| |
 |
| Os
solares imperiais do Vale do Paraíba são, ainda
hoje, o testemunho vivo da grandeza do Ciclo do Café.
O Instituto Preservale apresenta algumas das mais belas casas
rurais do Brasil do século XIX, contando um pouco da
sua história e convidando o internauta do século
XXI para uma viagem no tempo. Clique nas fazendas! |
| |
| |
 |
|
| |
| |
 |
|
| |
| |
 |
|
| |
| |
 |
|
| |
|
| |
|
| |
|
| |
|
| |
| |
 |
| |
|
| |
|
| |
|
| |
|
| |
| |
 |
| |
|
| |
| |
|
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
Hotel
Fazenda do Arvoredo
Antiga Fazenda Santa Maria
O
Hotel Fazenda do Arvoredo localiza-se na antiga Fazenda Santa
Maria, em Barra do Piraí, no Vale do Paraíba
Fluminense.No século XVIII, esta região começa
a ser desbravada e colonizada como o caminho para as Minas
Gerais, tornando-se local de apoio da Corte para as Minas
e vice-versa. Com o solo fértil, o clima ameno e a
mão de obra escrava, a cultura do café obtém
enorme sucesso. Transforma esses fazendeiros em empresários
rurais, possuidores de grande fortuna e poder junto ao imperador,
que os agracia com títulos nobiliárquicos, o
que os torna conhecidos como os famosos barões do café.
Com o enriquecimento dos Fazendeiros, estas unidades de produção
se sofisticam. Constroem-se casas senhoriais, as casas grandes,
o abrigo dos escravos, as senzalas, os depósitos do
café, as tulhas, dispostos em torno do pátio
de secagem do café, formando assim o quadrilátero
funcional.
A Fazenda Santa
Maria mantém as características de uma autêntica
fazenda do ciclo do café. O andar superior da casa
grande, moradia dos barões, divide-se em três
áreas distintas: área comercial, área
social e área íntima, tendo ao centro o átrium,
onde circulava o ar para manter uma boa aclimatação
da casa. Na cozinha, encontra-se ainda o antigo fogão
à lenha, datado do século XIX, em pleno e total
funcionamento, responsável por um dos destaques do
hotel que é a culinária regional.
Em 1808, o Príncipe
Regente Dom João doou a José Luiz Gomes, Barão
de Mambucaba, extensas terras com o objetivo de nelas plantar
café, dando origem à Fazenda Santa Maria. Em
1836, Honório Hermeto Carneiro Leão, assume
a fazenda. Seu filho, Nicolau Neto Carneiro Leão, herda
a propriedade e recebe o título de Barão de
Santa Maria, em homenagem à própria fazenda.
Manda construir outra sede, maior e mais luxuosa, concluída
em 1858. Em 1903, a fazenda é adquirida pelo Conde
João Leopoldo Modesto Leal, juntamente com outras 30,
dentre as quais a Fazenda Ponte Alta.
Em
1982, a antiga Santa Maria é recebida como herança
pelos irmãos Ana e Augusto Pascoli, que a transformam
em Hotel Fazenda em 1992, iniciando assim, um novo ciclo:
o do turismo. Ana Heloísa, prematuramente falecida
em Maio de 2001, foi, junto com seu irmão, Augusto
Eduardo, Sócia Fundadora do Instituto PRESERVALE, promovendo
e apoiando o Turismo Cultural e Ecológico, não
apenas como empresários do setor, mas com a sua atuação
e dedicação pessoal à memória
do Vale e de sua história.
No Hotel Fazenda do Arvoredo, o visitante poderá desfrutar
de um tour pela sede, aprendendo sobre mobiliário,
arte e arquitetura do século XIX com o próprio
Barão de Santa Maria e sua esposa, interpretados por
funcionários do Hotel trajados a caráter. Após
o tour, o turista é convidado para um Chá Imperial,
no qual degustará todas as iguarias típicas
da culinária do século XIX.
Fonte: Fazenda Santa Maria
Texto: Adriano Novaes e Sonia Mattos Lucas
Informações:
Tel: (24) 2447-2001
Site: www.hotelarvoredo.com.br

|
|
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
Fazenda
Ponte Alta
A Fazenda Ponte
Alta teve como primeiro proprietário José Luiz
Gomes, o Barão de Mambucaba, então grande sesmeiro
em Angra dos Reis. Em 1808, o Barão requereu sesmarias
nesta região. Construiu a Fazenda Ponte Alta por volta
de 1830, quando começaram a surgir as primeiras fortunas
geradas pelo café no Vale do Paraíba. Com a
morte do Barão de Mambucaba, em 1855, sua filha, Rosa
Luiza Gomes herdou a Ponte Alta. Esta por sua vez casou com
Antônio Gonçalves de Moraes, o "Capitão
Mata Gente", filho do Barão de Piraí, grande
proprietário de terras no outro lado do Rio Piraí.
Em
1936, a Ponte Alta foi herdada por Dona Isabel Modesto Leal,
neta primogênita do Conde Modesto Leal, abastado negociante
português, que a adquiriu em 1903 juntamente com outras
30 propriedades, em uma carteira hipotecária do Banco
de Crédito Real do Brasil. Dona Isa (como ficou conhecida)
era amiga pessoal do então Presidente Getúlio
Vargas, que costumava visitar a Fazenda, tendo passado seus
últimos cinco aniversários na Ponte Alta. D.
Isa construiu a atual sede de pedra no lugar da antiga vivenda
da Fazenda. O que se vê hoje, desta antiga "Empresa
Agrícola do Café", é à parte
do conjunto de serviço das antigas instalações
do café, incluindo o engenho de café, o engenho
de serra, a senzala, as tulhas e as oficinas, que formavam
um quadrado fechado. Por tudo isso, é, na região,
o mais representativo conjunto de serviço da época
do café.
Em
1960, a Fazenda Ponte Alta foi comprada por Nellie Pascoli,
empresária do setor de mineração, co-fundadora
do Grupo CAEMI. Dona Nellie era apreciadora da arte brasileira
e, em especial, da fase histórica do Brasil Colônia
e Império. Assim, em 1972 ela recupera o antigo moinho
de café da fazenda, num projeto arquitetônico
de Jorge de Souza Hüe, utilizando mobiliário e
peças dos séculos XVIII e XIX. Em 1982, a senhora
Nellie Pascoli morre e deixa a Fazenda Ponte Alta como herança
para seus sobrinhos, Evelyn e Ricardo Pascoli. Evelyn Pascoli,
falecida em Janeiro de 2003, foi a grande pioneira do Turismo
Cultural no Vale do Paraíba, tendo criado o Sarau Histórico,
aonde a história da Fazenda, como parte do contexto
geral da história do Vale e do Brasil, é narrada
teatralmente, permitindo ao turista um mergulho no passado
e uma redescoberta do presente. Diretora Executiva do Instituto
PRESERVALE por quatro anos, Secretária de Turismo de
Barra do Piraí, empresária de sucesso e personalidade
carismática, cativante e alegre, Evelyn Pascoli impulsionou
tremendamente o Turismo na região. Hoje a Fazenda Ponte
Alta tem como atividades à pecuária, a criação
de cavalos da raça Mangalarga Marchador e o Turismo
Cultural e Pedagógico, desenvolvidos na Pousada Fazenda
Ponte Alta.
Fontes:
Adriano Novaes e Roberto Guião de Souzalima
Informações:
Tel: (24) 2443-5005 ou 2443-5159
Site: http://www.pontealta.com.br

|
|
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
Fazenda
São João da Prosperidade
A história
da Fazenda São João da Prosperidade inicia-se
no século XIX a partir de 1820 - 1830, quando o café
começa a ser cultivado na região. Através
de doação de sesmarias, Antônio Gonçalves
de Moraes, o chamado "Capitão Mata Gente",
casado com Rosa Luiza Gomes de Moraes, investe na plantação
de café. Era também dono da Fazenda Braço
Grande (atual Ibitira), que doou a seu filho José Gonçalves
de Moraes em 1843, conforme escritura passada no Cartório
de Ipiabas.
Em
1843, ainda segundo escrituras, Antônio Gonçalves
de Moraes comprou um sítio denominado Barra do Piraí
e, em 1853, construiu uma ponte sobre o rio Piraí,
dando início ao povoado de São Benedito, origem
da cidade de Barra do Piraí. Em 1883, com a inauguração
da Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto, que saía
de Barra do Piraí e ia até mesma, mais tarde
denominada Viação Férrea de Sapucay e
posteriormente Rede Mineira de Viação, passou
a existir a estação "Prosperidade",
que servia para o Rio de Janeiro pela Estrada de Ferro Dom
Pedro II. A fazenda fazia limite com a Fazenda Floresta, em
Ipiabas, de propriedade da Baronesa do Rio Bonito e com a
Fazenda Braço Grande. Austero, longo e simples, são
os qualificativos mais apropriados para este casarão
de um só pavimento, com 950 m2 de área construída,
que possui 10 quartos e 5 salões, além de outras
dependências, cujas grossas paredes externas são
de pedra e as internas de pau-a-pique. Entretanto, a singela
arquitetura contrasta, por um lado, com a importância
histórica da Fazenda e, por outro, com a autenticidade
e conservação do prédio, fruto de louvável
e perseverante trabalho dos atuais proprietários. Luiz
Geraldo Muniz e Magide. Na frente da casa existe uma construção
de pedras que provavelmente, se destinou a abrigo das tropas
de mulas, que levavam o café para o Rio de Janeiro.
Com
uma área de 40 alqueires e tendo como principais atividades
à suinocultura, a pecuária de leite e de corte
e a fabricação de cachaça. A Fazenda
oferece visitas orientadas a grupos de turismo, recebendo
grande afluxo de visitantes devido à sua localização,
na Estrada Barra do Piraí - Conservatória, assim
como ao excelente tour que Magide conduz, contendo informações
detalhadas sobre a arquitetura e o modo de vida do século
XIX no Vale. Magide e Luís Geraldo pertencem ao Instituto
PRESERVALE, participando ativamente de nosso Programa de Turismo
Cultural.
Fontes:
Fazenda São João da Prosperidade
Texto: Adriano Novaes e Roberto Guião
de Souzalima
Revisão: Sonia Mattos Lucas
Informações:
Magide Breves Muniz
Tel: (24) 2442-3194

|
|
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
Fazenda
da Taquara
Quando
chegaram de Portugal, o Comendador João Pereira da
Silva, em companhia de Joaquim José Pereira de Faro
- futuro barão do Rio Bonito - estabeleceram-se nesta
região da antiga Província do Rio de Janeiro
(atual Barra do Piraí), nos primeiros decênios
do século XIX. Nesta mesma época, o café
começou a ser plantado no Vale do Paraíba e
o Comendador dedicou-se a cultivar o fruto precioso.Faziam
parte das propriedades do Comendador: a fazenda Campo Bom,
a fazenda Ipiabas e a fazenda da Nova Prosperidade ( Taquara),
como aparece no inventário do Comendador, falecido
em 1872. O nome Taquara foi dado pelos escravos, devido à
abundância de um bambu fino, encontrado na propriedade,
que era assim denominado.A sede foi construída, provavelmente
na década de 30, em forma de quadrilátero com
o jardim interno, sob a influência da arquitetura colonial
das Minas Gerais do século XVIII.
A
Fazenda da Taquara permanece, ainda hoje, sob o domínio
da família do Comendador.Com quase dois séculos
de existência, a sede, ainda em perfeito estado de conservação,
preserva sua história, com seus móveis, documentos
e retratos originais.A fazenda da Taquara é de propriedade
de João Carlos Tadeu Botelho Pereira Streva, descendente
direto, já na quinta geração do Comendador.
Outra característica desta propriedade é ser
hoje um centro de produção de café como
no século passado, além de desenvolver atividades
de granja de frangos e suinocultura. O casal João e
Ana Maria participa ativamente das iniciativas de Turismo
Cultural promovidas pelo Instituto PRESERVALE. A visita guiada
à Fazenda compreende um excelente tour pela sede e
antiga senzala, bem como degustação de quitutes
feitos na propriedade. Atualmente a Fazenda oferece, também,
almoço típico para grupos agendados com antecedência.
Fonte:
Fazenda da Taquara
Texto: Adriano Novaes
Informações:
Ana Maria ou João Carlos Streva
Tel: (24) 2443-1221 ou (24) 2443-1273
e-mail: m.taquara@ig.com.br

|
|
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
Fazenda
Aliança
A família Faro foi pioneira no desbravamento de terras que se situam à margem esquerda do Rio Paraíba do Sul, atual município de Barra do Piraí, outrora município de Valença. Foram senhores de várias sesmarias, oito na margem esquerda e duas na margem direita. O patriarca do poderoso clã foi Joaquim José Pereira de Faro, natural de Braga, Portugal, migrado para ao Brasil em 1793. No Rio de Janeiro, dedicou-se ao comércio e ao tráfico transatlântico de africanos escravizados. Galgou a projeção social alcançando o posto de professor na Ordem de Cristo em 13.05.1808 e, novamente, com o mesmo hábito efetivo em 03.05.1819. Foi Cavaleiro Imperial da Ordem do Cruzeiro em 12.10.1828, fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial, Coronel de infantaria reformado e membro da junta administrativa da Caixa de Amortização. Fez parte da Corte de D. João VI e D. Pedro I. Fundador e conselheiro do Montepio Geral, em 1841. Foi agraciado com o título de Barão do Rio Bonito em 06.10.1841.
Joaquim fundou duas fazendas: São Joaquim das Ipiabas e Sant’Anna do Parahyba, ambas no início do século XIX. Casou-se em 1793 no Rio de Janeiro com Anna Rita Darrigue Faro com quem teve nove filhos. Desses, quatro estabeleceram-se com fazendas na região. Entre eles, João Pereira Darrigue de Faro, que seguindo os passos do pai galgou grande projeção social na Corte chegando a ocupar a Presidência da Província do Rio de Janeiro. Entre outros cargos de grande destaque, foi o segundo Barão do Rio Bonito. João fundou a fazenda Monte Alegre, além de receber de herança a Fazenda Sant`Anna. Outro filho importante do casal Joaquim e Anna Rita foi Luiz Pereira Ferreira de Faro, formado em medicina e casado com sua sobrinha Maria Magdalena de Matos.
Luis foi senhor da sesmaria sobre-quadra da fazenda Sant’Anna, onde fundou a fazenda Boa Esperança na primeira metade do século XIX.
Em 1861, Luis resolveu vender sua fazenda Boa Esperança para o sobrinho José Pereira de Faro, que mudou o nome desta fazenda para Alliança.
Pelo que consta, José adquiriu a Alliança já com a sua unidade de produção de café construída, composta de casa de vivenda, terreiros de pedra, engenhos de beneficiamento de café, tulhas, senzalas, paióis e etc... A partir desta data, José inicia obras de modernização do complexo cafeeiro da fazenda, ampliando cafezais (mais de 700 mil pés), terreiros e melhorias nas edificações e maquinarias. Um imponente pórtico em estilo colonial português é construído na fachada lateral, em cujo frontão triangular é colocada à data do fim da obra -“1863”.
José Pereira de Faro era também senhor da importante fazenda Sant’Anna onde vivia, herdada do sogro e tio, o 2º Barão do Rio Bonito.
José Pereira de Faro, nascido a seis de março de 1832, casou-se no Rio de Janeiro em 1855 com sua prima Francisca Romana Darrigue de Faro com quem teve cinco filhos.
Homem culto de idéias liberais estudou na Europa e com apenas 20 anos foi administrar a fazenda Floresta deixada pelo pai. Desde então se ocupou da vida rural voltou-se para interesses do desenvolvimento da localidade de São Bendito de Barra do Piraí. Fez construir nesta localidade a belíssima igreja matriz de Sant’Anna (1881), mas não descuidou de suas propriedades, buscando sempre produzir o melhor café para exportação, o que se confirmou na Exposição Nacional realizada em 1861, quando recebeu a medalha de ouro e de menção honrosa.
Na exposição internacional de Londres realizada em 1862, foi agraciado com a medalha de primeira classe, além de receber diversas menções honrosas. Por esse feito foi agraciado com Ordem da Rosa pelo Imperador D. Pedro II. Em outras exposições, como a de Hamburgo, Altona e Córdoba, também obteve os primeiros lugares na confrontação de seus produtos com os de outros países, como publicado no artigo “A Vida Fluminense”, da “Folha Illustrada”, 1871. Em 1873, auge da sua projeção social foi agraciado com o título de 3º Barão do Rio Bonito.
Em 1882, quando D. Pedro II visitou a fazenda de Sant’Anna, anotou em seu diário que se encontra no Museu Imperial:
“... o sistema de Faro é preparar tudo de que precisam as fazendas, até o sabão. O Pão de trigo é bom; mas o de cará mais saboroso. Despolpa e leva o café cuidando de fazê-lo para os terreiros por meio de um plano inclinado sobre que corre um carro. Tem ensaiado diversos sistemas de aprontar o chão dos terreiros; mas ainda não preferiu nenhum”.
Como progressista que era, defendia a imigração dos estrangeiros e a instalação de um engenho central para fabricação de açúcar e álcool em Barra do Piraí, que ainda hoje, guarda como lembrança sua imensa chaminé.
Em 1885, hipotecou todos os seus bens ao Banco do Brasil, enumerando seus mais de 800 escravos. Três anos mais tarde, a abolição da escravatura o deixou em sérias dificuldades econômicas e, pouco depois, seus bens foram sendo executados pelos credores.
Entre suas propriedades agrícolas podemos citar as fazendas Sant “Anna, Alliança e Monte Alegre todas ainda com suas sedes preservadas”.
O Barão do Rio Bonito faleceu em 1899, com 67 anos, na cidade de Nova Friburgo, na residência do genro Antonio Clemente Pinto, 2º Barão de São Clemente, casado com sua filha Georgina.
A fazenda Alliança foi arrematada pelo Comendador José Joaquim de França Júnior em 1893, que a vendeu para a firma Ferreira, Borges & Cia em 1897. Em 1912, o casal Otto Frederico e Dra Fernanda Delboug Raulino adquiriu a propriedade, que permaneceu durante mais de setenta anos em posse dessa família. Os herdeiros de Fernanda venderam a Alliança a Sra Carmem Simões Alves de Lima, permanecendo em sua família até 1995, quando foi então adquirida pelos Rabello.
A fazenda Alliança não foi exatamente a sede principal da família Faro, mas foi, sem dúvida nenhuma, a segunda mais importante.
Ainda hoje, os mesmos terreiros de secar café, construídos com lajes de pedra na fazenda Alliança, impressionam pela vastidão. O estilo colonial português da fachada da fazenda é peculiar e revela um gosto simples, porém, original, o que a distingue de todas as sedes erguidas no Vale do café. Suas várias edificações anexas, como o enorme engenho de beneficiamento, tulhas e as ruínas da antiga enfermaria, nos dão a noção da vida movimentada de seus proprietários e de seus mais de 800 escravos e empregados.
Texto
e Fonte: Adriano Novaes
Informações:
OBS: A Fazenda está em restauro, e podem ser agendadas visitas técnicas sob consulta.
Endereço: Estrada de Barra do Pirai a Valença
Contato: Alberto Machado
Tel: (24) 2442-0669
email: amachado@ism.com.br

|
|
| |
|
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
Fazenda
Vista Alegre
Francisco
Martins Pimentel, açoreano da Ilha de São Miguel,
já antes de 1829 estava estabelecido em Valença,
nas terras que viriam a integrar a Fazenda Vista Alegre. No
final dos anos 40, adquiriu a Fazenda Santa Terezinha (cuja
sede original desapareceu) e lá faleceu em 1852. Esta
é, provavelmente, a data em que um de seus dez filhos,
Joaquim Gomes Pimentel, passou a ocupar a sede da Vista Alegre,
imprimindo sua marca na história da Fazenda, e de toda
a região, atravé de notáveis atuações
pioneiras no campo das artes, da cultura e do desenvolvimento
sócio-econômico.
Alçando em 24
de outubro a posição de Alferes, Joaquim Pimentel
recebe, em 28 de Fevereiro de 1864, de D. Luís “El
Rey” de Portugal, o título de Visconde de Pimentel.
No ano seguinte, registra o primeiro mapa de sua propriedade,
bem como de seus vizinhos e parentes, abrangendo uma área
que ocuparia de São Francisco a Esteves, aprofundando-se
pela Serra da Concórdia (antiga Serra de São
Manuel) até o lugar aonde existe hoje a Fazenda da
Conquista.
Em 16 de junho de 1869,
torna-se Capitão da Guarda Nacional, já então
consagrado pelo dinamismo e pela inovação de
métodos e tecnologias de produção rural
e na vida social da Fazenda Vista Alegre. Célebre em
sua época pelo convívio com as artes, o Visconde
de Pimentel frequentemente promovia saraus na Fazenda, para
onde trazia apresentações memoráveis
de artistas e músicos famosos, como por exemplo o pianista
Gotshalk, em 21 de Agosto de 1869.
O Visconde criou também
sua própria banda de música, constituída
por 27 escravos libertos. A Banda de Música da Fazenda
Vista Alegre costumava apresentar-se em todas as ocasiões
festivas da região. Aprendia-se na Fazenda, além
de música, as artes teatrais e a religião. A
Escola de Ingênuos, como ficou conhecida, foi a primeira
no país a alfabetizar filhos de escravos e crianças
pobres das redondezas.. A Casa da Música, local onde
funcionava a escola, existe ainda, próximo à
sede.
As inovações
implantadas na Fazenda Vista Alegre motivaram uma histórica
visita do Conde D’Eu a Valença, de 16 a 18 de Setembro
de 1876, na qual o Conde teve a oportunidade de participar
de animados saraus, visitas às instalações
das propriedades de Pimentel, cavalgadas e passeios no lago
que existia aonde é hoje o Parque de Exposições
de Valença, em cuja nascente mineral refrescou-se.
Embora tenha atingido
fama e grande prestígio em vida, o Visconde de Pimentel
faleceu sem ter deixado herdeiros e já com seus bens
inteiramente hipotecados à sua irmã, Maria Francisca,
viúva do Comendador Manoel Esteves, dono de casa comissária
de café. Esta, por sua vez, após retirar todos
os bens – móveis, documentos, quadros e objetos -,
veio a entregar a Vista Alegre em pagamento de suas próprias
dívidas ao Banco do Brasil, por ocasião da derrocada
da economia cafeeira na Velha Província, a partir da
Abolição. A Fazenda Vista Alegre é adquirida
em leilão pela família do Barão de Oliveira
Castro em 1901, juntamente com as vizinhas Chacrinha e Campo
Alegre.
Em 1912 chegam à
Vista Alegre, trazidos pela mão da família Oliveira
Castro, os primeiros imigrantes dinamarqueses do Vale, que
vieram a fundar, na Fazenda, a primeira indústria de
queijos de tecnologia européia do Estado, os famosos
Laticínios Dana. A família Nielssen residiu
na Vista Alegre por cerca de trinta anos, tendo desenvolvido
e aprimorado queijos de qualidades variadas, até transferirem-se
para o sul de Minas, aonde vieram a multiplicar indústrias
e marcas de laticínios diversos.
A Fazenda Vista Alegre
pertence, desde 1980, a Delio e Clair de Mattos Santos, que
a adquiriram de Eduardo Soares Sampaio, herdeiro indireto
do Barão de Oliveira Castro. O Dr. Delio Mattos é
advogado e empresário, Cônsul Honorário
da República de Malta, Fundador e Conselheiro do Instituto
Preservale. Sua esposa, Claïr de Mattos Santos é
escritora e editora, tendo escrito, dentre outras obras de
ficção, romance e teatro, o livro “Grãos
Vermelhos do Vale”, que narra a saga do café ambientada
na Fazenda Vista Alegre.
Após haver desenvolvido
também a produção de laticínios,
hoje desativada, a Fazenda Vista Alegre dedica-se hoje à
criação de gado Canchim, e às atividades
de Turismo Cultural. Participando do programa de Visitação
Orientada do Instituto PRESERVALE, destinado a promover o
conhecimento e a pesquisa dos Patrimônios Históricos
e Culturais do Vale do Paraíba, a Vista Alegre mantém
a tradição de um importante legado histórico,
oferecendo a todos os que a visitam um pedaço da memória
nacional.
Texto
e Pesquisa: Sonia Maria Mattos Lucas
Informações:
Sonia Mattos Lucas
Tel: (21) 8118-0007 ou (24) 9831-9627 ou (24) 2453-5116
e-mail: soniamlucas@preservale.com.br
|
|
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
Fazenda
Santo Antônio do Paiol
A
Fazenda Santo Antônio foi aberta em terras da sesmaria
concedida em 1814, por provisão a João Soares
Pinho, que já se havia estabelecido nesta fazenda desde
1807, quando estas ainda eram consideradas “terras devolutas”.
Alguns anos depois, foram adquiridas por Francisco Martins
Pimentel, que já estaria estabelecido na vizinha sesmaria
de Santa Teresa.
Em
1850, casava-se, no oratório de Santa Teresa, com Francisca,
a filha de Pimentel, Manoel Antônio Esteves, recebendo
como dote a fazenda Santo Antônio do Paiol. Seria a
segunda e a mais próspera fase daquele estabelecimento
cafeeiro. Logo após o casamento, morre o sogro e Esteves,
com a fortuna aumentada, manda construir nova sede, em frente
à pioneira Santa Teresa. Terminada em 1852, a casa
foi dotada com todos os requisitos exigidos de uma fazenda
de café do ciclo.
Desenvolvendo
profícua atividade, Esteves ampliou os cafezais, adquirindo
ou abrindo novas fazendas, tais como São Manuel, Ribeirão,
Santa Catarina, São Francisco, Nazaré e Boa
Vista. Nelas chegou a ter mais de seiscentos escravos. Eliminando
intermediários, ele mesmo negociava a produção,
operando no Rio de Janeiro e em Santos com a firma exportadora
Esteves & Filhos. Se já era grande fazendeiro,
tornar-se-ia grande comissário de café. Como
uma das mais proeminentes figuras do vale, Esteves se empenhou
nas gestões que viabilizaram a construção
da Estrada de Ferro União Valenciana, com evidentes
benefícios para a economia local. Da estrada de ferro
seria o primeiro presidente, e por seu trabalho receberia
do governo imperial a comenda da Ordem da Rosa.
Manoel
Antônio Esteves morreu em sua casa do Rio de Janeiro
em 1879, no auge de seu prestígio e da fortuna que
legou aos filhos. Sucede-lhe na administração
dos negócios o filho Francisco Martins Esteves, pessoa
de cultura e saber, de hábitos refinados, amante da
música clássica e da ópera. Residiu em
Paris por algum tempo, ao se casar com Ana Carolina, filha
do conselheiro e ministro do Império, Zacarias de Góes
e Vasconcelos. Retornando ao Brasil, trabalhou na comissaria
e na fazenda Santo Antônio, sem demonstrar gosto ou
inclinação para o mundo dos negócios.
Administrando a fazenda como lhe era possível e já
enfrentando os contratempos que sucederam a derrocada do ciclo,
Francisco adquire partes dos demais herdeiros e fixa-se definitivamente
em Paiol, que passou a gerir juntamente com o filho, Marcos
Zacarias Manoel Esteves, depois seu sucessor na fazenda em
franca decadência.
Em
meio às maiores dificuldades, os Esteves se desfazem
de parte das terras, com a finalidade de assegurar a manutenção
das benfeitorias. Marcos morreria precocemente em 1941, e
sua viúva desde então desenvolveu esforço
que deve ser enaltecido. Com a fazenda praticamente desativada,
sem renda e com o patrimônio em terras sensivelmente
reduzido, Francisca Olympia Alves de Queiroz Esteves lutou
determinadamente para preservar como pôde todo o acervo
móvel e imóvel de Santo Antônio. Assumindo
uma ligação afetiva com a memória da
fazenda, do marido e da saga dos Esteves, empenhou-se com
denodo para manter vivo tudo que dissesse respeito a Marcos
e aos Esteves.
Assim
chega até o ano de 1969, quando, idosa, não
mais podendo prosseguir em seu propósito, e nem mesmo
se manter na fazenda, toma a deliberação de
doá-la a uma entidade religiosa, a Congregação
da Pequena Obra da Divina Providência (Don Orione),
como último recurso para manter a propriedade e os
pertences dos Esteves.-No ano de 1990, a Fazenda Santo Antonio
do Paiol foi arrendada por Rogério Vianna, empresário
carioca que, juntamente com sua esposa Maria Alice, empreendeu
uma grande reforma na sede, já então desgastada
pelo tempo. Nesta empreitada, foram recuperados a sede, o
mobiliário e, especialmente, foi organizado o acervo
documental da Fazenda, magnífico legado preservado
pela família Esteves que, não obstante, havia
permanecido inacessível aos olhos de pesquisadores
e interessados. Sócio Fundador do Instituto PRESERVALE,
Rogério restituiu à Fazenda Santo Antonio do
Paiol a sua dignidade e importância histórica,
bem como resgatou, em meio aos documentos encontrados em Esteves,
informações de enorme valor histórico,
que estão sendo hoje pesquisados e catalogados a partir
de projeto do Instituto PRESERVALE. A Fazenda voltou às
mãos da Ordem Dom Orione no ano de 2000, e está
retomando, com o PRESERVALE, as atividades de Turismo Cultural
iniciadas por Rogério e Maria Alice Vianna.
Fonte:
Fazenda Santo Antônio do Paiol
Revisão: Sonia Mattos Lucas
Informações:
Frei Geraldo Magela
Tel: (24) 2458-4720
e-mail: fazenda.santo_antonio_paiol@yahoo.com.br

|
|
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
Fazenda
Pau D'Alho
A
fazenda do Pau D’Alho teve origem nas terras da sesmaria concedida
a Joaquim Marques da Silva e sua mulher D. Faustina Angélica
de Moura, denominada Cachoeira de Santa Rosa.
Sua
excelente localização geográfica, nas
proximidades da Aldeia de Valença, facilitou sua abertura
ainda em princípios do século XIX, sendo assim
uma das pioneiras na zona da recém fundada Aldeia.
Marques
da Silva, que havia se estabelecido na Fazenda de Santa Rosa,
teve muitos filhos que, após constituírem família,
estabeleceram-se na sesmaria, dando origem a outras pequenas
propriedades como Pau D’Alho.Após o falecimento de
Joaquim Marques da Silva, a viúva e os filhos dividem
as terras, vendendo parte delas.
Em
1835, a viuva D. Faustina, vende parte das terras da Fazenda
Pau D’Alho ao comendador José da Silveira Vargas .
Silveira Vargas foi Comendador da Ordem da Rosa e seria em
1826 o primeiro presidente da Câmara Municipal de Valença
e um dos maiores animadores de seu progresso. Vargas inaugurou
em Valença um período de importantes realizações,
sendo responsável pelo primeiro passo em prol da instauração
do ensino primário na vila, da fundação
da Santa Casa de Misericórdia e da construção
da matriz de N. Senhora da Glória. Foi também
pioneiro na vacinação antivariólica e
na preservação do meio ambiente valenciano,
combatendo ecologicamente as pragas que atacavam a lavoura
de café.
Embora
tenha feito de sua Pau D’Alho um importante empreendimento
agrícola, em cuja propriedade trabalhavam cerca de
170 escravos, Vargas não se dedicou com afinco às
atividades da lavoura cafeeira. Era político e capitalista,
sendo na época um dos maiores acionistas do Banco do
Brasil. Ao morrer em 1861, deixou um capital acumulado em
1, 016 : 494 # 974 contos de Réis.
Após
a morte de Vargas a fazenda ficou em poder da viúva
D. Maria Joaquina da Silveira e os seis filhos do extinto
casal: D. Bárbara, D. Carolina, D. Placidina, Custódio,
Antônio e Alexandre, cuja administração
da fazenda a este último caberia.
Em
1866, falece D. Maria Joaquina, e Pau D’Alho fica em poder
dos filhos Carolina, Placidina, Custódio e Alexandre.
Na época contando com uma área de 562 e meia
braça, por 1 500 de fundos em terras, Pau D’Alho era
um verdadeiro celeiro para Valença. Produzia além
de café, muito milho, arroz, mandioca, feijão,
carne de porco, além de madeira para construção,
lã de carneiro e algodão.
Em
fins do século XIX, o café encontrava-se em
profunda decadência em todo Vale do Paraíba.
Muitas fazendas estavam hipotecadas aos bancos nesta época
e, com a Abolição da Escravatura em 1888, a
situação ainda mais se agravara. O mesmo ocorria
em Pau D’Alho.
Luís
Damasceno Ferreira, filho de D. Placidina e do comendador
João Damasceno Ferreira, nesta época estudava
medicina no Rio de Janeiro. Abandonou o curso e veio para
Valença administrar a fazenda dos pais e tios, que
encontrava-se com sua economia abalada. Damasceno, ilustre
autor da “História de Valença”, dirigiu a fazenda
até 1897 quando foi vendida ao comerciante italiano
Vito Pentagna, que já era proprietário nesta
ocasião da vizinha Fazenda Santa Rosa.
Nicolau,
Caetano e Vito Pentagna eram filhos de Saverio Pentagna e
Giuseppina Sorrentino, oriundos da vila de Scário,
província de Salerno - Itália. Como tantos outros
italianos, fugia do crescente empobrecimento do sul do país,
buscando as glórias prometidas pelo café do
outro lado do Atlântico. Nicolao foi o primeiro a chegar
no Brasil em 1863.
Em
1878, Nicolao transfere-se para Valença, onde tornou-se
sócio do português Manuel Pereira Sampaio na
casa comercial “Pentagna & Sampaio “, constituindo uma
das maiores da região. Logo depois chegaram em Valença
os outros irmãos Vito e Caetano. Vito trabalhou como
tropeiro entre o sul de Minas e Valença. Não
tardou e entrou para sócio da firma “ Pentagna &
Sampaio” e seu nome não demorou a ser sinônimo
de líder comercial. Em seguida, torna-se proprietário
da Fazenda de Santa Rosa.
Dotado
de tino industrial, aproveitou o represamento do Rio das Flores
em sua Fazenda Pau D’Alho, iniciando em 10 de março
de 1912 a construção de uma usina hidrelétrica
para proporcionar a concretização de seu velho
sonho de instalar mais uma indústria em Valença.
Logo após, em 07 de setembro de 1913, era fundada a
Cia. Fiação Tecidos Santa Rosa.
Faltando
pouco para ver definitivamente concluído seu maior
empreendimento, falecia Vito Pentagna vítima de um
infarto.
Após
a morte de Vito em 1914, a fazenda passou às mãos
da viuva Urbana de Castro Pentagna. Esta legou por sua morte,
em 1940, ao filho Dr. Savério Pentagna, advogado ,
industrial e político.
Dr.
Savério esteve sempre dinâmico à frente
da direção da fábrica Santa Rosa, enfrentando
momentos difíceis, que só puderam ser contornados
por sua grande habilidade. Com a saúde abalada, em
1953 coordenou a venda do controle acionário da Companhia
para seu cunhado Dr. Júlio Mourão Guimarães.
Pouco tempo depois veio a falecer.
O
atual proprietário é o Humberto Vito Ribecco
Pentagna, único filho varão do Dr. Savério,
que desde cedo dedicou grande interesse pela fazenda, colocando-se
logo que a idade o permitiu, à frente de sua administração.
Para assistí-la de forma mais completa, buscou formação
profissional adequada, tornando-se engenheiro agrônomo.
Em plena atividade, Humberto já tem sua continuidade
assegurada emseu filho Savério Vito Pentagna, 4º
geração da família na fazenda, um fato
raro nos dias atuais.
A
principal atividade econômica da Fazenda Pau D’Alho
sempre foi o café, que aos milhares de pés,
cobria seu vasto solo, abarrotando de grãos as grandes
tulhas. A libertação dos escravos e a conseqüente
decadência da lavoura cafeeira em todo o estado transformaram,
como na maioria das fazendas da região, seus cafezais
em pasto para o gado. Nos anos 60 voltou-se ao plantio original
do café.
Em
suas terras, além dos pastos para o gado bovino, há
plantações de milho e feijão e uma grande
variedade de árvores frutíferas. Encontramos
também belas quedas d’água, sendo digna de nota
por seu valor histórico e magnificência, a Usina
Hidrelétrica Vito Pentagna, cuja barragem, que represa
o Rio das Flores, foi inaugurada em 1943, em substituição
a uma antiga existente. Responsável pelo fornecimento
de energia da Companhia Fiação e Tecidos Santa
Rosa, esta usina atendeu também a particulares em Valença.
Com uma localização privilegiada, em meio a
um cenário de grande beleza natural, inspirou uma justa
homenagem da internacionalmente famosa Rosinha de Valença,
que compôs “Usina de Prata”, interpretada pelo cantor
Ney Matogrosso. Sócios Fundadores do Instituto PRESERVALE,
Humberto e sua esposa, Aparecida Pentagna, recebem grupos
de Turismo Cultural em visita orientada pela propriedade,
recentemente restaurada pela família.
Texto
e Pesquisa: Adriano Novaes
Revisão: Sonia Mattos Lucas
Fontes: Anotações de Fernando Antônio
Ielpo Jannuzzi Filho
Arquivo do Museu da Justiça, Rio de Janeiro
Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro
Cartório do Segundo Ofício, Valença
Informações:
Aparecida Pentagna
Tel: (24) 2453-3033
e-mail: carlapentagna@yahoo.com

|
|
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
Fazenda
Florença
Com
a chegada do café no Vale do Paraíba em princípios
do século XX, famílias inteiras migraram para
a região, a fim de se dedicarem aos negócios
da lavoura. Entre tantas, destaca-se a irmandade dos Teixeira
Leite, uma das mais proeminentes. Precursores de uma série
de idéias inovadora como, por exemplo, a Estrada de
Ferro D. Pedro II e o primeiro Banco Agrícola no interior
da Província, espalharam-se pela pelas comarcas de
Vassouras, Valença, Barra Mansa e Além Paraíba.
Mineradores na região
de São João Del Rei, o primeiro a chegar foi
Custódio Ferreira Leite Guimarães, futuro Barão
de Ayuruoca.
Ayuruoca tornou-se
quase uma lenda na região, a ele é atribuída
a propagação do café no Vale, assim como
a abertura de estradas e pontes para escoamento do precioso
grão.
Sabendo da distribuição
de terras pelo Coroa Portuguesa na região, trouxe consigo,
inúmeros parentes. Tão cedo, tornaram-se os
irmãos, sobrinhos e primos, fazendeiros de café.
Entre eles, o irmão
Anastácio Leite Ribeiro ( 17?? –1853), que adquire
duas sesmarias que confrontavam com sesmaria dos índios
Araris, no “Conservatório de Santo Antonio do Rio Bonito”.
Anastácio fundou
a fazenda São José do Rio Bonito, cuja sede
muita bem localizada, ainda jaz em vales conservatorienses.
De seu casamento como
Maria Esméria d’ Assunção nasceram os
filhos: Anna Maria Esméria, que foi a primeira mulher
do Futuro Barão de Vassouras, fundaram fazenda Cachoeira
Grande em Vassouras; João Ferreira Leite; Joaquim Leite
Ribeiro, foi Juiz de Paz em Conservatória; Francisco
Leite Ribeiro, depois da morte dos pais ficou com a fazenda
São José e Boa Vista; Marianna Cândida
casou com primo Francisco Leite Pinto, foram fazendeiros em
Mar de Espanha; Custódio Ferreira Leite; Maria Francisca
Leite; Anastácio e finalmente José Leite Ribeiro,
que após a morte dos pais, fundou a fazenda Florença.
Um belo exemplar da arquitetura
neoclássica dos oitocentos o Solar da Florença
é marcado pelo alpendre com frontão neoclássico,
raros nos solares do Vale Cafeeiro.
José Ferreira
Leite viveu ate 1861, ficando a fazenda com seus herdeiros
até o final do século XIX.
Em princípios
do século XX foi adquirida pela família de Lupércio
de Castro, cuja família foi proprietária durante
anos.
Texto
e Pesquisa: Adriano Novaes
Fontes: - FERREIRA, Luis Damasceno, História
de Valença. 2ª edição, Valença,
Editora Valença, 1998.
- RIBEIRO, Armando Vidal, Família Vidal Leite Ribeiro
– Genealogia - Reminiscências. Edição
particular.
- TELLES, AUGUSTO DA SILVA. “ Vassouras - Estudo da Construção
Residencial Urbana”. Revista do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional.
- STEIN, Stanley. J. “Vassouras um Município Brasileiro
do Café, 1850-1900”, Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
1990.
- NUNES, Luiz Gonzaga, Os Leite Pinto. Belo Horizonte, Rona,
1986.
- LIMA, Roberto Guião de Souza, Fazenda São
Lourenço. Colégio Brasileiro de Genealogia 2000.
- IÓRIO, Leoni. Valença de Ontem e de Hoje.
Cia Dias Cardoso, J de Fora. 1952.
Locais Pesquisados:
Museu da Justiça – Tribunal de Justiça do Estado
do Rio de Janeiro – RJ
Inventário de D. Maria Esméria d’Assunção
– 1842 / caixa 115 – proc. Nº 1117
Informações:
Paulo Roberto dos Santos
Tel: (24) 2438-0124
Site: www.hotelfazendaflorenca.com.br

|
|
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
Fazenda
da Bocaina
A história da Fazenda da Bocaina, reflete um dos processos de ocupação do território no Vale do Paraíba do Século XIX. Não aquele dos grandes proprietários que, ao prosperarem, trocavam favores com o Império e adquiriam títulos nobiliárquicos, aumentando suas terras, deixando legados aristocráticos e grandes dívidas com os bancos. Ao contrário, revela a mobilidade das famílias rurais em sua conquista pela sobrevivência, modelando assim a experiência histórica de um grande contingente da população regional, comprometido com a pequena propriedade, a lavoura e a vida nas cidades da província fluminense.
A Fazenda da Bocaina está situada no Município de Valença – RJ, localizando-se à 130km do Rio de Janeiro e a 350 km de São Paulo, fazendo parte do circuito do Ciclo do Café e do pool das fazendas históricas do Instituto Preservale.
A propriedade fez parte da sesmaria concedida pelo Príncipie Regente D. João VI à D. Bárbara Joaquina em 1816 no “Sertão de Valença”.
Sua sede tem, aproximadamente, 160 a 180 anos, tendo sido erguida mesmo antes do apogeu do Ciclo do Café.
As áreas requeridas na época eram muito cobiçadas nesta ocasião pela proximidade com o rio Paraíba do Sul (até então principal meio de penetração no Sertão de Valença) e com a Aldeia de Valença que foi fundada em 1803.
Sua principal produção na época era de cereais e víveres que abasteciam o Rio de Janeiro e a própria Aldeia de Valença.
Este tipo de propriedade é bem antiga, com características típicamente mineiras e que se costumava intitular de “cabeça de sesmaria”, porque as casas eram bem simples e abrigavam os primeiros portugueses que aqui aportavam (os que vinham realmente desbravar e trabalhar).
A partir dessa sesmaria e com a expansão do cultivo do café, ela foi dividida e vendida a outros proprietários que construíram casa maiores e mais suntuosas como a Fazenda da Cachoeira (antiga Fazenda da Floresta) que ficava à noroeste da sesmaria e a Fazenda Boa Vista, que se situava na testada da sesmaria, onde hoje se ergueu o bairro São Francisco. Desta Fazenda não sobrou nenhum vestígio, a não ser um enorme tronco centenário no coração do bairro.
A Fazenda da Bocaina possuiu aproximadamente seis proprietários, incluindo o atual, que a adquiriu em 1981.
BOCAINA, etimologicamente é um vale na montanha, local onde a propriedade foi construída.
A atual proprietária e sua família reconstituíram ao longo dos anos, minuciosamente, as características originais da sede e seus arredores, que estavam muito abandonados, realizando outras construções de igual arquitetura.
Foi residência de veraneio por todo esse tempo e hoje está aberta para visitação histórica de grupos previamente agendados com café colonial ou almoço antecipadamente marcados.
A propriedade é produtiva e seleciona Nelore de Elite.
Pesquisa: Adriano Novaes
Texto: Solange Goes
Fontes: Fazenda da Bocaina
Informações:
Solange Azevedo de Araujo Goes
Tel: (24) 8823-4266 / 9965-1048 ou 2453-3266 / 2453-8100
Site: www.fazendabocainarj.com
e-mail: fazendabocainarj@hotmail.com

|
|
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
| |
Fazenda
Chacrinha
Tudo leva a crer que o cidadão Manoel Pereira de Souza Barros adquiriu, em meados da década de 1840, de Joaquim José dos Santos, duas sesmarias no sertão dos índios Coroados de Valença, nas margens do rio das Flores, requeridas em 1805 e 1813 a Dom Fernando José de Portugal, Capitão General de Mar e Terra e Vice-Rei do Estado do Brasil.
Durante as décadas de 1850 e 1860, Capitão Souza Barros desenvolveu suas fazendas com lavoura de café. Segundo o historiador valenciano José Leoni Iório, a fazenda Chacrinha ficou reservada ao filho de igual nome, Manoel Pereira de Souza Barros, que tendo sido atacado de moléstia grave, em sua adolescência, abandonou o curso que estava fazendo na Faculdade de Direito de São Paulo, e seu pai viu-se obrigado a mandá-lo para Portugal, onde se submeteu a rigoroso tratamento. Iório menciona ainda que, após a chegada do filho, já restabelecido da doença, foi oferecida em Campo Alegre uma grande festa em sua homenagem. Nesta festa o agora Comendador Souza Barros fez pesar o jovem rapaz em uma balança, colocando em um dos pratos barras de ouro. O seu peso em ouro foi o valor do dote que lhe dera o seu progenitor. Daí, a alcunha — menino de ouro — que lhe deram muito apropriadamente.
Logo em seguida, Manoel Pereira de Souza Barros casou-se com a prima D. Rita Arnalda Pereira de Souza Barros, com quem teve onze filhos, sendo que dez atingiram a idade adulta.
A atual sede da fazenda Chacrinha, que substitui uma modesta casa de vivenda construída por Santos, começou a ser edificada no final da década de 1860, o que coincide com o retorno de Manoel para a fazenda do pai.
A partir do final da década de 1860, o Tenente Coronel Manoel Pereira de Souza Barros se dedica aos negócios da fazenda em companhia do pai. Participa ativamente da vida social e política da cidade de Valença, porém não se afasta do ambiente social da Corte. Divide o seu tempo entre Valença e a Capital do Império do Brasil, onde transforma a antiga residência de seus pais em um elegante palacete.
Os investimentos tecnológicos, logísticos e sociais implantados na vida da Campo Alegre por Souza Barros, mesmo depois da morte de seu pai, nos fazem acreditar que ele abandonou o projeto de residir na Chacrinha. A mudança de idéia teria sido a favor do filho mais velho, também chamado Manoel Pereira de Souza Barros, para quando este atingisse a idade adulta e estivesse pronto para gerir os negócios da fazenda.
Souza Barros participa ativamente na viabilização da fundação da Companhia Estrada de Ferro União Valenciana. Além de sócio, seria também presidente da Companhia em 1870.
Em suas terras fez construir a estação que levou seu nome, “Souza Barros”, que tempos depois teve o nome mudado para “Estação de Chacrinha”, dando origem ao bairro do mesmo nome. A partir desta estação, construiu uma linha férrea de sete quilômetros até Campo Alegre, por tração animal.
Em 17 de dezembro de 1881, Manoel Pereira de Souza Barros é agraciado com o título de barão de Vista Alegre, coroando o auge de sua ascensão social. O momento histórico coincide com a quase conclusão do luxuoso Solar da Chacrinha, avaliado na época em 30 contos de réis.
Para marcar a época, manda colocar uma cartela com as inscrições do ano de 1881 na porta lateral do Solar da Chacrinha. Este momento foi registrado pelas lentes do fotógrafo Marc Ferrez, que, em visita às fazendas do barão de Vista Alegre, realizou, além das fotos da Chacrinha, diversas fotos da fazenda Campo Alegre, principalmente de escravos no eito. Estas fotos constituem para a História verdadeiras relíquias de registro do trabalho escravo nas fazendas cafeeiras oitocentistas.
| | | |