Os solares imperiais do Vale do Paraíba são, ainda hoje, o testemunho vivo da grandeza do Ciclo do Café. O Instituto Preservale apresenta algumas das mais belas casas rurais do Brasil do século XIX, contando um pouco da sua história e convidando o internauta do século XXI para uma viagem no tempo. Clique nas fazendas!
 
 
 
Hotel Fazenda do Arvoredo (Antiga Fazenda Santa Maria)
   
Fazenda Ponte Alta
   
Fazenda São João da Prosperidade
   
Fazenda da Taquara
   
Fazenda Aliança
 
 
 
Fazenda Vista Alegre
   
Fazenda Santo Antônio do Paiol
   
Fazenda Pau D'Alho
   
Fazenda Florença
   
Fazenda da Bocaina
   
Fazenda Chacrinha
 
 
 
Fazenda União
   
Fazenda Santo Antônio
   
Fazenda Paraíso
   
Fazenda Campos Eliseos
 
 
 
Fazenda Cachoeira Grande
  
Fazenda do Secretário
 
Fazenda Mulungú Vermelho
 
Fazenda Cachoeira do Mato Dentro
 
Fazenda São Fernando
 
 
 
Fazenda Monte Alegre
 
Fazenda Pau Grande
 
Fazenda Santa Cecília
 
Fazenda São João da Barra
 
 
 
Fazenda da Posse
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Hotel Fazenda do Arvoredo
Antiga Fazenda Santa Maria

       O Hotel Fazenda do Arvoredo localiza-se na antiga Fazenda Santa Maria, em Barra do Piraí, no Vale do Paraíba Fluminense.No século XVIII, esta região começa a ser desbravada e colonizada como o caminho para as Minas Gerais, tornando-se local de apoio da Corte para as Minas e vice-versa. Com o solo fértil, o clima ameno e a mão de obra escrava, a cultura do café obtém enorme sucesso. Transforma esses fazendeiros em empresários rurais, possuidores de grande fortuna e poder junto ao imperador, que os agracia com títulos nobiliárquicos, o que os torna conhecidos como os famosos barões do café. Com o enriquecimento dos Fazendeiros, estas unidades de produção se sofisticam. Constroem-se casas senhoriais, as casas grandes, o abrigo dos escravos, as senzalas, os depósitos do café, as tulhas, dispostos em torno do pátio de secagem do café, formando assim o quadrilátero funcional.

       A Fazenda Santa Maria mantém as características de uma autêntica fazenda do ciclo do café. O andar superior da casa grande, moradia dos barões, divide-se em três áreas distintas: área comercial, área social e área íntima, tendo ao centro o átrium, onde circulava o ar para manter uma boa aclimatação da casa. Na cozinha, encontra-se ainda o antigo fogão à lenha, datado do século XIX, em pleno e total funcionamento, responsável por um dos destaques do hotel que é a culinária regional.

       Em 1808, o Príncipe Regente Dom João doou a José Luiz Gomes, Barão de Mambucaba, extensas terras com o objetivo de nelas plantar café, dando origem à Fazenda Santa Maria. Em 1836, Honório Hermeto Carneiro Leão, assume a fazenda. Seu filho, Nicolau Neto Carneiro Leão, herda a propriedade e recebe o título de Barão de Santa Maria, em homenagem à própria fazenda. Manda construir outra sede, maior e mais luxuosa, concluída em 1858. Em 1903, a fazenda é adquirida pelo Conde João Leopoldo Modesto Leal, juntamente com outras 30, dentre as quais a Fazenda Ponte Alta.

       Em 1982, a antiga Santa Maria é recebida como herança pelos irmãos Ana e Augusto Pascoli, que a transformam em Hotel Fazenda em 1992, iniciando assim, um novo ciclo: o do turismo. Ana Heloísa, prematuramente falecida em Maio de 2001, foi, junto com seu irmão, Augusto Eduardo, Sócia Fundadora do Instituto PRESERVALE, promovendo e apoiando o Turismo Cultural e Ecológico, não apenas como empresários do setor, mas com a sua atuação e dedicação pessoal à memória do Vale e de sua história.
No Hotel Fazenda do Arvoredo, o visitante poderá desfrutar de um tour pela sede, aprendendo sobre mobiliário, arte e arquitetura do século XIX com o próprio Barão de Santa Maria e sua esposa, interpretados por funcionários do Hotel trajados a caráter. Após o tour, o turista é convidado para um Chá Imperial, no qual degustará todas as iguarias típicas da culinária do século XIX.

Fonte: Fazenda Santa Maria
Texto: Adriano Novaes e Sonia Mattos Lucas

Informações:
Tel: (24) 2447-2001
Site: www.hotelarvoredo.com.br

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Fazenda Ponte Alta

       A Fazenda Ponte Alta teve como primeiro proprietário José Luiz Gomes, o Barão de Mambucaba, então grande sesmeiro em Angra dos Reis. Em 1808, o Barão requereu sesmarias nesta região. Construiu a Fazenda Ponte Alta por volta de 1830, quando começaram a surgir as primeiras fortunas geradas pelo café no Vale do Paraíba. Com a morte do Barão de Mambucaba, em 1855, sua filha, Rosa Luiza Gomes herdou a Ponte Alta. Esta por sua vez casou com Antônio Gonçalves de Moraes, o "Capitão Mata Gente", filho do Barão de Piraí, grande proprietário de terras no outro lado do Rio Piraí.

       Em 1936, a Ponte Alta foi herdada por Dona Isabel Modesto Leal, neta primogênita do Conde Modesto Leal, abastado negociante português, que a adquiriu em 1903 juntamente com outras 30 propriedades, em uma carteira hipotecária do Banco de Crédito Real do Brasil. Dona Isa (como ficou conhecida) era amiga pessoal do então Presidente Getúlio Vargas, que costumava visitar a Fazenda, tendo passado seus últimos cinco aniversários na Ponte Alta. D. Isa construiu a atual sede de pedra no lugar da antiga vivenda da Fazenda. O que se vê hoje, desta antiga "Empresa Agrícola do Café", é à parte do conjunto de serviço das antigas instalações do café, incluindo o engenho de café, o engenho de serra, a senzala, as tulhas e as oficinas, que formavam um quadrado fechado. Por tudo isso, é, na região, o mais representativo conjunto de serviço da época do café.

       Em 1960, a Fazenda Ponte Alta foi comprada por Nellie Pascoli, empresária do setor de mineração, co-fundadora do Grupo CAEMI. Dona Nellie era apreciadora da arte brasileira e, em especial, da fase histórica do Brasil Colônia e Império. Assim, em 1972 ela recupera o antigo moinho de café da fazenda, num projeto arquitetônico de Jorge de Souza Hüe, utilizando mobiliário e peças dos séculos XVIII e XIX. Em 1982, a senhora Nellie Pascoli morre e deixa a Fazenda Ponte Alta como herança para seus sobrinhos, Evelyn e Ricardo Pascoli. Evelyn Pascoli, falecida em Janeiro de 2003, foi a grande pioneira do Turismo Cultural no Vale do Paraíba, tendo criado o Sarau Histórico, aonde a história da Fazenda, como parte do contexto geral da história do Vale e do Brasil, é narrada teatralmente, permitindo ao turista um mergulho no passado e uma redescoberta do presente. Diretora Executiva do Instituto PRESERVALE por quatro anos, Secretária de Turismo de Barra do Piraí, empresária de sucesso e personalidade carismática, cativante e alegre, Evelyn Pascoli impulsionou tremendamente o Turismo na região. Hoje a Fazenda Ponte Alta tem como atividades à pecuária, a criação de cavalos da raça Mangalarga Marchador e o Turismo Cultural e Pedagógico, desenvolvidos na Pousada Fazenda Ponte Alta.

Fontes: Adriano Novaes e Roberto Guião de Souzalima

Informações:
Tel: (24) 2443-5005 ou 2443-5159
Site: http://www.pontealta.com.br

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Fazenda São João da Prosperidade


       A história da Fazenda São João da Prosperidade inicia-se no século XIX a partir de 1820 - 1830, quando o café começa a ser cultivado na região. Através de doação de sesmarias, Antônio Gonçalves de Moraes, o chamado "Capitão Mata Gente", casado com Rosa Luiza Gomes de Moraes, investe na plantação de café. Era também dono da Fazenda Braço Grande (atual Ibitira), que doou a seu filho José Gonçalves de Moraes em 1843, conforme escritura passada no Cartório de Ipiabas.

       Em 1843, ainda segundo escrituras, Antônio Gonçalves de Moraes comprou um sítio denominado Barra do Piraí e, em 1853, construiu uma ponte sobre o rio Piraí, dando início ao povoado de São Benedito, origem da cidade de Barra do Piraí. Em 1883, com a inauguração da Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto, que saía de Barra do Piraí e ia até mesma, mais tarde denominada Viação Férrea de Sapucay e posteriormente Rede Mineira de Viação, passou a existir a estação "Prosperidade", que servia para o Rio de Janeiro pela Estrada de Ferro Dom Pedro II. A fazenda fazia limite com a Fazenda Floresta, em Ipiabas, de propriedade da Baronesa do Rio Bonito e com a Fazenda Braço Grande. Austero, longo e simples, são os qualificativos mais apropriados para este casarão de um só pavimento, com 950 m2 de área construída, que possui 10 quartos e 5 salões, além de outras dependências, cujas grossas paredes externas são de pedra e as internas de pau-a-pique. Entretanto, a singela arquitetura contrasta, por um lado, com a importância histórica da Fazenda e, por outro, com a autenticidade e conservação do prédio, fruto de louvável e perseverante trabalho dos atuais proprietários. Luiz Geraldo Muniz e Magide. Na frente da casa existe uma construção de pedras que provavelmente, se destinou a abrigo das tropas de mulas, que levavam o café para o Rio de Janeiro.

       Com uma área de 40 alqueires e tendo como principais atividades à suinocultura, a pecuária de leite e de corte e a fabricação de cachaça. A Fazenda oferece visitas orientadas a grupos de turismo, recebendo grande afluxo de visitantes devido à sua localização, na Estrada Barra do Piraí - Conservatória, assim como ao excelente tour que Magide conduz, contendo informações detalhadas sobre a arquitetura e o modo de vida do século XIX no Vale. Magide e Luís Geraldo pertencem ao Instituto PRESERVALE, participando ativamente de nosso Programa de Turismo Cultural.

Fontes: Fazenda São João da Prosperidade
Texto: Adriano Novaes e Roberto Guião de Souzalima
Revisão: Sonia Mattos Lucas

Informações:
Magide Breves Muniz
Tel: (24) 2442-3194

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Fazenda da Taquara

       Quando chegaram de Portugal, o Comendador João Pereira da Silva, em companhia de Joaquim José Pereira de Faro - futuro barão do Rio Bonito - estabeleceram-se nesta região da antiga Província do Rio de Janeiro (atual Barra do Piraí), nos primeiros decênios do século XIX. Nesta mesma época, o café começou a ser plantado no Vale do Paraíba e o Comendador dedicou-se a cultivar o fruto precioso.Faziam parte das propriedades do Comendador: a fazenda Campo Bom, a fazenda Ipiabas e a fazenda da Nova Prosperidade ( Taquara), como aparece no inventário do Comendador, falecido em 1872. O nome Taquara foi dado pelos escravos, devido à abundância de um bambu fino, encontrado na propriedade, que era assim denominado.A sede foi construída, provavelmente na década de 30, em forma de quadrilátero com o jardim interno, sob a influência da arquitetura colonial das Minas Gerais do século XVIII.

       A Fazenda da Taquara permanece, ainda hoje, sob o domínio da família do Comendador.Com quase dois séculos de existência, a sede, ainda em perfeito estado de conservação, preserva sua história, com seus móveis, documentos e retratos originais.A fazenda da Taquara é de propriedade de João Carlos Tadeu Botelho Pereira Streva, descendente direto, já na quinta geração do Comendador. Outra característica desta propriedade é ser hoje um centro de produção de café como no século passado, além de desenvolver atividades de granja de frangos e suinocultura. O casal João e Ana Maria participa ativamente das iniciativas de Turismo Cultural promovidas pelo Instituto PRESERVALE. A visita guiada à Fazenda compreende um excelente tour pela sede e antiga senzala, bem como degustação de quitutes feitos na propriedade. Atualmente a Fazenda oferece, também, almoço típico para grupos agendados com antecedência.

Fonte: Fazenda da Taquara
Texto: Adriano Novaes

Informações:
Ana Maria ou João Carlos Streva
Tel:
(24) 2443-1221 ou (24) 2443-1273
e-mail: m.taquara@ig.com.br

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Fazenda Aliança

       A família Faro foi pioneira no desbravamento de terras que se situam à margem esquerda do Rio Paraíba do Sul, atual município de Barra do Piraí, outrora município de Valença. Foram senhores de várias sesmarias, oito na margem esquerda e duas na margem direita. O patriarca do poderoso clã foi Joaquim José Pereira de Faro, natural de Braga, Portugal, migrado para ao Brasil em 1793. No Rio de Janeiro, dedicou-se ao comércio e ao tráfico transatlântico de africanos escravizados. Galgou a projeção social alcançando o posto de professor na Ordem de Cristo em 13.05.1808 e, novamente, com o mesmo hábito efetivo em 03.05.1819. Foi Cavaleiro Imperial da Ordem do Cruzeiro em 12.10.1828, fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial, Coronel de infantaria reformado e membro da junta administrativa da Caixa de Amortização. Fez parte da Corte de D. João VI e D. Pedro I. Fundador e conselheiro do Montepio Geral, em 1841. Foi agraciado com o título de Barão do Rio Bonito em 06.10.1841.

       Joaquim fundou duas fazendas: São Joaquim das Ipiabas e Sant’Anna do Parahyba, ambas no início do século XIX. Casou-se em 1793 no Rio de Janeiro com Anna Rita Darrigue Faro com quem teve nove filhos. Desses, quatro estabeleceram-se com fazendas na região. Entre eles, João Pereira Darrigue de Faro, que seguindo os passos do pai galgou grande projeção social na Corte chegando a ocupar a Presidência da Província do Rio de Janeiro. Entre outros cargos de grande destaque, foi o segundo Barão do Rio Bonito. João fundou a fazenda Monte Alegre, além de receber de herança a Fazenda Sant`Anna. Outro filho importante do casal Joaquim e Anna Rita foi Luiz Pereira Ferreira de Faro, formado em medicina e casado com sua sobrinha Maria Magdalena de Matos.

       Luis foi senhor da sesmaria sobre-quadra da fazenda Sant’Anna, onde fundou a fazenda Boa Esperança na primeira metade do século XIX.

       Em 1861, Luis resolveu vender sua fazenda Boa Esperança para o sobrinho José Pereira de Faro, que mudou o nome desta fazenda para Alliança.

       Pelo que consta, José adquiriu a Alliança já com a sua unidade de produção de café construída, composta de casa de vivenda, terreiros de pedra, engenhos de beneficiamento de café, tulhas, senzalas, paióis e etc... A partir desta data, José inicia obras de modernização do complexo cafeeiro da fazenda, ampliando cafezais (mais de 700 mil pés), terreiros e melhorias nas edificações e maquinarias. Um imponente pórtico em estilo colonial português é construído na fachada lateral, em cujo frontão triangular é colocada à data do fim da obra -“1863”.

       José Pereira de Faro era também senhor da importante fazenda Sant’Anna onde vivia, herdada do sogro e tio, o 2º Barão do Rio Bonito.

       José Pereira de Faro, nascido a seis de março de 1832, casou-se no Rio de Janeiro em 1855 com sua prima Francisca Romana Darrigue de Faro com quem teve cinco filhos.

       Homem culto de idéias liberais estudou na Europa e com apenas 20 anos foi administrar a fazenda Floresta deixada pelo pai. Desde então se ocupou da vida rural voltou-se para interesses do desenvolvimento da localidade de São Bendito de Barra do Piraí. Fez construir nesta localidade a belíssima igreja matriz de Sant’Anna (1881), mas não descuidou de suas propriedades, buscando sempre produzir o melhor café para exportação, o que se confirmou na Exposição Nacional realizada em 1861, quando recebeu a medalha de ouro e de menção honrosa.

       Na exposição internacional de Londres realizada em 1862, foi agraciado com a medalha de primeira classe, além de receber diversas menções honrosas. Por esse feito foi agraciado com Ordem da Rosa pelo Imperador D. Pedro II. Em outras exposições, como a de Hamburgo, Altona e Córdoba, também obteve os primeiros lugares na confrontação de seus produtos com os de outros países, como publicado no artigo “A Vida Fluminense”, da “Folha Illustrada”, 1871. Em 1873, auge da sua projeção social foi agraciado com o título de 3º Barão do Rio Bonito.

       Em 1882, quando D. Pedro II visitou a fazenda de Sant’Anna, anotou em seu diário que se encontra no Museu Imperial:

       “... o sistema de Faro é preparar tudo de que precisam as fazendas, até o sabão. O Pão de trigo é bom; mas o de cará mais saboroso. Despolpa e leva o café cuidando de fazê-lo para os terreiros por meio de um plano inclinado sobre que corre um carro. Tem ensaiado diversos sistemas de aprontar o chão dos terreiros; mas ainda não preferiu nenhum”.

       Como progressista que era, defendia a imigração dos estrangeiros e a instalação de um engenho central para fabricação de açúcar e álcool em Barra do Piraí, que ainda hoje, guarda como lembrança sua imensa chaminé.

       Em 1885, hipotecou todos os seus bens ao Banco do Brasil, enumerando seus mais de 800 escravos. Três anos mais tarde, a abolição da escravatura o deixou em sérias dificuldades econômicas e, pouco depois, seus bens foram sendo executados pelos credores.

       Entre suas propriedades agrícolas podemos citar as fazendas Sant “Anna, Alliança e Monte Alegre todas ainda com suas sedes preservadas”.

       O Barão do Rio Bonito faleceu em 1899, com 67 anos, na cidade de Nova Friburgo, na residência do genro Antonio Clemente Pinto, 2º Barão de São Clemente, casado com sua filha Georgina.

       A fazenda Alliança foi arrematada pelo Comendador José Joaquim de França Júnior em 1893, que a vendeu para a firma Ferreira, Borges & Cia em 1897. Em 1912, o casal Otto Frederico e Dra Fernanda Delboug Raulino adquiriu a propriedade, que permaneceu durante mais de setenta anos em posse dessa família. Os herdeiros de Fernanda venderam a Alliança a Sra Carmem Simões Alves de Lima, permanecendo em sua família até 1995, quando foi então adquirida pelos Rabello.

       A fazenda Alliança não foi exatamente a sede principal da família Faro, mas foi, sem dúvida nenhuma, a segunda mais importante.

       Ainda hoje, os mesmos terreiros de secar café, construídos com lajes de pedra na fazenda Alliança, impressionam pela vastidão. O estilo colonial português da fachada da fazenda é peculiar e revela um gosto simples, porém, original, o que a distingue de todas as sedes erguidas no Vale do café. Suas várias edificações anexas, como o enorme engenho de beneficiamento, tulhas e as ruínas da antiga enfermaria, nos dão a noção da vida movimentada de seus proprietários e de seus mais de 800 escravos e empregados.

Texto e Fonte: Adriano Novaes

Informações:
OBS: A Fazenda está em restauro, e podem ser agendadas visitas técnicas sob consulta.
Endereço:
Estrada de Barra do Pirai a Valença
Contato:
Alberto Machado
Tel: (24) 2442-0669
email: amachado@ism.com.br

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Fazenda Vista Alegre

       Francisco Martins Pimentel, açoreano da Ilha de São Miguel, já antes de 1829 estava estabelecido em Valença, nas terras que viriam a integrar a Fazenda Vista Alegre. No final dos anos 40, adquiriu a Fazenda Santa Terezinha (cuja sede original desapareceu) e lá faleceu em 1852. Esta é, provavelmente, a data em que um de seus dez filhos, Joaquim Gomes Pimentel, passou a ocupar a sede da Vista Alegre, imprimindo sua marca na história da Fazenda, e de toda a região, atravé de notáveis atuações pioneiras no campo das artes, da cultura e do desenvolvimento sócio-econômico.

       Alçando em 24 de outubro a posição de Alferes, Joaquim Pimentel recebe, em 28 de Fevereiro de 1864, de D. Luís “El Rey” de Portugal, o título de Visconde de Pimentel. No ano seguinte, registra o primeiro mapa de sua propriedade, bem como de seus vizinhos e parentes, abrangendo uma área que ocuparia de São Francisco a Esteves, aprofundando-se pela Serra da Concórdia (antiga Serra de São Manuel) até o lugar aonde existe hoje a Fazenda da Conquista.

       Em 16 de junho de 1869, torna-se Capitão da Guarda Nacional, já então consagrado pelo dinamismo e pela inovação de métodos e tecnologias de produção rural e na vida social da Fazenda Vista Alegre. Célebre em sua época pelo convívio com as artes, o Visconde de Pimentel frequentemente promovia saraus na Fazenda, para onde trazia apresentações memoráveis de artistas e músicos famosos, como por exemplo o pianista Gotshalk, em 21 de Agosto de 1869.

       O Visconde criou também sua própria banda de música, constituída por 27 escravos libertos. A Banda de Música da Fazenda Vista Alegre costumava apresentar-se em todas as ocasiões festivas da região. Aprendia-se na Fazenda, além de música, as artes teatrais e a religião. A Escola de Ingênuos, como ficou conhecida, foi a primeira no país a alfabetizar filhos de escravos e crianças pobres das redondezas.. A Casa da Música, local onde funcionava a escola, existe ainda, próximo à sede.

       As inovações implantadas na Fazenda Vista Alegre motivaram uma histórica visita do Conde D’Eu a Valença, de 16 a 18 de Setembro de 1876, na qual o Conde teve a oportunidade de participar de animados saraus, visitas às instalações das propriedades de Pimentel, cavalgadas e passeios no lago que existia aonde é hoje o Parque de Exposições de Valença, em cuja nascente mineral refrescou-se.

       Embora tenha atingido fama e grande prestígio em vida, o Visconde de Pimentel faleceu sem ter deixado herdeiros e já com seus bens inteiramente hipotecados à sua irmã, Maria Francisca, viúva do Comendador Manoel Esteves, dono de casa comissária de café. Esta, por sua vez, após retirar todos os bens – móveis, documentos, quadros e objetos -, veio a entregar a Vista Alegre em pagamento de suas próprias dívidas ao Banco do Brasil, por ocasião da derrocada da economia cafeeira na Velha Província, a partir da Abolição. A Fazenda Vista Alegre é adquirida em leilão pela família do Barão de Oliveira Castro em 1901, juntamente com as vizinhas Chacrinha e Campo Alegre.

       Em 1912 chegam à Vista Alegre, trazidos pela mão da família Oliveira Castro, os primeiros imigrantes dinamarqueses do Vale, que vieram a fundar, na Fazenda, a primeira indústria de queijos de tecnologia européia do Estado, os famosos Laticínios Dana. A família Nielssen residiu na Vista Alegre por cerca de trinta anos, tendo desenvolvido e aprimorado queijos de qualidades variadas, até transferirem-se para o sul de Minas, aonde vieram a multiplicar indústrias e marcas de laticínios diversos.

       A Fazenda Vista Alegre pertence, desde 1980, a Delio e Clair de Mattos Santos, que a adquiriram de Eduardo Soares Sampaio, herdeiro indireto do Barão de Oliveira Castro. O Dr. Delio Mattos é advogado e empresário, Cônsul Honorário da República de Malta, Fundador e Conselheiro do Instituto Preservale. Sua esposa, Claïr de Mattos Santos é escritora e editora, tendo escrito, dentre outras obras de ficção, romance e teatro, o livro “Grãos Vermelhos do Vale”, que narra a saga do café ambientada na Fazenda Vista Alegre.

       Após haver desenvolvido também a produção de laticínios, hoje desativada, a Fazenda Vista Alegre dedica-se hoje à criação de gado Canchim, e às atividades de Turismo Cultural. Participando do programa de Visitação Orientada do Instituto PRESERVALE, destinado a promover o conhecimento e a pesquisa dos Patrimônios Históricos e Culturais do Vale do Paraíba, a Vista Alegre mantém a tradição de um importante legado histórico, oferecendo a todos os que a visitam um pedaço da memória nacional.

Texto e Pesquisa: Sonia Maria Mattos Lucas

Informações:
Sonia Mattos Lucas
Tel:
(21) 8118-0007 ou (24) 9831-9627 ou (24) 2453-5116
e-mail: soniamlucas@preservale.com.br

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Fazenda Santo Antônio do Paiol

       A Fazenda Santo Antônio foi aberta em terras da sesmaria concedida em 1814, por provisão a João Soares Pinho, que já se havia estabelecido nesta fazenda desde 1807, quando estas ainda eram consideradas “terras devolutas”. Alguns anos depois, foram adquiridas por Francisco Martins Pimentel, que já estaria estabelecido na vizinha sesmaria de Santa Teresa.

       Em 1850, casava-se, no oratório de Santa Teresa, com Francisca, a filha de Pimentel, Manoel Antônio Esteves, recebendo como dote a fazenda Santo Antônio do Paiol. Seria a segunda e a mais próspera fase daquele estabelecimento cafeeiro. Logo após o casamento, morre o sogro e Esteves, com a fortuna aumentada, manda construir nova sede, em frente à pioneira Santa Teresa. Terminada em 1852, a casa foi dotada com todos os requisitos exigidos de uma fazenda de café do ciclo.

       Desenvolvendo profícua atividade, Esteves ampliou os cafezais, adquirindo ou abrindo novas fazendas, tais como São Manuel, Ribeirão, Santa Catarina, São Francisco, Nazaré e Boa Vista. Nelas chegou a ter mais de seiscentos escravos. Eliminando intermediários, ele mesmo negociava a produção, operando no Rio de Janeiro e em Santos com a firma exportadora Esteves & Filhos. Se já era grande fazendeiro, tornar-se-ia grande comissário de café. Como uma das mais proeminentes figuras do vale, Esteves se empenhou nas gestões que viabilizaram a construção da Estrada de Ferro União Valenciana, com evidentes benefícios para a economia local. Da estrada de ferro seria o primeiro presidente, e por seu trabalho receberia do governo imperial a comenda da Ordem da Rosa.

       Manoel Antônio Esteves morreu em sua casa do Rio de Janeiro em 1879, no auge de seu prestígio e da fortuna que legou aos filhos. Sucede-lhe na administração dos negócios o filho Francisco Martins Esteves, pessoa de cultura e saber, de hábitos refinados, amante da música clássica e da ópera. Residiu em Paris por algum tempo, ao se casar com Ana Carolina, filha do conselheiro e ministro do Império, Zacarias de Góes e Vasconcelos. Retornando ao Brasil, trabalhou na comissaria e na fazenda Santo Antônio, sem demonstrar gosto ou inclinação para o mundo dos negócios. Administrando a fazenda como lhe era possível e já enfrentando os contratempos que sucederam a derrocada do ciclo, Francisco adquire partes dos demais herdeiros e fixa-se definitivamente em Paiol, que passou a gerir juntamente com o filho, Marcos Zacarias Manoel Esteves, depois seu sucessor na fazenda em franca decadência.

       Em meio às maiores dificuldades, os Esteves se desfazem de parte das terras, com a finalidade de assegurar a manutenção das benfeitorias. Marcos morreria precocemente em 1941, e sua viúva desde então desenvolveu esforço que deve ser enaltecido. Com a fazenda praticamente desativada, sem renda e com o patrimônio em terras sensivelmente reduzido, Francisca Olympia Alves de Queiroz Esteves lutou determinadamente para preservar como pôde todo o acervo móvel e imóvel de Santo Antônio. Assumindo uma ligação afetiva com a memória da fazenda, do marido e da saga dos Esteves, empenhou-se com denodo para manter vivo tudo que dissesse respeito a Marcos e aos Esteves.

       Assim chega até o ano de 1969, quando, idosa, não mais podendo prosseguir em seu propósito, e nem mesmo se manter na fazenda, toma a deliberação de doá-la a uma entidade religiosa, a Congregação da Pequena Obra da Divina Providência (Don Orione), como último recurso para manter a propriedade e os pertences dos Esteves.-No ano de 1990, a Fazenda Santo Antonio do Paiol foi arrendada por Rogério Vianna, empresário carioca que, juntamente com sua esposa Maria Alice, empreendeu uma grande reforma na sede, já então desgastada pelo tempo. Nesta empreitada, foram recuperados a sede, o mobiliário e, especialmente, foi organizado o acervo documental da Fazenda, magnífico legado preservado pela família Esteves que, não obstante, havia permanecido inacessível aos olhos de pesquisadores e interessados. Sócio Fundador do Instituto PRESERVALE, Rogério restituiu à Fazenda Santo Antonio do Paiol a sua dignidade e importância histórica, bem como resgatou, em meio aos documentos encontrados em Esteves, informações de enorme valor histórico, que estão sendo hoje pesquisados e catalogados a partir de projeto do Instituto PRESERVALE. A Fazenda voltou às mãos da Ordem Dom Orione no ano de 2000, e está retomando, com o PRESERVALE, as atividades de Turismo Cultural iniciadas por Rogério e Maria Alice Vianna.

Fonte: Fazenda Santo Antônio do Paiol
Revisão: Sonia Mattos Lucas

Informações:
Frei Geraldo Magela
Tel:
(24) 2458-4720
e-mail: fazenda.santo_antonio_paiol@yahoo.com.br

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Fazenda Pau D'Alho

       A fazenda do Pau D’Alho teve origem nas terras da sesmaria concedida a Joaquim Marques da Silva e sua mulher D. Faustina Angélica de Moura, denominada Cachoeira de Santa Rosa.

       Sua excelente localização geográfica, nas proximidades da Aldeia de Valença, facilitou sua abertura ainda em princípios do século XIX, sendo assim uma das pioneiras na zona da recém fundada Aldeia.

       Marques da Silva, que havia se estabelecido na Fazenda de Santa Rosa, teve muitos filhos que, após constituírem família, estabeleceram-se na sesmaria, dando origem a outras pequenas propriedades como Pau D’Alho.Após o falecimento de Joaquim Marques da Silva, a viúva e os filhos dividem as terras, vendendo parte delas.

       Em 1835, a viuva D. Faustina, vende parte das terras da Fazenda Pau D’Alho ao comendador José da Silveira Vargas . Silveira Vargas foi Comendador da Ordem da Rosa e seria em 1826 o primeiro presidente da Câmara Municipal de Valença e um dos maiores animadores de seu progresso. Vargas inaugurou em Valença um período de importantes realizações, sendo responsável pelo primeiro passo em prol da instauração do ensino primário na vila, da fundação da Santa Casa de Misericórdia e da construção da matriz de N. Senhora da Glória. Foi também pioneiro na vacinação antivariólica e na preservação do meio ambiente valenciano, combatendo ecologicamente as pragas que atacavam a lavoura de café.

       Embora tenha feito de sua Pau D’Alho um importante empreendimento agrícola, em cuja propriedade trabalhavam cerca de 170 escravos, Vargas não se dedicou com afinco às atividades da lavoura cafeeira. Era político e capitalista, sendo na época um dos maiores acionistas do Banco do Brasil. Ao morrer em 1861, deixou um capital acumulado em 1, 016 : 494 # 974 contos de Réis.

       Após a morte de Vargas a fazenda ficou em poder da viúva D. Maria Joaquina da Silveira e os seis filhos do extinto casal: D. Bárbara, D. Carolina, D. Placidina, Custódio, Antônio e Alexandre, cuja administração da fazenda a este último caberia.

       Em 1866, falece D. Maria Joaquina, e Pau D’Alho fica em poder dos filhos Carolina, Placidina, Custódio e Alexandre. Na época contando com uma área de 562 e meia braça, por 1 500 de fundos em terras, Pau D’Alho era um verdadeiro celeiro para Valença. Produzia além de café, muito milho, arroz, mandioca, feijão, carne de porco, além de madeira para construção, lã de carneiro e algodão.

       Em fins do século XIX, o café encontrava-se em profunda decadência em todo Vale do Paraíba. Muitas fazendas estavam hipotecadas aos bancos nesta época e, com a Abolição da Escravatura em 1888, a situação ainda mais se agravara. O mesmo ocorria em Pau D’Alho.

       Luís Damasceno Ferreira, filho de D. Placidina e do comendador João Damasceno Ferreira, nesta época estudava medicina no Rio de Janeiro. Abandonou o curso e veio para Valença administrar a fazenda dos pais e tios, que encontrava-se com sua economia abalada. Damasceno, ilustre autor da “História de Valença”, dirigiu a fazenda até 1897 quando foi vendida ao comerciante italiano Vito Pentagna, que já era proprietário nesta ocasião da vizinha Fazenda Santa Rosa.

       Nicolau, Caetano e Vito Pentagna eram filhos de Saverio Pentagna e Giuseppina Sorrentino, oriundos da vila de Scário, província de Salerno - Itália. Como tantos outros italianos, fugia do crescente empobrecimento do sul do país, buscando as glórias prometidas pelo café do outro lado do Atlântico. Nicolao foi o primeiro a chegar no Brasil em 1863.

       Em 1878, Nicolao transfere-se para Valença, onde tornou-se sócio do português Manuel Pereira Sampaio na casa comercial “Pentagna & Sampaio “, constituindo uma das maiores da região. Logo depois chegaram em Valença os outros irmãos Vito e Caetano. Vito trabalhou como tropeiro entre o sul de Minas e Valença. Não tardou e entrou para sócio da firma “ Pentagna & Sampaio” e seu nome não demorou a ser sinônimo de líder comercial. Em seguida, torna-se proprietário da Fazenda de Santa Rosa.

       Dotado de tino industrial, aproveitou o represamento do Rio das Flores em sua Fazenda Pau D’Alho, iniciando em 10 de março de 1912 a construção de uma usina hidrelétrica para proporcionar a concretização de seu velho sonho de instalar mais uma indústria em Valença. Logo após, em 07 de setembro de 1913, era fundada a Cia. Fiação Tecidos Santa Rosa.

       Faltando pouco para ver definitivamente concluído seu maior empreendimento, falecia Vito Pentagna vítima de um infarto.

       Após a morte de Vito em 1914, a fazenda passou às mãos da viuva Urbana de Castro Pentagna. Esta legou por sua morte, em 1940, ao filho Dr. Savério Pentagna, advogado , industrial e político.

       Dr. Savério esteve sempre dinâmico à frente da direção da fábrica Santa Rosa, enfrentando momentos difíceis, que só puderam ser contornados por sua grande habilidade. Com a saúde abalada, em 1953 coordenou a venda do controle acionário da Companhia para seu cunhado Dr. Júlio Mourão Guimarães. Pouco tempo depois veio a falecer.

       O atual proprietário é o Humberto Vito Ribecco Pentagna, único filho varão do Dr. Savério, que desde cedo dedicou grande interesse pela fazenda, colocando-se logo que a idade o permitiu, à frente de sua administração. Para assistí-la de forma mais completa, buscou formação profissional adequada, tornando-se engenheiro agrônomo. Em plena atividade, Humberto já tem sua continuidade assegurada emseu filho Savério Vito Pentagna, 4º geração da família na fazenda, um fato raro nos dias atuais.

       A principal atividade econômica da Fazenda Pau D’Alho sempre foi o café, que aos milhares de pés, cobria seu vasto solo, abarrotando de grãos as grandes tulhas. A libertação dos escravos e a conseqüente decadência da lavoura cafeeira em todo o estado transformaram, como na maioria das fazendas da região, seus cafezais em pasto para o gado. Nos anos 60 voltou-se ao plantio original do café.

       Em suas terras, além dos pastos para o gado bovino, há plantações de milho e feijão e uma grande variedade de árvores frutíferas. Encontramos também belas quedas d’água, sendo digna de nota por seu valor histórico e magnificência, a Usina Hidrelétrica Vito Pentagna, cuja barragem, que represa o Rio das Flores, foi inaugurada em 1943, em substituição a uma antiga existente. Responsável pelo fornecimento de energia da Companhia Fiação e Tecidos Santa Rosa, esta usina atendeu também a particulares em Valença. Com uma localização privilegiada, em meio a um cenário de grande beleza natural, inspirou uma justa homenagem da internacionalmente famosa Rosinha de Valença, que compôs “Usina de Prata”, interpretada pelo cantor Ney Matogrosso. Sócios Fundadores do Instituto PRESERVALE, Humberto e sua esposa, Aparecida Pentagna, recebem grupos de Turismo Cultural em visita orientada pela propriedade, recentemente restaurada pela família.

Texto e Pesquisa: Adriano Novaes
Revisão: Sonia Mattos Lucas

Fontes:
Anotações de Fernando Antônio Ielpo Jannuzzi Filho
Arquivo do Museu da Justiça, Rio de Janeiro
Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Cartório do Segundo Ofício, Valença

Informações:
Aparecida Pentagna
Tel:
(24) 2453-3033
e-mail: carlapentagna@yahoo.com

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Fazenda Florença

       Com a chegada do café no Vale do Paraíba em princípios do século XX, famílias inteiras migraram para a região, a fim de se dedicarem aos negócios da lavoura. Entre tantas, destaca-se a irmandade dos Teixeira Leite, uma das mais proeminentes. Precursores de uma série de idéias inovadora como, por exemplo, a Estrada de Ferro D. Pedro II e o primeiro Banco Agrícola no interior da Província, espalharam-se pela pelas comarcas de Vassouras, Valença, Barra Mansa e Além Paraíba.
       Mineradores na região de São João Del Rei, o primeiro a chegar foi Custódio Ferreira Leite Guimarães, futuro Barão de Ayuruoca.
       Ayuruoca tornou-se quase uma lenda na região, a ele é atribuída a propagação do café no Vale, assim como a abertura de estradas e pontes para escoamento do precioso grão.
       Sabendo da distribuição de terras pelo Coroa Portuguesa na região, trouxe consigo, inúmeros parentes. Tão cedo, tornaram-se os irmãos, sobrinhos e primos, fazendeiros de café.
      Entre eles, o irmão Anastácio Leite Ribeiro ( 17?? –1853), que adquire duas sesmarias que confrontavam com sesmaria dos índios Araris, no “Conservatório de Santo Antonio do Rio Bonito”.
       Anastácio fundou a fazenda São José do Rio Bonito, cuja sede muita bem localizada, ainda jaz em vales conservatorienses.
       De seu casamento como Maria Esméria d’ Assunção nasceram os filhos: Anna Maria Esméria, que foi a primeira mulher do Futuro Barão de Vassouras, fundaram fazenda Cachoeira Grande em Vassouras; João Ferreira Leite; Joaquim Leite Ribeiro, foi Juiz de Paz em Conservatória; Francisco Leite Ribeiro, depois da morte dos pais ficou com a fazenda São José e Boa Vista; Marianna Cândida casou com primo Francisco Leite Pinto, foram fazendeiros em Mar de Espanha; Custódio Ferreira Leite; Maria Francisca Leite; Anastácio e finalmente José Leite Ribeiro, que após a morte dos pais, fundou a fazenda Florença.
       Um belo exemplar da arquitetura neoclássica dos oitocentos o Solar da Florença é marcado pelo alpendre com frontão neoclássico, raros nos solares do Vale Cafeeiro.
       José Ferreira Leite viveu ate 1861, ficando a fazenda com seus herdeiros até o final do século XIX.
       Em princípios do século XX foi adquirida pela família de Lupércio de Castro, cuja família foi proprietária durante anos.

Texto e Pesquisa: Adriano Novaes

Fontes: - FERREIRA, Luis Damasceno, História de Valença. 2ª edição, Valença, Editora Valença, 1998.
- RIBEIRO, Armando Vidal, Família Vidal Leite Ribeiro – Genealogia - Reminiscências. Edição particular.
- TELLES, AUGUSTO DA SILVA. “ Vassouras - Estudo da Construção Residencial Urbana”. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
- STEIN, Stanley. J. “Vassouras um Município Brasileiro do Café, 1850-1900”, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.
- NUNES, Luiz Gonzaga, Os Leite Pinto. Belo Horizonte, Rona, 1986.
- LIMA, Roberto Guião de Souza, Fazenda São Lourenço. Colégio Brasileiro de Genealogia 2000.
- IÓRIO, Leoni. Valença de Ontem e de Hoje. Cia Dias Cardoso, J de Fora. 1952.
Locais Pesquisados:
Museu da Justiça – Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro – RJ
Inventário de D. Maria Esméria d’Assunção – 1842 / caixa 115 – proc. Nº 1117

Informações:
Paulo Roberto dos Santos
Tel:
(24) 2438-0124
Site: www.hotelfazendaflorenca.com.br

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Fazenda da Bocaina

       A história da Fazenda da Bocaina, reflete um dos processos de ocupação do território no Vale do Paraíba do Século XIX. Não aquele dos grandes proprietários que, ao prosperarem, trocavam favores com o Império e adquiriam títulos nobiliárquicos, aumentando suas terras, deixando legados aristocráticos e grandes dívidas com os bancos. Ao contrário, revela a mobilidade das famílias rurais em sua conquista pela sobrevivência, modelando assim a experiência histórica de um grande contingente da população regional, comprometido com a pequena propriedade, a lavoura e a vida nas cidades da província fluminense.
       A Fazenda da Bocaina está situada no Município de Valença – RJ, localizando-se à 130km do Rio de Janeiro e a 350 km de São Paulo, fazendo parte do circuito do Ciclo do Café e do pool das fazendas históricas do Instituto Preservale.
       A propriedade fez parte da sesmaria concedida pelo Príncipie Regente D. João VI à D. Bárbara Joaquina em 1816 no “Sertão de Valença”.
      Sua sede tem, aproximadamente, 160 a 180 anos, tendo sido erguida mesmo antes do apogeu do Ciclo do Café.
       As áreas requeridas na época eram muito cobiçadas nesta ocasião pela proximidade com o rio Paraíba do Sul (até então principal meio de penetração no Sertão de Valença) e com a Aldeia de Valença que foi fundada em 1803.
       Sua principal produção na época era de cereais e víveres que abasteciam o Rio de Janeiro e a própria Aldeia de Valença.
       Este tipo de propriedade é bem antiga, com características típicamente mineiras e que se costumava intitular de “cabeça de sesmaria”, porque as casas eram bem simples e abrigavam os primeiros portugueses que aqui aportavam (os que vinham realmente desbravar e trabalhar).
       A partir dessa sesmaria e com a expansão do cultivo do café, ela foi dividida e vendida a outros proprietários que construíram casa maiores e mais suntuosas como a Fazenda da Cachoeira (antiga Fazenda da Floresta) que ficava à noroeste da sesmaria e a Fazenda Boa Vista, que se situava na testada da sesmaria, onde hoje se ergueu o bairro São Francisco. Desta Fazenda não sobrou nenhum vestígio, a não ser um enorme tronco centenário no coração do bairro.
       A Fazenda da Bocaina possuiu aproximadamente seis proprietários, incluindo o atual, que a adquiriu em 1981.

       BOCAINA, etimologicamente é um vale na montanha, local onde a propriedade foi construída.
       A atual proprietária e sua família reconstituíram ao longo dos anos, minuciosamente, as características originais da sede e seus arredores, que estavam muito abandonados, realizando outras construções de igual arquitetura.
       Foi residência de veraneio por todo esse tempo e hoje está aberta para visitação histórica de grupos previamente agendados com café colonial ou almoço antecipadamente marcados.
       A propriedade é produtiva e seleciona Nelore de Elite.

Pesquisa: Adriano Novaes
Texto: Solange Goes
Fontes: Fazenda da Bocaina

Informações:
Solange Azevedo de Araujo Goes
Tel:
(24) 8823-4266 / 9965-1048 ou 2453-3266 / 2453-8100
Site: www.fazendabocainarj.com
e-mail:
fazendabocainarj@hotmail.com

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Fazenda Chacrinha

       Tudo leva a crer que o cidadão Manoel Pereira de Souza Barros adquiriu, em meados da década de 1840, de Joaquim José dos Santos, duas sesmarias no sertão dos índios Coroados de Valença, nas margens do rio das Flores, requeridas em 1805 e 1813 a Dom Fernando José de Portugal, Capitão General de Mar e Terra e Vice-Rei do Estado do Brasil.
       Durante as décadas de 1850 e 1860, Capitão Souza Barros desenvolveu suas fazendas com lavoura de café. Segundo o historiador valenciano José Leoni Iório, a fazenda Chacrinha ficou reservada ao filho de igual nome, Manoel Pereira de Souza Barros, que tendo sido atacado de moléstia grave, em sua adolescência, abandonou o curso que estava fazendo na Faculdade de Direito de São Paulo, e seu pai viu-se obrigado a mandá-lo para Portugal, onde se submeteu a rigoroso tratamento. Iório menciona ainda que, após a chegada do filho, já restabelecido da doença, foi oferecida em Campo Alegre uma grande festa em sua homenagem. Nesta festa o agora Comendador Souza Barros fez pesar o jovem rapaz em uma balança, colocando em um dos pratos barras de ouro. O seu peso em ouro foi o valor do dote que lhe dera o seu progenitor.  Daí, a alcunha — menino de ouro — que lhe deram muito apropriadamente.
      Logo em seguida, Manoel Pereira de Souza Barros casou-se com a prima D. Rita Arnalda Pereira de Souza Barros, com quem teve onze filhos, sendo que dez atingiram a idade adulta.
     A atual sede da fazenda Chacrinha, que substitui uma modesta casa de vivenda construída por Santos, começou a ser edificada no final da década de 1860, o que coincide com o retorno de Manoel para a fazenda do pai.
      A partir do final da década de 1860, o Tenente Coronel Manoel Pereira de Souza Barros se dedica aos negócios da fazenda em companhia do pai. Participa ativamente da vida social e política da cidade de Valença, porém não se afasta do ambiente social da Corte. Divide o seu tempo entre Valença e a Capital do Império do Brasil, onde transforma a antiga residência de seus pais em um elegante palacete.
      Os investimentos tecnológicos, logísticos e sociais implantados na vida da Campo Alegre por Souza Barros, mesmo depois da morte de seu pai, nos fazem acreditar que ele abandonou o projeto de residir na Chacrinha. A mudança de idéia teria sido a favor do filho mais velho, também chamado Manoel Pereira de Souza Barros, para quando este atingisse a idade adulta e estivesse pronto para gerir os negócios da fazenda.
      Souza Barros participa ativamente na viabilização da fundação da Companhia Estrada de Ferro União Valenciana. Além de sócio, seria também presidente da Companhia em 1870.
      Em suas terras fez construir a estação que levou seu nome, “Souza Barros”, que tempos depois teve o nome mudado para “Estação de Chacrinha”, dando origem ao bairro do mesmo nome. A partir desta estação, construiu uma linha férrea de sete quilômetros até Campo Alegre, por tração animal.
      Em 17 de dezembro de 1881, Manoel Pereira de Souza Barros é agraciado com o título de barão de Vista Alegre, coroando o auge de sua ascensão social. O momento histórico coincide com a quase conclusão do luxuoso Solar da Chacrinha, avaliado na época em 30 contos de réis.

      Para marcar a época, manda colocar uma cartela com as inscrições do ano de 1881 na porta lateral do Solar da Chacrinha. Este momento foi registrado pelas lentes do fotógrafo Marc Ferrez, que, em visita às fazendas do barão de Vista Alegre, realizou, além das fotos da Chacrinha, diversas fotos da fazenda Campo Alegre, principalmente de escravos no eito. Estas fotos constituem para a História verdadeiras relíquias de registro do trabalho escravo nas fazendas cafeeiras oitocentistas.