na Europa, e agora no mundo
inteiro, é conhecido como ''Turismo de Habitação''.
Na Campos Eliséos os hospedes são recebidos
com amizade e com a certeza poderão se sentir na fazenda
como na própria casa de campo.
Uma
sede antiga, fundada pelo Visconde de Ipiabas em 1851, hoje
reformada com respeito ao estilo da época, acrescentando-se
o charme Italiano.
Disponibilidade
de 6 apartamentos para um total de 22 camas. Todos os apartamentos
possuem banheiro interno.
Diária com
café da manha, pensão completa ou meia pensão.
Salão de TV, restaurante com fogão a lenha,
som.
Comida italiana
e mineira, com alguns pratos internacionais.
Na Fazenda: cachaça
aromatizada "Sinhazinha", doce de café "Moreninho"
e "Laranjas do Engenho".Mel.
Piscina, cavalos
para passeios com acompanhante, caminhadas, trilhas ecológicas,
açudes, cachoeira.
Criação
de cães das raças Golden Retriever e Pug com
o sufixo "Highland of Gold", gado, cabras.
Localizada no município
de Rio das Flores, no Vale do Café, oferece varias
oportunidades de roteiros para visita outras fazendas Históricas,
cachoeiras, Cidades históricas com clima agradável.
Localizada perto
dos municípios de Vassouras, Barra do Piraí,
Valença com outras interessantes opções
para visitações e lazer.
Informações:
Deborah Jappelli ou Luciana Jappelli
Telefax: (24) 2488-2014 ou 2488-2044
Site: www.fazendacamposeliseos.com
e-mail: deborahjappelli@uol.com.br ou campos-eliseos@uol.com.br

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Fazenda
Cachoeira Grande
De
todas as famílias que povoaram o Vale do Paraíba
durante o efêmero ciclo do café, nenhuma teve
tanta projeção social quanto os Teixeira Leite.
Entre estes, destaca-se a figura ímpar de Custódio
Ferreira Leite - O Barão de Aiuruoca, cuja ação
projetou-se em várias regiões cafeeiras do Vale.
Além de ter proporcionado obras assistenciais como
abertura de estradas, construção de pontes,
igrejas e hospitais, a este é atribuído a propagação
do café no Vale do Paraíba.Oriundo de São
João D’El Rei, filho de abastados senhores de minas
de ouro, o Barão de Aiuruoca imigrou para o Vale do
Paraíba em princípios do século XIX,
trazendo consigo inúmeros parentes. Entre estes, o
sobrinho Francisco José Teixeira Leite, filho de sua
irmã Dona Bernardina - a Baronesa de Itambé.
Francisco José,
com apenas 16 anos de idade, havia sido contratado para a
construção da Estrada da Polícia em 1820,
na qual a cidade de Vassouras foi fundada. Em 1830, casa-se
com a prima, Dona Maria Esméria Teixeira Leite, recebendo
como dote, parte das terras que viriam a integrar a Fazenda
da Cachoeira. Desde então, dá início
às atividades de abertura da fazenda, onde planta as
primeiras mudas da rubiácea em substituição
às extensas florestas que outrora revestiam seus morros.
Com as madeiras extraídas desta derrubada, constrói
a casa de morada, senzalas, engenhos, entre outros... Paralelamente,
dedica-se à negociação de capitais e
às causas sociais na vizinha Vassouras. Sendo um de
seus fundadores, adquire nesta um elegante palacete, onde
passa maior parte de seu tempo, podendo assim, melhor dedicar-se
ao desenvolvimento social e econômico da cidade. Tal
dedicação colabora para que a cidade torne-se
o mais importante centro cafeeiro durante o segundo Império.
Neste período, Cachoeira é mais usada como residência
que empreendimento agrícola.
Em 1871, Francisco José
chega ao ápice de sua projeção social
e é agraciado pelo Imperador D. Pedro II, com o título
de Barão de Vassouras. Treze anos depois, falece aos
80 anos de idade, deixando uma fortuna aos 11 filhos que teve
do primeiro e segundo matrimônios, este último
com Dona Alexandrina Teixeira Leite. Mesmo com a plena decadência
da produção cafeeira, Cachoeira ainda vive dias
de pompa que desfruta desde a fase mais rica do ciclo.Em 1884,
meses após o falecimento do fundador de Cachoeira,
os herdeiros deste ofereceram um jantar requintado ao casal
Princesa Isabel e Conde D’Eu, além de outros ilustres
convidados como os barões de Santa Mônica e Visconde
de Ibituruna. Este talvez tenha sido o último festim
de uma era de riquezas.
No século XX,
Cachoeira já não mais pertencia à nobre
família Teixeira Leite. Na década de 40 é
adquirida por Mário Mondovo, italiano de origem judaica
que emigrou para o Brasil afim de exilar-se da perseguição
nazista que assolava a Europa durante a 2a. Grande Guerra.
Cachoeira prosperou e dedicou-se a diversas atividades agrícolas
mas, somente com a pecuária leiteira é que a
fazenda se firmaria. Neste final de século, mais precisamente
em 1987, Mondovo vende a Fazenda da Cachoeira ao empresário
Francesco Vergara Caffarelli. Com o novo proprietário,
a Casa da Cachoeira, após longos anos de abandono e
quase em ruínas, passa por um processo de restauração.
Caffarelli, italiano
oriundo de Roma, foi grande amante das artes. Ajudado por
sua esposa, Núbia Vieira Monteiro Caffarelli, dedicou-se
com afinco aos trabalhos de restauração do casarão,
que consumiram quatro anos e teve projeto assinado pelo arquiteto
Eloy de Mello.
Com sua área original
bastante reduzida, Cachoeira dedica-se hoje às atividades
pecuárias e às do turismo cultural. Núbia
e sua cunhada Madalena participam do Instituto PRESERVALE,
contribuindo assim, para uma consciência preservacionista.
Pesquisa: Adriano Novaes
Revisão: Sonia Mattos Lucas
Informações:
Estrada Fazenda da Cachoeira, 1639 - Vassouras-RJ
Caixa
Postal: 85.611 - CEP - 27.700-970
Telefone
para Reservas: (24) 2471-1264 e (24) 2491-1983
Site: www.fazendacachoeiragrande.com.br
e-mail:
nvergara@centroin.com.br
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Fazenda
do Secretário
A
Fazenda do Secretário é o melhor exemplo de
solar rural cafeeiro em estilo neoclássico existente
no Brasil. Localizada no Município de Vassouras, a
propriedade chegou a possuir 500.000 pés de café
e 366 escravos. Restaurada e mobiliada ao estilo da época,
o solar foi construído em meados do século XIX
(1830) por Laureano Correa e Castro, o Barão de Campo
Belo. O Barão foi Coronel Comandante Superior da Guarda
Nacional de Vassouras e Iguaçú, Cavaleiro da
Ordem de Cristo e Comendador da Ordem da Rosa. O título
de Barão lhe foi agraciado em 1854 pelo Imperador Dom
Pedro II.
A Fazenda do Secretário
possui vários aposentos, uma escadaria importada da
Europa em madeira de lei, capela, salão de baile e
salas de jantar com pinturas do catalão José
Maria Villaronga, conhecido por suas obras em estilo "trompe
d`oeil", uma das características da decoração
interior das fazendas do Vale do Paraíba. Os jardins
com sua extraordinária beleza e dimensão, possuem
estátuas em ferro fundido da famosa fundição
Barbezat & Co., localizada no Vale d’Osne. A Fazenda do
Secretário foi retratada por Vitor Frond, renomado
pintor, e já serviu de cenário para várias
produções da TV Globo, como as minisséries
"Os Maias" e "Os Quintos dos Infernos".
Informações:
Sra. Martha Ribeiro de Britto
Tel: (24) 2488-0150 ou (21) 2544-8850

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Fazenda
Mulungú Vermelho
Sua
origem remonta ao princípio do século XIX, quando
suas terras foram doadas através do sistema de sesmaria
ao concessionário capitão Antônio Luiz
do Santos, e sua mulher D. Luiza Maria Angélica, a
terceira filha do lendário Capitão Ignácio
de Souza Werneck, patriarca do clã mais importante
do período cafeeiro no Vale do Paraíba.
Esta união deu
origem ao ramo Santos Werneck, que vão estender seus
domínios na região de Massambará, no
município de Vassouras e no distrito de Bemposta, município
de Três Rios.
D. Luiza faleceu em 1813
e o Capitão Antonio Luiz dos Santos em 1825, aos 53
anos de idade, de uma "inflamação do peito".
Esta é a data provável em que um de seus sete
filhos, Francisco Luiz, recebeu de herança as terras
que deu origem à fazenda São Francisco, hoje
denominada Mulungú Vermelho.
Um fato curioso sobre
esta família é que de todas as fazendas fundadas
pelos filhos do capitão Antonio Luiz, pelo menos as
de Massambará, tiveram nomes de santos homônimos
aos seus fundadores, como por exemplo a fazenda São
Fernando, fundada por Fernando Luiz dos Santos Werneck, a
de Santo Antônio, por Antônio Luiz dos Santos
Werneck (este migrou para Bemposta fundando lá diversas
fazendas), São Luiz, por Luiz Barbosa dos Santos Werneck
e São Francisco, por Francisco Luiz dos Santos Werneck,
que curiosamente usava a grafia "Verneck".
Pelo que consta, o solar
de São Francisco foi construído em 1831, na
primeira fase do café no Vale do Paraíba e,
com pouco tempo de lavoura, tornou-se uma das mais prósperas
de Vassouras. Tudo isso facilitado pela abertura da importante
e pioneira estrada do Comércio em 1816, que cortou
as fazendas dos irmãos Santos Werneck, de ponta a ponta,
trazendo lhes grandes vantagens no transporte de café
para os portos da baixada e posteriormente aos do Rio de Janeiro
e finalmente Europa. Por esta mesma estrada, virão
os primeiros requintes da Corte do Rio de Janeiro, transformando
as sedes das fazendas cafeeiras em verdadeiros palácios
rurais, que nada deviam às residências mais luxuosas
da Capital do recém criado império brasileiro.
Influenciado pela arquitetura
mineira do século XVIII, o solar de São Francisco
vai receber uma "maquiagem” neoclássica, estilo
este introduzido no Brasil em 1816, pela Missão Artística
Francesa, que virá influenciar toda a arquitetura valeparaíbana
na fase mais rica do café. A presença do neoclássico
no solar pode ser notada nas marcações dos cunhais,
nos capitéis, cimalhas, sobrevergas e caixilhos trabalhados.
Em meados do século
XIX, quando a produção de café no Vale
do Paraíba atinge seu apogeu, São Francisco
é uma das mais ricas do vale do ribeirão Florência,
produzindo, além do café, cereais que, em alguns
casos, abasteciam fazendas vizinhas. Trabalhavam em seus cafezais
cerca de 110 escravos, em um número aproximado de 280
mil pés de café, como podemos observar em inventários
da fazenda.
O tempo passou e os fazendeiros,
despreparados quanto ao uso da terra, acabaram por esgotá-la
e decadência da cultura do café foi inevitável.
A situação ainda se agravou com a crescente
campanha abolicionista e a expansão do mercado inglês
no império brasileiro, que não admitia o modo
de produção escravista.
Comendador Francisco
não viveu para ver a derrocada de sua fazenda, falecendo
em 1871, quando o café começava dar sinais de
decadência. Sua viúva, D. Maria Francisca das
Chagas Werneck, com quem teve três filhos, viveu até
1886.
São Francisco
ficou com as filhas herdeiras, Francisca Adelaide, casada
com o primo Luiz dos Santos Werneck, herdeiro de São
Fernando, e Zeferina Adelaide das Chagas Werneck, casada com
o primo, o capitão João Barbosa dos Santos Werneck,
herdeiro da fazenda de "Cima" (São Luiz).
Capitão João
e Zeferina adquirem as partes dos outros herdeiros, ficando
únicos proprietários da São Francisco
e mais as de "Cima" e "das Cruzes", sendo
está última onde casaram em 1858.
Pouco tempo depois falece
o capitão João, e a fazenda é herdada
por seu filho, Joaquim Barbosa dos Santos Werneck, que se
torna o único proprietário da fazenda, tendo
comprado a parte do seu irmão João e a parte
de sua mãe, que havia ficado com a fazenda “Cima”.
Por volta de 1903, Joaquim
se desfaz da fazenda, então com seus 117 alqueires
geométricos constando do Sítio "Velho"
e fazenda "Pao Ferro", antiga Cruzes, vendendo-a
aos recém casados Fortunato Delgado Motta e Gabriela
Messias Delgado Motta.
Vindos do município
de Lima Duarte, MG, este casal iniciou um novo ciclo na história
de São Francisco: a do gado de leite, sem, no entanto,
abandonar a tradicional cultura do café cultivado na
fazenda até meados da década de 1940. Algum
tempo depois adquirem as fazendas vizinhas de "Cima"
(São Luiz), Cachoeira Bonita e "Dr. Reis"
(São José).
Fortunato era um homem
simples e muito respeitado dos por seus 11 filhos, tidos com
sua amada esposa D. Gabriela Messias, filha de João
Evangelista de Almeida Ramos e Mariana Evangelista Duque,
barões de Santa Bárbara do Monte Verde.
Sinhá Gabriela,
como era carinhosamente chamada pelos criados da fazenda,
faleceu em 1935, e Fortunato viveu ainda tempos depois no
estado de viúvo.
Em 1947, falece Fortunato
e São Francisco é dividida entre seus herdeiros,
a saber: Maria (Nicota), Militão, Judithe, Mariana
(Neném, falecida ainda jovem), Maria José, Jayme
(Zezé), Geraldo, Francisco, Thereza, Ana (Anita) e
Fortunato. Suas terras são fracionadas e o solar, com
uma área de terras reduzida, é vendido a Carmem
Lahmeyer Duval e seu marido Carlos Afonso Ferraz Duval e Selma
Ferreira da Silva.
O tempo em que o casal
Duval fica na fazenda, é o suficiente para promover
a recuperação do solar, que se encontrava em
adiantado estado de deterioração.
Esse histórico
patrimônio foi adquirido em 1988, por Simone Marques
Coimbra Pio da Fonseca, já com o nome de Mulungú
Vermelho.
Localizada no município
de Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, Simone dedicou-se
com afinco às obras de recuperação da
fazenda.
Texto
e Pesquisa:
Adriano Novaes
Professor, Genealogista e Pesquisador da História do
Ciclo do Café, Sócio do Colégio Brasileiro
de Genealogia.
Informações:
Estrada de Aliança, 4446 - Massambará
- Vassouras
Telefone para Reservas: (24) 9829-3628

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Fazenda
Cachoeira do Mato Dentro
Situada
no município de Vassouras, está localizada na
BR 393, à 15 Km do centro da cidade. Pertenceu a José
de Almeida Avelar, Barão do Ribeirão, estando
desde 1896 com a Família Rangel. Em estilo neoclássico,
mantém características originais do século
XIX, fazendo parte do Ciclo do Café, que tanto enriqueceu
a nossa história. Em bom estado de conservação,
preserva ainda hoje grande parte do mobiliário, louças
e acervo de época, sob a administração
de seu proprietário Luiz Felippe Rangel. Destaca-se
entre outras atrações um banheiro de pedra pertencente
aos escravos, além dos terreiros de café, senzalas
e o contato direto com a vida no campo com passeios à
cavalo, carro de boi e animais domésticos de grande
e pequeno porte.
Residência
da família, hoje abre suas portas para visitas de turistas,
escolas e historiadores, podendo ser oferecido café
ou almoço tipicamente rural, além de queijos
tipo frescal, lingüiça e doces produzidos no local
para consumo e venda. Na segunda quinzena do mês de
maio realiza-se tradicionalmente um Concerto de Outono.
Informações:
Tel: (24) 9992-7350 ou 9914-2286 ou 9845-1229

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Fazenda
São Fernando
Localizada em Massambará, Distrito de Vassouras, a Fazenda São Fernando foi no século passado uma das unidades produtoras de café do Vale do rio Paraíba Fluminense. Fundada no início do século XIX, rapidamente se inseriu na monocultura cafeeira, tornando-se uma das importantes propriedades da região. Sua origem territorial remonta ao século XVIII, quando as doações de terra se intensificaram ao longo do “Caminho Novo” das Minas Gerais, especificamente às sesmarias da Várzia e Vila Latina.
Fernando Luiz dos Santos Werneck, seu fundador, pertenceu a um dos mais poderosos e brasonados clãs da região. Ao longo de sua trajetória, no século XIX, enquanto unidade de produção escravista, a Fazenda São Fernando acompanhou, passo a passo, o movimento de expansão, o apogeu e a decadência da cafeicultura no Vale do Paraíba Fluminense, podendo ser considerada como um dos notáveis exemplos desse processo.
Na virada do século, esgotado o ciclo que a produziu, a Fazenda São Fernando hibernou, preparando-se para a nova etapa que o século XX lhe reservava.
Com 122 alqueires e 2.000 m2 de área construída, a sede monumental, construída em três diferentes momentos ao longo do século XIX, foi restaurada com rigor e excelência, baseada na pesquisa arqueológica desenvolvida na propriedade. Uma pequena coleção de objetos - encontrada durante as escavações do sítio arqueológico e recuperada – está exposta no antigo cárcere, revelando aspectos do cotidiano de senhores e escravos que ocuparam a propriedade no passado. A fazenda está decorada com mobiliário e obras de arte, característicos do estilo da época, de grande apuro e beleza.
A Pesquisa Arqueológica
Com o objetivo de recuperar evidências materiais das atividades cotidianas na Fazenda São Fernando, ao longo do século XIX, foram realizadas escavações arqueológicas em diversos pontos da propriedade. A pesquisa voltou-se primordialmente para as possíveis áreas de despejo de lixo, considerando-se o elevado potencial informativo desse tipo de material, capaz de refletir com grande fidelidade os padrões de comportamento adotados por um determinado grupo.
O interesse dessa amostra é de natureza fundamentalmente comparativa e, enquanto produzida por um segmento social, apresenta um perfil que deverá ser sobreposto ao de contextos semelhantes em outros sítios arqueológicos históricos, de tal forma que permita a constatação de regularidade assim como a configuração de padrões comportamentais próprios às categorias examinadas.
Atividades Atuais
Hoje, a Fazenda São Fernando desenvolve as atividades de criação e seleção de gado Girolando F1 leiteiro e venda da produção leiteira in natura, agricultura orgânica e reflorestamento, plantando anualmente 6.000 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica, visando recuperar a fauna e flora e protegendo as nascentes da propriedade. A Fazenda tem sido um laboratório de experiências nas áreas citadas, uma porta aberta para pesquisas, epicentro irradiador de ações sociais e culturais e pioneira na locação de telenovelas sempre visando a maior valorização da região.
A Fazenda é hoje sede do Instituto São Fernando, que atua como catalisador de políticas públicas nas áreas de educação – Programa Educar Mais de formação continuada para a rede pública de educação de Vassouras, meio ambiente e eco-agricultura – Orgânicos do Vale com distribuição da produção em cestas -; cultura – apóia o Programa de Integração pela Musica - PIM desde sua criação, hoje consagrado como Ponto de Cultura pelo Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura -; e, patrimônio histórico na região do Vale do Paraíba Fluminense. Desenvolve ainda programas de Turismo Cultural, participando, desde 2003, da promoção do Festival Vale do Café, realizado anualmente no mês de julho, e é precursor das atividades do Instituto Preservale, do qual o proprietário da fazenda é Sócio Fundador e Conselheiro.
O Instituto São Fernando articula parcerias público-privadas, para contribuir na formulação e implementação de políticas públicas que visem não apenas a melhoria de condições materiais, mas também a ampliação do horizonte de desejos e da disposição para agir da comunidade, contribuindo para que as pessoas tenham maior autonomia na condução de suas vidas.
A Fazenda de propriedade de Ronaldo Cezar Coelho, desde dezembro 1983, está aberta a visitação pública. A visita guiada à Fazenda compreende um excelente tour pela sede, ruínas da antiga senzala, quadrilátero do café, e um cafezinho na cozinha.
A Fazenda reúne ainda um acervo de obras de arte representativo das escolas moderna e contemporânea.
Informações:
Oferece visitação guiada, sob agendamento prévio.
BR 393, Rodovia Lucio Meira, Km 218, Massambará, Vassouras/RJ
Tel: (24) 2488-9100 / Fax: (24) 2488-9099 - Sr. Eugênio
e-mail: fazsaofernando@terra.com.br
Arquivo PDF: Clique aqui para fazer o download do Histórico da Fazenda! (42 KB)

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Fazenda
Monte Alegre
A
história da fazenda Monte Alegre está fortemente
ligada à de seu mais importante e ilustre morador,
Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, o Barão de Paty
do Alferes, membro do “Clã dos Werneck”, clã
este que dominou por quase 200 anos a maior parte das terras
na “Serra Acima”, como era conhecida esta parte da então
Província Fluminense.
Não
foi o Barão quem construiu Monte Alegre, porém,
é certo que desde o ano 1855 o Barão residiu
nesta fazenda, fazendo dela seu centro de negócios
e de documentação, arquivos, etc... Das várias
fazendas que possuía (sete, com centenas de escravos)
era a melhor aparelhada, melhor localizada, possuidora do
melhor quadro de profissionais especializados (enfermeiros,
sapateiros, lavadeiras, etc.. só carpinteiros havia
10) e a que possuía melhores instalações.
A Monte Alegre chegou a abrigar 200 escravos por volta de
1859.
Uma
grande reforma nesta fazenda ocorreu por volta de 1861 – ano
que vamos ver em destaque na fachada – por uma razão
curiosa. O imperador Pedro II veio de Petrópolis a
Paty do Alferes de surpresa pela picada do Paty – hoje Estrada
do Imperador - em 1858, e foi recepcionado pelo Barão
de Paty em sua casa no centro de Paty (posteriormente transformada
em hotel, esta casa não mais existe, foi demolida).
Apesar dos insistentes apelos feitos ao Imperador para que
pernoitasse em Paty, tudo indica que outros compromissos o
obrigaram a seguir viagem, frustrando seus anfitriões,
a despeito das ótimas impressões levadas por
Pedro II. Assim mesmo decidiu o Barão promover grande
reforma em sua fazenda Monte Alegre, para colocá-la
à altura de visitantes ilustres como o Imperador. E
assim fez. Lamentavelmente, no mesmo ano da conclusão
das reformas – 1861- morreria o Barão de Paty aqui
mesmo, na Monte Alegre, em 22 de novembro, vítima de
congestão cerebral (hoje conhecida como AVC), mal que
já o afligia há algum tempo.
Monte
Alegre possuía em seus melhores tempos: casa de moradia
com oratório próprio; moinho; engenho de farinha;
59 lances de senzala; pilões; serraria; olaria; forno
apetrechado; 2 lances de casa para guardar carros; 10 lances
de armazéns de café e tulhas; um canavial; cafezais;
9 enfermarias para os escravos, etc
Em
seu interior havia mobílias de mogno, jacarandá,
cedro e peroba, um belíssimo piano, serviços
de louça da Índia incluindo aparelhos de porcelana
com o brasão da família, além de outros
objetos de luxo.
Dispunha o Barão
para seu transporte, dos familiares e amigos mais íntimos
(ou hóspedes ilustres) de 5 carros, 2 carretões,
2 carroças, 1 carro de 4 rodas e 2 liteiras, além
de adequada estrebaria com cavalos de raça para suprir
tudo isto com tração animal.
Com
a morte do barão, sua esposa Maria Isabel, apesar da
inexperiência, assumiu seus negócios com mão
firme até sua morte, em 1866.
Por
herança da Baronesa de Paty, coube a Fazenda à
sua filha Maria Isabel Peixoto de Lacerda Werneck de Castro,
futura Viscondessa de Arcozelo, em função de
seu casamento com Joaquim Teixeira de Castro, Visconde de
mesmo título, a partir de 1874.
A
Viscondessa manteve um interessantíssimo diário
por ela mesmo manuscrito – o que era relativamente raro, na
época, mulher alfabetizada – que dá uma boa
visão do dia a dia em Monte Alegre: as cozinheiras
dos escravos levantavam-se antes mesmo do nascer do sol para
acender o fogo sob caldeirões de ferro apoiados em
imensos fogões de lenha. O feitor ou um dos capatazes
então se encaminhava para o sino de bronze, a fim de
despertar os negros acomodados na senzala. Havia sempre um
sistema rígido a seguir: nos dormitórios mais
espaçosos ficavam os casais e em quartos comuns dormiam
os solteiros, tanto homens quanto mulheres. Alertados pelo
sino, levantavam-se imediatamente de suas tarimbas de tábuas
e cada um pegava sua ferramenta pendurada nos beirais da senzala
: enxada, machado, foice e outras.
Da
senzala rumavam para a cozinha própria dos escravos,
onde então recebiam a primeira ração
do dia, constituída por um bom café bem encorpado,
um bom pedaço de pão, pedaços de rapadura
e um prato de angu.
Enquanto isto, no interior da casa grande, os escravos “de
porta adentro” encarregavam-se de arrumar a mesa dos senhores
e tratavam de apagar as velas ou os pesados lampiões
de azeite de mamona, ajeitando tudo e limpando para servir
a primeira refeição da família.
O
dia transcorria de maneira lerda, com as escravas cuidando
do asseio dos quartos e salas, servindo café e chá
para a família ou a eventuais visitantes, enquanto
os negros e os feitores, supervisionados pelas cavalgadas
de inspeção de surpresa dos patrões,
tratavam da lavoura e dos animais.
Já
à noite, a família do fazendeiro recolhia-se
bem cedo – no caso de não aparecer visitante – sempre
acompanhada atentamente pelas mucamas. Essas se incumbiam
de levar a água morna para lavar os pés cansados
dos senhores que chegavam exaustos das lavouras, providenciando
possíveis “banhos de assento” para as senhoras e sinhazinhas.
Às
mesmas cabia também distribuir pelos vários
quartos os vasos sanitários para uso dos familiares,
recolhendo-os na manhã seguinte para despejo, tão
logo todos se retirassem para o trabalho.
Depois
de todas as providências noturnas, as mucamas e demais
escravos encarregados de proporcionar o conforto dos patrões
(como fechar janelas e cerrar as cortinas dos vários
cômodos e salões, colocar chinelos aos pés
das camas, deixar sobre as cômodas os jarros com água
ao lado de copos, etc.) pediam a benção aos
senhores e senhoras, desejavam bom sono a mancebos e sinhazinhas,
verificavam o conforto e a segurança das crianças,
apagavam todas as luzes e buscavam um repouso em seus humildes
dormitórios ou no cantinho escuro das senzalas.
Porém,
apesar do fausto vivido por alguma (poucas) gerações
do clã dos Werneck na Monte Alegre, a história
prosseguiu implacável. Por força de vários
fatores econômicos, como principalmente o esgotamento
da terra para o plantio de café um virtude de tratos
culturais inadequados e da abolição da escravatura,
os Werneck, empobrecidos, tiveram de deixar a fazenda em 1911.
Vendeu-a a Viscondessa de Arcozelo, filha do Barão
de Paty, já viúva do Visconde, a um membro de
família aparentada, Joaquim Ribeiro de Avelar.
A Viscondessa teve
de mudar-se para uma pequena fazenda, morando, segundo depoimento
de seus próprios parentes, numa casa “meio de colono”
onde veio a falecer, com enterro de pobre, em carro de boi,
seguido por cortejo de ex-escravos descalços e maltrapilhos.
Consta até que o custeio do funeral foi feito pela
família da zeladora do cemitério, já
que os filhos da falecida “já estavam tão pobres
que não tinham dinheiro."
Daí
em diante a Monte Alegre foi fragmentada, tendo a casa passado
por várias mãos, como Sabino de Robertis, Antonio
Faustino Porto e até mesmo de uma empresa que a transformou
em hotel e cassino.
Finalmente,
chegou às mãos de seus atuais proprietários,
o engenheiro e escultor Gabriel Fonseca e família,
que a compraram em ruínas e por preço irrisório.
Levaram 6 anos para restaura-lá, com uma equipe de
3 artesãos, com enormes dificuldades para seguir os
padrões originais, inclusive do paisagismo do artista
francês Glaziou nos jardins.
Mais
tarde, seguindo o projeto básico dos paisagistas José
Tabacow e Cíntia Chamas, os atuais jardins foram sendo
implantados. Atualmente os jardins e as construções
coloniais totalmente restauradas abrigam o Parque de Esculturas
Lúcia Miguel Pereira. Além das esculturas do
proprietário, o escultor Gabriel Fonseca, o Parque
também expõe trabalhos de Maria Martins, Agostinelli,
Ângelo de Aquino e João Goldberg dentre outros
renomados artistas.
Texto
e Pesquisa: Milton Cabral
Fontes:
1- Sebastião Deister - Serra do Tinguá, 300
anos de Conquistas - Séc. XVII ao Séc. XX
2- Antigas Fazendas de Café da Província Fluminense
– 1980 – Nova Fronteira
3- Fazendas Solares da Região Cafeeira do Brasil Imperial
1986 – Nova Fronteira
4- Vassouras de Ontem - Compilação Greenhalgh
Faria Braga
5- Notas para a História de Vila de Paty do Alferes
- Frei Aurélio Stulzer – 1944
6- No tempo dos barões - Maria Werneck de Castro –
Ed. Bem-te-vi
7- Barões e escravidão - Eduardo Silva – Nova
Fronteira
Informações:
Endereço: Av. Beira Rio, 7 - Paty do Alferes - RJ - CEP: 26950-000
e-mail: fazenda-monte-alegre@ig.com.br
Parque de Esculturas da Fazenda Monte Alegre: www.gabrielsculptor.com

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Fazenda
Pau Grande
São das mais antigas as referências e registros das terras onde está situada a fazenda Pau Grande. Ao contrário da maioria das fazendas de café, Pau Grande já existia muito antes do ciclo, dedicada principalmente à produção de açúcar. A ocupação, ainda no final dos anos seiscentos, teve origem na abertura da mais importante estrada do Brasil colonial, o lendário Caminho Novo das Minas Gerais, obra de Garcia Rodrigues Paes e Pedro de Morais Raposo.
O Visconde de Asseca, Martim Corrêa de Sá, família dos maiores latifundiários do Rio de Janeiro durante dois séculos, foi seu mais antigo proprietário. Mas o arquivo referente à concessão de sesmarias revela a presença na fazenda, em 1748, dos Gomes Ribeiro, Francisco e Manoel. Essa mesma família seria dona de Pau Grande até o século XX.
A localização da fazenda a tornava passagem e pouso para viajantes.
Auguste Saint-Hilaire, o sábio naturalista francês, e Tiradentes, precursor e mártir da independência do Brasil, lá estiveram. Os acontecimentos que culminaram com o enforcamento de Tiradentes por ordem da rainha de Portugal D. Maria I tiveram influencia no rumo da história de Pau Grande, pois o envolvimento de Antônio Avelar com o herói e as pressões que sofreu trouxeram-lhe grande prejuízo financeiro, como meio de escapar da “devassa”, e ocasionaram sua morte em 1794. O clima hostil obrigou a família a se retirar para a fazenda, e em 1797 Luiz Gomes Ribeiro, genro e herdeiro de Antônio, assume os negócios junto com a viúva, não sem antes adquirir as partes dos sócios. José Rodrigues Cruz se retira para fundar a vizinha fazenda Ubá, segundo depoimento de Saint-Hilaire “habitada por índios selvagens”.
É Luiz Ribeiro quem manda construir a grande casa que hoje surpreende e encanta o turista por sua grandiosidade arquitetônica e beleza plástica.
Ribeiro permanece na fazenda até 1810, quando desavenças com sua sogra o levam a retirar-se para a fazenda Guaribu, onde iria residir até a morte, em 1839. Joaquim Ribeiro de Avelar, futuro Barão de Capivari, sucede o cunhado Luiz e torna-se senhor de Pau Grande na faze áurea do café. Nem Capivari nem seus irmãos e irmãs se casariam, o que não impediu o barão de reconhecer um filho natural, dar-lhes o seu nome, educá-lo e faze-lo herdeiro único e sucessor. Foi ele o segundo Joaquim Ribeiro de Avelar, que mais tarde receberia o título de Visconde de Ubá. Sua esposa, Mariana, filha do mordomo do Paço Imperial José Maria Velho da Silva, introduz então na fazenda todo o requinte e conforto na época exigidos nas casas ricas, sendo desta fase a instalação de banheiros dentro do solar, bem como a maior parte das alfaias. O casarão recheado de móveis, quadros, tapetes, louças e cortinas era famoso também por sua prataria.
Falecendo o Visconde de Ubá em 1888 e com as dificuldades decorrentes do final do ciclo, Pau Grande entra em franca decadência, que a viúva viscondessa não conseguiu evitar.
Depois dos Ribeiro de Avelar e com sua área reduzida a menos de 20 alqueires geométricos, a fazenda pertenceu ao colecionador de arte Plácido Gutierrez e em seguida à empresaria Lily de Carvalho Marinho. Na década de 1980, o empresário Walter Soares Ribas, adquirindo-a, empregou os recursos necessários e o melhor de seus esforços para, num grande trabalho de restauração, assessorado por equipe técnica, devolver à Pau Grande o seu antigo resplendor.
O telhadão e o espaço do velho engenho abrigam as baias para a criação de cavalos manga-larga marchador, principal atividade da fazenda, e um moderno estábulo para vacas leiteiras foi construído aproveitando parte de antigas tulhas. Pau Grande destaca-se pelos imponentes trabalhos de cantaria, sobre-tudo os de formato redondo com que são feitas as fundações das várias dependências externas.
Distando seis quilômetros do município de Avelar, no estado do Rio, em estrada pavimentada, a fazenda Pau Grande, renovada e revivida, está entre as mais extraordinárias casa rurais do Brasil.
Texto (parte) de Fernando Tasso Fragoso Pires extraído do livro “Fazendas: As Grande Casas Rurais do Brasil”, editado por Salamandra Consultoria Editorial Ltda., 1995.
Texto (parte) de Fernando Tasso Fragoso Pires extraído do livro “Fazendas: As Grande Casas Rurais do Brasil”, editado por Salamandra Consultoria Editorial Ltda., 1995.
Informações:
Endereço: Estrada Paty do Alferes, km 11
Contato: Walter Ribas
Tel: (21) 2536-2300
Site: www.fazendapaogrande.com.br
e-mail: wribas@luxorhoteis.com.br

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Fazenda
Santa Cecília
Fazenda
histórica do ciclo do café, foi construída
em 1770 em estilo colonial. No apogeu do Ciclo do Café,
por volta 1840, seu proprietário, o Barão de
Paty de Alferes, realizou uma reforma alterando seu estilo
para neo-clássico. Localizada no Distrito de Vera Cruz,
município de Miguel Pereira, possui em seus jardins
uma capela projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer com um
painel dedicado à Santa Cecília desenhado por
ele em seu interior. Local de beleza cênica única,
abre suas 20 suítes para hospedagem na modalidade do
Turismo de Habitação. Dispomos de piscina, açude
para pescaria, rio e cachoeiras propícios para banho,
passeios à cavalo, curral e nas instalações
da Fazenda temos salão de jogos, sala de leitura e
restaurante com pratos da culinária regional mineira,
doces e queijos produzidos na Fazenda e um tira gosto exclusivo:
o Pastel de Angu.
Já
estamos trabalhando com visitação ou day-use
com agendamento prévio em qualquer dia da semana, desde
que o contato seja feito com no mínimo 05 dias de antecedência.
Damos preferência a grupos, pois montamos a estrutura
para almoço ou o lanche que está incluso na
visitação.
Venha
experimentar e conhecer a nossa história!!!
Informações:
Endereço:
Estrada Tigipió 656 - Vera Cruz - Miguel Pereira
Contato
e Telefone para Reservas:
Maria Cecília Aparecido de Oliveira
Tel: (24)
2484-8283
e-mail:
faz.santacecilia@uol.com.br

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Fazenda
São João da Barra
São
João da Barra, antiga fazenda do ciclo do café,
cerca de 1830, tendo sido recém-restaurada. Expõe
gravuras e documentos originais do século XIX.
Informações:
Endereço:
Estrada do Bonfim (Antiga estrada Morro Azul-Arcádia)
- Miguel Pereira
Serviços:
Agendamento sob consulta. Ao final da visitação
será servido um lanche.
Contato:
Rogério ou Tatiana
Tel: (21)
2239-5823
e-mail:
tatianarybroek@globo.com

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Centro de Cultura Fazenda da Posse
Marco histórico do município de Barra Mansa, a sede da Fazenda da Posse teve sua construção concluída em 1768. Jóia do estilo colonial brasileiro (com influencia do barroco europeu), esse prédio de linhas singelas mas, profundamente expressivas, caracterizou-se por apresentar elementos originais como as telhas tipo “coxeira”, pau a pique nas alvenarias externas e internas do primeiro piso com a estrutura aparente, alcovas e janelas “fora do prumo” do andar superior. A planta primitiva foi alterada nas diversas reformas pelas quais passou, mas na última, por iniciativa de grupos ligados à preservação histórica da cidade e com o patrocínio do Sistema Firjan, praticamente reconstruiu o casarão que se encontrava em ruínas. O trabalho executado contou com a preciosa colaboração do Sistema Firjan (federação das Industrias do Rio de Janeiro) em parceria com profissionais do IPHAN e da prefeitura municipal de Barra Mansa.
Na recuperação do prédio foram utilizados elementos das construções originais (vigamentos, esquadrias) e material da mais nova tecnologia como lâmpadas dicróicas necessárias para a realização de exposições de artes plásticas freqüentes na atual programação da casa. No entorno da casa destaca-se um gramado com jardins, árvores e fonte, onde nos dias festivos são instaladas tendas para apresentações musicais e de outros gêneros. A gestão do Centro de Cultura Fazenda da Posse é partilhada pelo SESI Barra Mansa e a Fundação de Cultura, Esporte e Lazer de Barra Mansa, responsável pela gerência artística do casarão a qual vem organizando desde o início da primeira administração do prefeito Roosevelt Brasil Fonseca em 2001, uma média de oito exposições artísticas anuais e inúmeros cursos. workshops e oficinas abertas à comunidade regional. Um conselho formado por membros do SESI e da Fundação de Cultura, dedica-se a traçar os rumos da instituição e estabelecer novas regras e critérios para o seu melhor desempenho no futuro.
Setor educativo
Encontros com a Arte – Arte e professor
O programa Encontros com a Arte para professores propõe reflexões sobre a educação e o conhecimento, criando inter-relações entre diferentes disciplinas como a história da arte, o ensino e o fazer artístico. O intuito é aproximar professores e arte e estimular reflexões e debates sobre uma concepção atualizada de educação, sobre aspectos da didática e sobre conhecimentos necessários ao educador.
Encontros com Arte – Arte e Alunos/ Arte e comunidade
O programa Encontros com a Arte para alunos e comunidades, propõe uma visita orientada à casa, à exposição e atividades de arte em oficinas. Com o intuito de aproximar o público da obra do artista, são elaborados laboratórios de arte com atividades de desenho, pintura, modelagem, exibição de filmes, imagens e música, dentro do contexto da exposição.
Sala Dr. Mário Ramos
No pavimento superior do Centro de Cultura Fazenda da Posse, encontra-se a sala dedicada à memorabilia do Dr. Mário de Oliveira Ramos que nasceu em Barra Mansa em 25 de abril de 1882 e que exerceu a medicina nessa cidade, a partir de 1907. Filho do Dr. José Hypólito de Oliveira Ramos e de D. Francisca Júlia Alves de Oliveira, neta do Barão de Guapy, casou-se em 1907 com Valentina Borges Vieira Ferraz, indo residir no casarão da Av. Joaquim Leite, nº 25, onde instalou consultório no 1º pavimento do sobrado. Formou enorme clientela na região atendendo a todos os que por ele procuravam, em sua grande maioria pessoas sem recursos e que pagavam suas consultas com doações de gêneros alimentícios, aves e pequenos animais de criação caseira.
Administração do Centro de Cultura: Iran de Oliveira – Presidente
Luiz Augusto Mury – Vice-Presidente
Carla Giovana Castro Rolim – Coordenadora
Informações:
Centro de Cultura Fazenda da Posse
Endereço: Rua Dario Aragão, nº 02 - Centro - Barra Mansa-RJ - CEP: 27330-050
Horário de Funcionamento: de quarta-feira a domingo de 11 h às 17 h
Contato: Carla Giovana
Tel: (24) 3322-3855
e-mail: fazendadaposse@uol.com.br

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