Os solares imperiais do Vale do Paraíba são, ainda hoje, o testemunho vivo da grandeza do Ciclo do Café. O Instituto Preservale apresenta algumas das mais belas casas rurais do Brasil do século XIX, contando um pouco da sua história e convidando o internauta do século XXI para uma viagem no tempo. Clique nas fazendas!
 
 
 
Hotel Fazenda do Arvoredo (Antiga Fazenda Santa Maria)
   
Fazenda Ponte Alta
   
Fazenda São João da Prosperidade
   
Fazenda da Taquara
   
Fazenda Aliança
 
 
 
Fazenda Vista Alegre
   
Fazenda Santo Antônio do Paiol
   
Fazenda Pau D'Alho
   
Fazenda Florença
   
Fazenda da Bocaina
   
Fazenda Chacrinha
 
 
 
Fazenda União
   
Fazenda Santo Antônio
   
Fazenda Paraíso
   
Fazenda Campos Eliseos
 
 
 
Fazenda Cachoeira Grande
  
Fazenda do Secretário
 
Fazenda Mulungú Vermelho
 
Fazenda Cachoeira do Mato Dentro
 
Fazenda São Fernando
 
 
 
Fazenda Monte Alegre
 
Fazenda Pau Grande
 
Fazenda Santa Cecília
 
Fazenda São João da Barra
 
 
 
Fazenda da Posse
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Hotel Fazenda do Arvoredo
Antiga Fazenda Santa Maria

       O Hotel Fazenda do Arvoredo localiza-se na antiga Fazenda Santa Maria, em Barra do Piraí, no Vale do Paraíba Fluminense.No século XVIII, esta região começa a ser desbravada e colonizada como o caminho para as Minas Gerais, tornando-se local de apoio da Corte para as Minas e vice-versa. Com o solo fértil, o clima ameno e a mão de obra escrava, a cultura do café obtém enorme sucesso. Transforma esses fazendeiros em empresários rurais, possuidores de grande fortuna e poder junto ao imperador, que os agracia com títulos nobiliárquicos, o que os torna conhecidos como os famosos barões do café. Com o enriquecimento dos Fazendeiros, estas unidades de produção se sofisticam. Constroem-se casas senhoriais, as casas grandes, o abrigo dos escravos, as senzalas, os depósitos do café, as tulhas, dispostos em torno do pátio de secagem do café, formando assim o quadrilátero funcional.

       A Fazenda Santa Maria mantém as características de uma autêntica fazenda do ciclo do café. O andar superior da casa grande, moradia dos barões, divide-se em três áreas distintas: área comercial, área social e área íntima, tendo ao centro o átrium, onde circulava o ar para manter uma boa aclimatação da casa. Na cozinha, encontra-se ainda o antigo fogão à lenha, datado do século XIX, em pleno e total funcionamento, responsável por um dos destaques do hotel que é a culinária regional.

       Em 1808, o Príncipe Regente Dom João doou a José Luiz Gomes, Barão de Mambucaba, extensas terras com o objetivo de nelas plantar café, dando origem à Fazenda Santa Maria. Em 1836, Honório Hermeto Carneiro Leão, assume a fazenda. Seu filho, Nicolau Neto Carneiro Leão, herda a propriedade e recebe o título de Barão de Santa Maria, em homenagem à própria fazenda. Manda construir outra sede, maior e mais luxuosa, concluída em 1858. Em 1903, a fazenda é adquirida pelo Conde João Leopoldo Modesto Leal, juntamente com outras 30, dentre as quais a Fazenda Ponte Alta.

       Em 1982, a antiga Santa Maria é recebida como herança pelos irmãos Ana e Augusto Pascoli, que a transformam em Hotel Fazenda em 1992, iniciando assim, um novo ciclo: o do turismo. Ana Heloísa, prematuramente falecida em Maio de 2001, foi, junto com seu irmão, Augusto Eduardo, Sócia Fundadora do Instituto PRESERVALE, promovendo e apoiando o Turismo Cultural e Ecológico, não apenas como empresários do setor, mas com a sua atuação e dedicação pessoal à memória do Vale e de sua história.
No Hotel Fazenda do Arvoredo, o visitante poderá desfrutar de um tour pela sede, aprendendo sobre mobiliário, arte e arquitetura do século XIX com o próprio Barão de Santa Maria e sua esposa, interpretados por funcionários do Hotel trajados a caráter. Após o tour, o turista é convidado para um Chá Imperial, no qual degustará todas as iguarias típicas da culinária do século XIX.

Fonte: Fazenda Santa Maria
Texto: Adriano Novaes e Sonia Mattos Lucas

Informações:
Tel: (24) 2447-2001
Site: www.hotelarvoredo.com.br

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Fazenda Ponte Alta

       A Fazenda Ponte Alta teve como primeiro proprietário José Luiz Gomes, o Barão de Mambucaba, então grande sesmeiro em Angra dos Reis. Em 1808, o Barão requereu sesmarias nesta região. Construiu a Fazenda Ponte Alta por volta de 1830, quando começaram a surgir as primeiras fortunas geradas pelo café no Vale do Paraíba. Com a morte do Barão de Mambucaba, em 1855, sua filha, Rosa Luiza Gomes herdou a Ponte Alta. Esta por sua vez casou com Antônio Gonçalves de Moraes, o "Capitão Mata Gente", filho do Barão de Piraí, grande proprietário de terras no outro lado do Rio Piraí.

       Em 1936, a Ponte Alta foi herdada por Dona Isabel Modesto Leal, neta primogênita do Conde Modesto Leal, abastado negociante português, que a adquiriu em 1903 juntamente com outras 30 propriedades, em uma carteira hipotecária do Banco de Crédito Real do Brasil. Dona Isa (como ficou conhecida) era amiga pessoal do então Presidente Getúlio Vargas, que costumava visitar a Fazenda, tendo passado seus últimos cinco aniversários na Ponte Alta. D. Isa construiu a atual sede de pedra no lugar da antiga vivenda da Fazenda. O que se vê hoje, desta antiga "Empresa Agrícola do Café", é à parte do conjunto de serviço das antigas instalações do café, incluindo o engenho de café, o engenho de serra, a senzala, as tulhas e as oficinas, que formavam um quadrado fechado. Por tudo isso, é, na região, o mais representativo conjunto de serviço da época do café.

       Em 1960, a Fazenda Ponte Alta foi comprada por Nellie Pascoli, empresária do setor de mineração, co-fundadora do Grupo CAEMI. Dona Nellie era apreciadora da arte brasileira e, em especial, da fase histórica do Brasil Colônia e Império. Assim, em 1972 ela recupera o antigo moinho de café da fazenda, num projeto arquitetônico de Jorge de Souza Hüe, utilizando mobiliário e peças dos séculos XVIII e XIX. Em 1982, a senhora Nellie Pascoli morre e deixa a Fazenda Ponte Alta como herança para seus sobrinhos, Evelyn e Ricardo Pascoli. Evelyn Pascoli, falecida em Janeiro de 2003, foi a grande pioneira do Turismo Cultural no Vale do Paraíba, tendo criado o Sarau Histórico, aonde a história da Fazenda, como parte do contexto geral da história do Vale e do Brasil, é narrada teatralmente, permitindo ao turista um mergulho no passado e uma redescoberta do presente. Diretora Executiva do Instituto PRESERVALE por quatro anos, Secretária de Turismo de Barra do Piraí, empresária de sucesso e personalidade carismática, cativante e alegre, Evelyn Pascoli impulsionou tremendamente o Turismo na região. Hoje a Fazenda Ponte Alta tem como atividades à pecuária, a criação de cavalos da raça Mangalarga Marchador e o Turismo Cultural e Pedagógico, desenvolvidos na Pousada Fazenda Ponte Alta.

Fontes: Adriano Novaes e Roberto Guião de Souzalima

Informações:
Tel: (24) 2443-5005 ou 2443-5159
Site: http://www.pontealta.com.br

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Fazenda São João da Prosperidade


       A história da Fazenda São João da Prosperidade inicia-se no século XIX a partir de 1820 - 1830, quando o café começa a ser cultivado na região. Através de doação de sesmarias, Antônio Gonçalves de Moraes, o chamado "Capitão Mata Gente", casado com Rosa Luiza Gomes de Moraes, investe na plantação de café. Era também dono da Fazenda Braço Grande (atual Ibitira), que doou a seu filho José Gonçalves de Moraes em 1843, conforme escritura passada no Cartório de Ipiabas.

       Em 1843, ainda segundo escrituras, Antônio Gonçalves de Moraes comprou um sítio denominado Barra do Piraí e, em 1853, construiu uma ponte sobre o rio Piraí, dando início ao povoado de São Benedito, origem da cidade de Barra do Piraí. Em 1883, com a inauguração da Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto, que saía de Barra do Piraí e ia até mesma, mais tarde denominada Viação Férrea de Sapucay e posteriormente Rede Mineira de Viação, passou a existir a estação "Prosperidade", que servia para o Rio de Janeiro pela Estrada de Ferro Dom Pedro II. A fazenda fazia limite com a Fazenda Floresta, em Ipiabas, de propriedade da Baronesa do Rio Bonito e com a Fazenda Braço Grande. Austero, longo e simples, são os qualificativos mais apropriados para este casarão de um só pavimento, com 950 m2 de área construída, que possui 10 quartos e 5 salões, além de outras dependências, cujas grossas paredes externas são de pedra e as internas de pau-a-pique. Entretanto, a singela arquitetura contrasta, por um lado, com a importância histórica da Fazenda e, por outro, com a autenticidade e conservação do prédio, fruto de louvável e perseverante trabalho dos atuais proprietários. Luiz Geraldo Muniz e Magide. Na frente da casa existe uma construção de pedras que provavelmente, se destinou a abrigo das tropas de mulas, que levavam o café para o Rio de Janeiro.

       Com uma área de 40 alqueires e tendo como principais atividades à suinocultura, a pecuária de leite e de corte e a fabricação de cachaça. A Fazenda oferece visitas orientadas a grupos de turismo, recebendo grande afluxo de visitantes devido à sua localização, na Estrada Barra do Piraí - Conservatória, assim como ao excelente tour que Magide conduz, contendo informações detalhadas sobre a arquitetura e o modo de vida do século XIX no Vale. Magide e Luís Geraldo pertencem ao Instituto PRESERVALE, participando ativamente de nosso Programa de Turismo Cultural.

Fontes: Fazenda São João da Prosperidade
Texto: Adriano Novaes e Roberto Guião de Souzalima
Revisão: Sonia Mattos Lucas

Informações:
Magide Breves Muniz
Tel: (24) 2442-3194

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Fazenda da Taquara

       Quando chegaram de Portugal, o Comendador João Pereira da Silva, em companhia de Joaquim José Pereira de Faro - futuro barão do Rio Bonito - estabeleceram-se nesta região da antiga Província do Rio de Janeiro (atual Barra do Piraí), nos primeiros decênios do século XIX. Nesta mesma época, o café começou a ser plantado no Vale do Paraíba e o Comendador dedicou-se a cultivar o fruto precioso.Faziam parte das propriedades do Comendador: a fazenda Campo Bom, a fazenda Ipiabas e a fazenda da Nova Prosperidade ( Taquara), como aparece no inventário do Comendador, falecido em 1872. O nome Taquara foi dado pelos escravos, devido à abundância de um bambu fino, encontrado na propriedade, que era assim denominado.A sede foi construída, provavelmente na década de 30, em forma de quadrilátero com o jardim interno, sob a influência da arquitetura colonial das Minas Gerais do século XVIII.

       A Fazenda da Taquara permanece, ainda hoje, sob o domínio da família do Comendador.Com quase dois séculos de existência, a sede, ainda em perfeito estado de conservação, preserva sua história, com seus móveis, documentos e retratos originais.A fazenda da Taquara é de propriedade de João Carlos Tadeu Botelho Pereira Streva, descendente direto, já na quinta geração do Comendador. Outra característica desta propriedade é ser hoje um centro de produção de café como no século passado, além de desenvolver atividades de granja de frangos e suinocultura. O casal João e Ana Maria participa ativamente das iniciativas de Turismo Cultural promovidas pelo Instituto PRESERVALE. A visita guiada à Fazenda compreende um excelente tour pela sede e antiga senzala, bem como degustação de quitutes feitos na propriedade. Atualmente a Fazenda oferece, também, almoço típico para grupos agendados com antecedência.

Fonte: Fazenda da Taquara
Texto: Adriano Novaes

Informações:
Ana Maria ou João Carlos Streva
Tel:
(24) 2443-1221 ou (24) 2443-1273
e-mail: m.taquara@ig.com.br

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Fazenda Aliança

       A família Faro foi pioneira no desbravamento de terras que se situam à margem esquerda do Rio Paraíba do Sul, atual município de Barra do Piraí, outrora município de Valença. Foram senhores de várias sesmarias, oito na margem esquerda e duas na margem direita. O patriarca do poderoso clã foi Joaquim José Pereira de Faro, natural de Braga, Portugal, migrado para ao Brasil em 1793. No Rio de Janeiro, dedicou-se ao comércio e ao tráfico transatlântico de africanos escravizados. Galgou a projeção social alcançando o posto de professor na Ordem de Cristo em 13.05.1808 e, novamente, com o mesmo hábito efetivo em 03.05.1819. Foi Cavaleiro Imperial da Ordem do Cruzeiro em 12.10.1828, fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial, Coronel de infantaria reformado e membro da junta administrativa da Caixa de Amortização. Fez parte da Corte de D. João VI e D. Pedro I. Fundador e conselheiro do Montepio Geral, em 1841. Foi agraciado com o título de Barão do Rio Bonito em 06.10.1841.

       Joaquim fundou duas fazendas: São Joaquim das Ipiabas e Sant’Anna do Parahyba, ambas no início do século XIX. Casou-se em 1793 no Rio de Janeiro com Anna Rita Darrigue Faro com quem teve nove filhos. Desses, quatro estabeleceram-se com fazendas na região. Entre eles, João Pereira Darrigue de Faro, que seguindo os passos do pai galgou grande projeção social na Corte chegando a ocupar a Presidência da Província do Rio de Janeiro. Entre outros cargos de grande destaque, foi o segundo Barão do Rio Bonito. João fundou a fazenda Monte Alegre, além de receber de herança a Fazenda Sant`Anna. Outro filho importante do casal Joaquim e Anna Rita foi Luiz Pereira Ferreira de Faro, formado em medicina e casado com sua sobrinha Maria Magdalena de Matos.

       Luis foi senhor da sesmaria sobre-quadra da fazenda Sant’Anna, onde fundou a fazenda Boa Esperança na primeira metade do século XIX.

       Em 1861, Luis resolveu vender sua fazenda Boa Esperança para o sobrinho José Pereira de Faro, que mudou o nome desta fazenda para Alliança.

       Pelo que consta, José adquiriu a Alliança já com a sua unidade de produção de café construída, composta de casa de vivenda, terreiros de pedra, engenhos de beneficiamento de café, tulhas, senzalas, paióis e etc... A partir desta data, José inicia obras de modernização do complexo cafeeiro da fazenda, ampliando cafezais (mais de 700 mil pés), terreiros e melhorias nas edificações e maquinarias. Um imponente pórtico em estilo colonial português é construído na fachada lateral, em cujo frontão triangular é colocada à data do fim da obra -“1863”.

       José Pereira de Faro era também senhor da importante fazenda Sant’Anna onde vivia, herdada do sogro e tio, o 2º Barão do Rio Bonito.

       José Pereira de Faro, nascido a seis de março de 1832, casou-se no Rio de Janeiro em 1855 com sua prima Francisca Romana Darrigue de Faro com quem teve cinco filhos.

       Homem culto de idéias liberais estudou na Europa e com apenas 20 anos foi administrar a fazenda Floresta deixada pelo pai. Desde então se ocupou da vida rural voltou-se para interesses do desenvolvimento da localidade de São Bendito de Barra do Piraí. Fez construir nesta localidade a belíssima igreja matriz de Sant’Anna (1881), mas não descuidou de suas propriedades, buscando sempre produzir o melhor café para exportação, o que se confirmou na Exposição Nacional realizada em 1861, quando recebeu a medalha de ouro e de menção honrosa.

       Na exposição internacional de Londres realizada em 1862, foi agraciado com a medalha de primeira classe, além de receber diversas menções honrosas. Por esse feito foi agraciado com Ordem da Rosa pelo Imperador D. Pedro II. Em outras exposições, como a de Hamburgo, Altona e Córdoba, também obteve os primeiros lugares na confrontação de seus produtos com os de outros países, como publicado no artigo “A Vida Fluminense”, da “Folha Illustrada”, 1871. Em 1873, auge da sua projeção social foi agraciado com o título de 3º Barão do Rio Bonito.

       Em 1882, quando D. Pedro II visitou a fazenda de Sant’Anna, anotou em seu diário que se encontra no Museu Imperial:

       “... o sistema de Faro é preparar tudo de que precisam as fazendas, até o sabão. O Pão de trigo é bom; mas o de cará mais saboroso. Despolpa e leva o café cuidando de fazê-lo para os terreiros por meio de um plano inclinado sobre que corre um carro. Tem ensaiado diversos sistemas de aprontar o chão dos terreiros; mas ainda não preferiu nenhum”.

       Como progressista que era, defendia a imigração dos estrangeiros e a instalação de um engenho central para fabricação de açúcar e álcool em Barra do Piraí, que ainda hoje, guarda como lembrança sua imensa chaminé.

       Em 1885, hipotecou todos os seus bens ao Banco do Brasil, enumerando seus mais de 800 escravos. Três anos mais tarde, a abolição da escravatura o deixou em sérias dificuldades econômicas e, pouco depois, seus bens foram sendo executados pelos credores.

       Entre suas propriedades agrícolas podemos citar as fazendas Sant “Anna, Alliança e Monte Alegre todas ainda com suas sedes preservadas”.

       O Barão do Rio Bonito faleceu em 1899, com 67 anos, na cidade de Nova Friburgo, na residência do genro Antonio Clemente Pinto, 2º Barão de São Clemente, casado com sua filha Georgina.

       A fazenda Alliança foi arrematada pelo Comendador José Joaquim de França Júnior em 1893, que a vendeu para a firma Ferreira, Borges & Cia em 1897. Em 1912, o casal Otto Frederico e Dra Fernanda Delboug Raulino adquiriu a propriedade, que permaneceu durante mais de setenta anos em posse dessa família. Os herdeiros de Fernanda venderam a Alliança a Sra Carmem Simões Alves de Lima, permanecendo em sua família até 1995, quando foi então adquirida pelos Rabello.

       A fazenda Alliança não foi exatamente a sede principal da família Faro, mas foi, sem dúvida nenhuma, a segunda mais importante.

       Ainda hoje, os mesmos terreiros de secar café, construídos com lajes de pedra na fazenda Alliança, impressionam pela vastidão. O estilo colonial português da fachada da fazenda é peculiar e revela um gosto simples, porém, original, o que a distingue de todas as sedes erguidas no Vale do café. Suas várias edificações anexas, como o enorme engenho de beneficiamento, tulhas e as ruínas da antiga enfermaria, nos dão a noção da vida movimentada de seus proprietários e de seus mais de 800 escravos e empregados.

Texto e Fonte: Adriano Novaes

Informações:
OBS: A Fazenda está em restauro, e podem ser agendadas visitas técnicas sob consulta.
Endereço:
Estrada de Barra do Pirai a Valença
Contato:
Alberto Machado
Tel: (24) 2442-0669
email: amachado@ism.com.br

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Fazenda Vista Alegre

       Francisco Martins Pimentel, açoreano da Ilha de São Miguel, já antes de 1829 estava estabelecido em Valença, nas terras que viriam a integrar a Fazenda Vista Alegre. No final dos anos 40, adquiriu a Fazenda Santa Terezinha (cuja sede original desapareceu) e lá faleceu em 1852. Esta é, provavelmente, a data em que um de seus dez filhos, Joaquim Gomes Pimentel, passou a ocupar a sede da Vista Alegre, imprimindo sua marca na história da Fazenda, e de toda a região, atravé de notáveis atuações pioneiras no campo das artes, da cultura e do desenvolvimento sócio-econômico.

       Alçando em 24 de outubro a posição de Alferes, Joaquim Pimentel recebe, em 28 de Fevereiro de 1864, de D. Luís “El Rey” de Portugal, o título de Visconde de Pimentel. No ano seguinte, registra o primeiro mapa de sua propriedade, bem como de seus vizinhos e parentes, abrangendo uma área que ocuparia de São Francisco a Esteves, aprofundando-se pela Serra da Concórdia (antiga Serra de São Manuel) até o lugar aonde existe hoje a Fazenda da Conquista.

       Em 16 de junho de 1869, torna-se Capitão da Guarda Nacional, já então consagrado pelo dinamismo e pela inovação de métodos e tecnologias de produção rural e na vida social da Fazenda Vista Alegre. Célebre em sua época pelo convívio com as artes, o Visconde de Pimentel frequentemente promovia saraus na Fazenda, para onde trazia apresentações memoráveis de artistas e músicos famosos, como por exemplo o pianista Gotshalk, em 21 de Agosto de 1869.

       O Visconde criou também sua própria banda de música, constituída por 27 escravos libertos. A Banda de Música da Fazenda Vista Alegre costumava apresentar-se em todas as ocasiões festivas da região. Aprendia-se na Fazenda, além de música, as artes teatrais e a religião. A Escola de Ingênuos, como ficou conhecida, foi a primeira no país a alfabetizar filhos de escravos e crianças pobres das redondezas.. A Casa da Música, local onde funcionava a escola, existe ainda, próximo à sede.

       As inovações implantadas na Fazenda Vista Alegre motivaram uma histórica visita do Conde D’Eu a Valença, de 16 a 18 de Setembro de 1876, na qual o Conde teve a oportunidade de participar de animados saraus, visitas às instalações das propriedades de Pimentel, cavalgadas e passeios no lago que existia aonde é hoje o Parque de Exposições de Valença, em cuja nascente mineral refrescou-se.

       Embora tenha atingido fama e grande prestígio em vida, o Visconde de Pimentel faleceu sem ter deixado herdeiros e já com seus bens inteiramente hipotecados à sua irmã, Maria Francisca, viúva do Comendador Manoel Esteves, dono de casa comissária de café. Esta, por sua vez, após retirar todos os bens – móveis, documentos, quadros e objetos -, veio a entregar a Vista Alegre em pagamento de suas próprias dívidas ao Banco do Brasil, por ocasião da derrocada da economia cafeeira na Velha Província, a partir da Abolição. A Fazenda Vista Alegre é adquirida em leilão pela família do Barão de Oliveira Castro em 1901, juntamente com as vizinhas Chacrinha e Campo Alegre.

       Em 1912 chegam à Vista Alegre, trazidos pela mão da família Oliveira Castro, os primeiros imigrantes dinamarqueses do Vale, que vieram a fundar, na Fazenda, a primeira indústria de queijos de tecnologia européia do Estado, os famosos Laticínios Dana. A família Nielssen residiu na Vista Alegre por cerca de trinta anos, tendo desenvolvido e aprimorado queijos de qualidades variadas, até transferirem-se para o sul de Minas, aonde vieram a multiplicar indústrias e marcas de laticínios diversos.

       A Fazenda Vista Alegre pertence, desde 1980, a Delio e Clair de Mattos Santos, que a adquiriram de Eduardo Soares Sampaio, herdeiro indireto do Barão de Oliveira Castro. O Dr. Delio Mattos é advogado e empresário, Cônsul Honorário da República de Malta, Fundador e Conselheiro do Instituto Preservale. Sua esposa, Claïr de Mattos Santos é escritora e editora, tendo escrito, dentre outras obras de ficção, romance e teatro, o livro “Grãos Vermelhos do Vale”, que narra a saga do café ambientada na Fazenda Vista Alegre.

       Após haver desenvolvido também a produção de laticínios, hoje desativada, a Fazenda Vista Alegre dedica-se hoje à criação de gado Canchim, e às atividades de Turismo Cultural. Participando do programa de Visitação Orientada do Instituto PRESERVALE, destinado a promover o conhecimento e a pesquisa dos Patrimônios Históricos e Culturais do Vale do Paraíba, a Vista Alegre mantém a tradição de um importante legado histórico, oferecendo a todos os que a visitam um pedaço da memória nacional.

Texto e Pesquisa: Sonia Maria Mattos Lucas

Informações:
Sonia Mattos Lucas
Tel:
(21) 8118-0007 ou (24) 9831-9627 ou (24) 2453-5116
e-mail: soniamlucas@preservale.com.br

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Fazenda Santo Antônio do Paiol

       A Fazenda Santo Antônio foi aberta em terras da sesmaria concedida em 1814, por provisão a João Soares Pinho, que já se havia estabelecido nesta fazenda desde 1807, quando estas ainda eram consideradas “terras devolutas”. Alguns anos depois, foram adquiridas por Francisco Martins Pimentel, que já estaria estabelecido na vizinha sesmaria de Santa Teresa.

       Em 1850, casava-se, no oratório de Santa Teresa, com Francisca, a filha de Pimentel, Manoel Antônio Esteves, recebendo como dote a fazenda Santo Antônio do Paiol. Seria a segunda e a mais próspera fase daquele estabelecimento cafeeiro. Logo após o casamento, morre o sogro e Esteves, com a fortuna aumentada, manda construir nova sede, em frente à pioneira Santa Teresa. Terminada em 1852, a casa foi dotada com todos os requisitos exigidos de uma fazenda de café do ciclo.

       Desenvolvendo profícua atividade, Esteves ampliou os cafezais, adquirindo ou abrindo novas fazendas, tais como São Manuel, Ribeirão, Santa Catarina, São Francisco, Nazaré e Boa Vista. Nelas chegou a ter mais de seiscentos escravos. Eliminando intermediários, ele mesmo negociava a produção, operando no Rio de Janeiro e em Santos com a firma exportadora Esteves & Filhos. Se já era grande fazendeiro, tornar-se-ia grande comissário de café. Como uma das mais proeminentes figuras do vale, Esteves se empenhou nas gestões que viabilizaram a construção da Estrada de Ferro União Valenciana, com evidentes benefícios para a economia local. Da estrada de ferro seria o primeiro presidente, e por seu trabalho receberia do governo imperial a comenda da Ordem da Rosa.

       Manoel Antônio Esteves morreu em sua casa do Rio de Janeiro em 1879, no auge de seu prestígio e da fortuna que legou aos filhos. Sucede-lhe na administração dos negócios o filho Francisco Martins Esteves, pessoa de cultura e saber, de hábitos refinados, amante da música clássica e da ópera. Residiu em Paris por algum tempo, ao se casar com Ana Carolina, filha do conselheiro e ministro do Império, Zacarias de Góes e Vasconcelos. Retornando ao Brasil, trabalhou na comissaria e na fazenda Santo Antônio, sem demonstrar gosto ou inclinação para o mundo dos negócios. Administrando a fazenda como lhe era possível e já enfrentando os contratempos que sucederam a derrocada do ciclo, Francisco adquire partes dos demais herdeiros e fixa-se definitivamente em Paiol, que passou a gerir juntamente com o filho, Marcos Zacarias Manoel Esteves, depois seu sucessor na fazenda em franca decadência.

       Em meio às maiores dificuldades, os Esteves se desfazem de parte das terras, com a finalidade de assegurar a manutenção das benfeitorias. Marcos morreria precocemente em 1941, e sua viúva desde então desenvolveu esforço que deve ser enaltecido. Com a fazenda praticamente desativada, sem renda e com o patrimônio em terras sensivelmente reduzido, Francisca Olympia Alves de Queiroz Esteves lutou determinadamente para preservar como pôde todo o acervo móvel e imóvel de Santo Antônio. Assumindo uma ligação afetiva com a memória da fazenda, do marido e da saga dos Esteves, empenhou-se com denodo para manter vivo tudo que dissesse respeito a Marcos e aos Esteves.

       Assim chega até o ano de 1969, quando, idosa, não mais podendo prosseguir em seu propósito, e nem mesmo se manter na fazenda, toma a deliberação de doá-la a uma entidade religiosa, a Congregação da Pequena Obra da Divina Providência (Don Orione), como último recurso para manter a propriedade e os pertences dos Esteves.-No ano de 1990, a Fazenda Santo Antonio do Paiol foi arrendada por Rogério Vianna, empresário carioca que, juntamente com sua esposa Maria Alice, empreendeu uma grande reforma na sede, já então desgastada pelo tempo. Nesta empreitada, foram recuperados a sede, o mobiliário e, especialmente, foi organizado o acervo documental da Fazenda, magnífico legado preservado pela família Esteves que, não obstante, havia permanecido inacessível aos olhos de pesquisadores e interessados. Sócio Fundador do Instituto PRESERVALE, Rogério restituiu à Fazenda Santo Antonio do Paiol a sua dignidade e importância histórica, bem como resgatou, em meio aos documentos encontrados em Esteves, informações de enorme valor histórico, que estão sendo hoje pesquisados e catalogados a partir de projeto do Instituto PRESERVALE. A Fazenda voltou às mãos da Ordem Dom Orione no ano de 2000, e está retomando, com o PRESERVALE, as atividades de Turismo Cultural iniciadas por Rogério e Maria Alice Vianna.

Fonte: Fazenda Santo Antônio do Paiol
Revisão: Sonia Mattos Lucas

Informações:
Frei Geraldo Magela
Tel:
(24) 2458-4720
e-mail: fazenda.santo_antonio_paiol@yahoo.com.br

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Fazenda Pau D'Alho

       A fazenda do Pau D’Alho teve origem nas terras da sesmaria concedida a Joaquim Marques da Silva e sua mulher D. Faustina Angélica de Moura, denominada Cachoeira de Santa Rosa.

       Sua excelente localização geográfica, nas proximidades da Aldeia de Valença, facilitou sua abertura ainda em princípios do século XIX, sendo assim uma das pioneiras na zona da recém fundada Aldeia.

       Marques da Silva, que havia se estabelecido na Fazenda de Santa Rosa, teve muitos filhos que, após constituírem família, estabeleceram-se na sesmaria, dando origem a outras pequenas propriedades como Pau D’Alho.Após o falecimento de Joaquim Marques da Silva, a viúva e os filhos dividem as terras, vendendo parte delas.

       Em 1835, a viuva D. Faustina, vende parte das terras da Fazenda Pau D’Alho ao comendador José da Silveira Vargas . Silveira Vargas foi Comendador da Ordem da Rosa e seria em 1826 o primeiro presidente da Câmara Municipal de Valença e um dos maiores animadores de seu progresso. Vargas inaugurou em Valença um período de importantes realizações, sendo responsável pelo primeiro passo em prol da instauração do ensino primário na vila, da fundação da Santa Casa de Misericórdia e da construção da matriz de N. Senhora da Glória. Foi também pioneiro na vacinação antivariólica e na preservação do meio ambiente valenciano, combatendo ecologicamente as pragas que atacavam a lavoura de café.

       Embora tenha feito de sua Pau D’Alho um importante empreendimento agrícola, em cuja propriedade trabalhavam cerca de 170 escravos, Vargas não se dedicou com afinco às atividades da lavoura cafeeira. Era político e capitalista, sendo na época um dos maiores acionistas do Banco do Brasil. Ao morrer em 1861, deixou um capital acumulado em 1, 016 : 494 # 974 contos de Réis.

       Após a morte de Vargas a fazenda ficou em poder da viúva D. Maria Joaquina da Silveira e os seis filhos do extinto casal: D. Bárbara, D. Carolina, D. Placidina, Custódio, Antônio e Alexandre, cuja administração da fazenda a este último caberia.

       Em 1866, falece D. Maria Joaquina, e Pau D’Alho fica em poder dos filhos Carolina, Placidina, Custódio e Alexandre. Na época contando com uma área de 562 e meia braça, por 1 500 de fundos em terras, Pau D’Alho era um verdadeiro celeiro para Valença. Produzia além de café, muito milho, arroz, mandioca, feijão, carne de porco, além de madeira para construção, lã de carneiro e algodão.

       Em fins do século XIX, o café encontrava-se em profunda decadência em todo Vale do Paraíba. Muitas fazendas estavam hipotecadas aos bancos nesta época e, com a Abolição da Escravatura em 1888, a situação ainda mais se agravara. O mesmo ocorria em Pau D’Alho.

       Luís Damasceno Ferreira, filho de D. Placidina e do comendador João Damasceno Ferreira, nesta época estudava medicina no Rio de Janeiro. Abandonou o curso e veio para Valença administrar a fazenda dos pais e tios, que encontrava-se com sua economia abalada. Damasceno, ilustre autor da “História de Valença”, dirigiu a fazenda até 1897 quando foi vendida ao comerciante italiano Vito Pentagna, que já era proprietário nesta ocasião da vizinha Fazenda Santa Rosa.

       Nicolau, Caetano e Vito Pentagna eram filhos de Saverio Pentagna e Giuseppina Sorrentino, oriundos da vila de Scário, província de Salerno - Itália. Como tantos outros italianos, fugia do crescente empobrecimento do sul do país, buscando as glórias prometidas pelo café do outro lado do Atlântico. Nicolao foi o primeiro a chegar no Brasil em 1863.

       Em 1878, Nicolao transfere-se para Valença, onde tornou-se sócio do português Manuel Pereira Sampaio na casa comercial “Pentagna & Sampaio “, constituindo uma das maiores da região. Logo depois chegaram em Valença os outros irmãos Vito e Caetano. Vito trabalhou como tropeiro entre o sul de Minas e Valença. Não tardou e entrou para sócio da firma “ Pentagna & Sampaio” e seu nome não demorou a ser sinônimo de líder comercial. Em seguida, torna-se proprietário da Fazenda de Santa Rosa.

       Dotado de tino industrial, aproveitou o represamento do Rio das Flores em sua Fazenda Pau D’Alho, iniciando em 10 de março de 1912 a construção de uma usina hidrelétrica para proporcionar a concretização de seu velho sonho de instalar mais uma indústria em Valença. Logo após, em 07 de setembro de 1913, era fundada a Cia. Fiação Tecidos Santa Rosa.

       Faltando pouco para ver definitivamente concluído seu maior empreendimento, falecia Vito Pentagna vítima de um infarto.

       Após a morte de Vito em 1914, a fazenda passou às mãos da viuva Urbana de Castro Pentagna. Esta legou por sua morte, em 1940, ao filho Dr. Savério Pentagna, advogado , industrial e político.

       Dr. Savério esteve sempre dinâmico à frente da direção da fábrica Santa Rosa, enfrentando momentos difíceis, que só puderam ser contornados por sua grande habilidade. Com a saúde abalada, em 1953 coordenou a venda do controle acionário da Companhia para seu cunhado Dr. Júlio Mourão Guimarães. Pouco tempo depois veio a falecer.

       O atual proprietário é o Humberto Vito Ribecco Pentagna, único filho varão do Dr. Savério, que desde cedo dedicou grande interesse pela fazenda, colocando-se logo que a idade o permitiu, à frente de sua administração. Para assistí-la de forma mais completa, buscou formação profissional adequada, tornando-se engenheiro agrônomo. Em plena atividade, Humberto já tem sua continuidade assegurada emseu filho Savério Vito Pentagna, 4º geração da família na fazenda, um fato raro nos dias atuais.

       A principal atividade econômica da Fazenda Pau D’Alho sempre foi o café, que aos milhares de pés, cobria seu vasto solo, abarrotando de grãos as grandes tulhas. A libertação dos escravos e a conseqüente decadência da lavoura cafeeira em todo o estado transformaram, como na maioria das fazendas da região, seus cafezais em pasto para o gado. Nos anos 60 voltou-se ao plantio original do café.

       Em suas terras, além dos pastos para o gado bovino, há plantações de milho e feijão e uma grande variedade de árvores frutíferas. Encontramos também belas quedas d’água, sendo digna de nota por seu valor histórico e magnificência, a Usina Hidrelétrica Vito Pentagna, cuja barragem, que represa o Rio das Flores, foi inaugurada em 1943, em substituição a uma antiga existente. Responsável pelo fornecimento de energia da Companhia Fiação e Tecidos Santa Rosa, esta usina atendeu também a particulares em Valença. Com uma localização privilegiada, em meio a um cenário de grande beleza natural, inspirou uma justa homenagem da internacionalmente famosa Rosinha de Valença, que compôs “Usina de Prata”, interpretada pelo cantor Ney Matogrosso. Sócios Fundadores do Instituto PRESERVALE, Humberto e sua esposa, Aparecida Pentagna, recebem grupos de Turismo Cultural em visita orientada pela propriedade, recentemente restaurada pela família.

Texto e Pesquisa: Adriano Novaes
Revisão: Sonia Mattos Lucas

Fontes:
Anotações de Fernando Antônio Ielpo Jannuzzi Filho
Arquivo do Museu da Justiça, Rio de Janeiro
Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Cartório do Segundo Ofício, Valença

Informações:
Aparecida Pentagna
Tel:
(24) 2453-3033
e-mail: carlapentagna@yahoo.com

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Fazenda Florença

       Com a chegada do café no Vale do Paraíba em princípios do século XX, famílias inteiras migraram para a região, a fim de se dedicarem aos negócios da lavoura. Entre tantas, destaca-se a irmandade dos Teixeira Leite, uma das mais proeminentes. Precursores de uma série de idéias inovadora como, por exemplo, a Estrada de Ferro D. Pedro II e o primeiro Banco Agrícola no interior da Província, espalharam-se pela pelas comarcas de Vassouras, Valença, Barra Mansa e Além Paraíba.
       Mineradores na região de São João Del Rei, o primeiro a chegar foi Custódio Ferreira Leite Guimarães, futuro Barão de Ayuruoca.
       Ayuruoca tornou-se quase uma lenda na região, a ele é atribuída a propagação do café no Vale, assim como a abertura de estradas e pontes para escoamento do precioso grão.
       Sabendo da distribuição de terras pelo Coroa Portuguesa na região, trouxe consigo, inúmeros parentes. Tão cedo, tornaram-se os irmãos, sobrinhos e primos, fazendeiros de café.
      Entre eles, o irmão Anastácio Leite Ribeiro ( 17?? –1853), que adquire duas sesmarias que confrontavam com sesmaria dos índios Araris, no “Conservatório de Santo Antonio do Rio Bonito”.
       Anastácio fundou a fazenda São José do Rio Bonito, cuja sede muita bem localizada, ainda jaz em vales conservatorienses.
       De seu casamento como Maria Esméria d’ Assunção nasceram os filhos: Anna Maria Esméria, que foi a primeira mulher do Futuro Barão de Vassouras, fundaram fazenda Cachoeira Grande em Vassouras; João Ferreira Leite; Joaquim Leite Ribeiro, foi Juiz de Paz em Conservatória; Francisco Leite Ribeiro, depois da morte dos pais ficou com a fazenda São José e Boa Vista; Marianna Cândida casou com primo Francisco Leite Pinto, foram fazendeiros em Mar de Espanha; Custódio Ferreira Leite; Maria Francisca Leite; Anastácio e finalmente José Leite Ribeiro, que após a morte dos pais, fundou a fazenda Florença.
       Um belo exemplar da arquitetura neoclássica dos oitocentos o Solar da Florença é marcado pelo alpendre com frontão neoclássico, raros nos solares do Vale Cafeeiro.
       José Ferreira Leite viveu ate 1861, ficando a fazenda com seus herdeiros até o final do século XIX.
       Em princípios do século XX foi adquirida pela família de Lupércio de Castro, cuja família foi proprietária durante anos.

Texto e Pesquisa: Adriano Novaes

Fontes: - FERREIRA, Luis Damasceno, História de Valença. 2ª edição, Valença, Editora Valença, 1998.
- RIBEIRO, Armando Vidal, Família Vidal Leite Ribeiro – Genealogia - Reminiscências. Edição particular.
- TELLES, AUGUSTO DA SILVA. “ Vassouras - Estudo da Construção Residencial Urbana”. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
- STEIN, Stanley. J. “Vassouras um Município Brasileiro do Café, 1850-1900”, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.
- NUNES, Luiz Gonzaga, Os Leite Pinto. Belo Horizonte, Rona, 1986.
- LIMA, Roberto Guião de Souza, Fazenda São Lourenço. Colégio Brasileiro de Genealogia 2000.
- IÓRIO, Leoni. Valença de Ontem e de Hoje. Cia Dias Cardoso, J de Fora. 1952.
Locais Pesquisados:
Museu da Justiça – Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro – RJ
Inventário de D. Maria Esméria d’Assunção – 1842 / caixa 115 – proc. Nº 1117

Informações:
Paulo Roberto dos Santos
Tel:
(24) 2438-0124
Site: www.hotelfazendaflorenca.com.br

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Fazenda da Bocaina

       A história da Fazenda da Bocaina, reflete um dos processos de ocupação do território no Vale do Paraíba do Século XIX. Não aquele dos grandes proprietários que, ao prosperarem, trocavam favores com o Império e adquiriam títulos nobiliárquicos, aumentando suas terras, deixando legados aristocráticos e grandes dívidas com os bancos. Ao contrário, revela a mobilidade das famílias rurais em sua conquista pela sobrevivência, modelando assim a experiência histórica de um grande contingente da população regional, comprometido com a pequena propriedade, a lavoura e a vida nas cidades da província fluminense.
       A Fazenda da Bocaina está situada no Município de Valença – RJ, localizando-se à 130km do Rio de Janeiro e a 350 km de São Paulo, fazendo parte do circuito do Ciclo do Café e do pool das fazendas históricas do Instituto Preservale.
       A propriedade fez parte da sesmaria concedida pelo Príncipie Regente D. João VI à D. Bárbara Joaquina em 1816 no “Sertão de Valença”.
      Sua sede tem, aproximadamente, 160 a 180 anos, tendo sido erguida mesmo antes do apogeu do Ciclo do Café.
       As áreas requeridas na época eram muito cobiçadas nesta ocasião pela proximidade com o rio Paraíba do Sul (até então principal meio de penetração no Sertão de Valença) e com a Aldeia de Valença que foi fundada em 1803.
       Sua principal produção na época era de cereais e víveres que abasteciam o Rio de Janeiro e a própria Aldeia de Valença.
       Este tipo de propriedade é bem antiga, com características típicamente mineiras e que se costumava intitular de “cabeça de sesmaria”, porque as casas eram bem simples e abrigavam os primeiros portugueses que aqui aportavam (os que vinham realmente desbravar e trabalhar).
       A partir dessa sesmaria e com a expansão do cultivo do café, ela foi dividida e vendida a outros proprietários que construíram casa maiores e mais suntuosas como a Fazenda da Cachoeira (antiga Fazenda da Floresta) que ficava à noroeste da sesmaria e a Fazenda Boa Vista, que se situava na testada da sesmaria, onde hoje se ergueu o bairro São Francisco. Desta Fazenda não sobrou nenhum vestígio, a não ser um enorme tronco centenário no coração do bairro.
       A Fazenda da Bocaina possuiu aproximadamente seis proprietários, incluindo o atual, que a adquiriu em 1981.

       BOCAINA, etimologicamente é um vale na montanha, local onde a propriedade foi construída.
       A atual proprietária e sua família reconstituíram ao longo dos anos, minuciosamente, as características originais da sede e seus arredores, que estavam muito abandonados, realizando outras construções de igual arquitetura.
       Foi residência de veraneio por todo esse tempo e hoje está aberta para visitação histórica de grupos previamente agendados com café colonial ou almoço antecipadamente marcados.
       A propriedade é produtiva e seleciona Nelore de Elite.

Pesquisa: Adriano Novaes
Texto: Solange Goes
Fontes: Fazenda da Bocaina

Informações:
Solange Azevedo de Araujo Goes
Tel:
(24) 8823-4266 / 9965-1048 ou 2453-3266 / 2453-8100
Site: www.fazendabocainarj.com
e-mail:
fazendabocainarj@hotmail.com

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Fazenda Chacrinha

       Tudo leva a crer que o cidadão Manoel Pereira de Souza Barros adquiriu, em meados da década de 1840, de Joaquim José dos Santos, duas sesmarias no sertão dos índios Coroados de Valença, nas margens do rio das Flores, requeridas em 1805 e 1813 a Dom Fernando José de Portugal, Capitão General de Mar e Terra e Vice-Rei do Estado do Brasil.
       Durante as décadas de 1850 e 1860, Capitão Souza Barros desenvolveu suas fazendas com lavoura de café. Segundo o historiador valenciano José Leoni Iório, a fazenda Chacrinha ficou reservada ao filho de igual nome, Manoel Pereira de Souza Barros, que tendo sido atacado de moléstia grave, em sua adolescência, abandonou o curso que estava fazendo na Faculdade de Direito de São Paulo, e seu pai viu-se obrigado a mandá-lo para Portugal, onde se submeteu a rigoroso tratamento. Iório menciona ainda que, após a chegada do filho, já restabelecido da doença, foi oferecida em Campo Alegre uma grande festa em sua homenagem. Nesta festa o agora Comendador Souza Barros fez pesar o jovem rapaz em uma balança, colocando em um dos pratos barras de ouro. O seu peso em ouro foi o valor do dote que lhe dera o seu progenitor.  Daí, a alcunha — menino de ouro — que lhe deram muito apropriadamente.
      Logo em seguida, Manoel Pereira de Souza Barros casou-se com a prima D. Rita Arnalda Pereira de Souza Barros, com quem teve onze filhos, sendo que dez atingiram a idade adulta.
     A atual sede da fazenda Chacrinha, que substitui uma modesta casa de vivenda construída por Santos, começou a ser edificada no final da década de 1860, o que coincide com o retorno de Manoel para a fazenda do pai.
      A partir do final da década de 1860, o Tenente Coronel Manoel Pereira de Souza Barros se dedica aos negócios da fazenda em companhia do pai. Participa ativamente da vida social e política da cidade de Valença, porém não se afasta do ambiente social da Corte. Divide o seu tempo entre Valença e a Capital do Império do Brasil, onde transforma a antiga residência de seus pais em um elegante palacete.
      Os investimentos tecnológicos, logísticos e sociais implantados na vida da Campo Alegre por Souza Barros, mesmo depois da morte de seu pai, nos fazem acreditar que ele abandonou o projeto de residir na Chacrinha. A mudança de idéia teria sido a favor do filho mais velho, também chamado Manoel Pereira de Souza Barros, para quando este atingisse a idade adulta e estivesse pronto para gerir os negócios da fazenda.
      Souza Barros participa ativamente na viabilização da fundação da Companhia Estrada de Ferro União Valenciana. Além de sócio, seria também presidente da Companhia em 1870.
      Em suas terras fez construir a estação que levou seu nome, “Souza Barros”, que tempos depois teve o nome mudado para “Estação de Chacrinha”, dando origem ao bairro do mesmo nome. A partir desta estação, construiu uma linha férrea de sete quilômetros até Campo Alegre, por tração animal.
      Em 17 de dezembro de 1881, Manoel Pereira de Souza Barros é agraciado com o título de barão de Vista Alegre, coroando o auge de sua ascensão social. O momento histórico coincide com a quase conclusão do luxuoso Solar da Chacrinha, avaliado na época em 30 contos de réis.

      Para marcar a época, manda colocar uma cartela com as inscrições do ano de 1881 na porta lateral do Solar da Chacrinha. Este momento foi registrado pelas lentes do fotógrafo Marc Ferrez, que, em visita às fazendas do barão de Vista Alegre, realizou, além das fotos da Chacrinha, diversas fotos da fazenda Campo Alegre, principalmente de escravos no eito. Estas fotos constituem para a História verdadeiras relíquias de registro do trabalho escravo nas fazendas cafeeiras oitocentistas.
      Além da produção de café, Chacrinha se consolida como importante produtora de aguardente, uma das poucas fazendas com produção em escala comercial.
      Uma outra paixão dos barões de Vista Alegre é o turfe. Além de participar da fundação do Derby Club na Corte do Rio de Janeiro, o barão constrói, próximo à fazenda Campo Alegre, um prado particular Seus cavalos importados fazem sucesso no Derby e até mesmo fora do Brasil, como, por exemplo, em turfs na Argentina.
      A égua puro-sangue inglês Frinéia, campeã internacional, foi citada no jornal La Prensa de Buenos Aires, quando da inauguração do Hipódromo de Buenos Aires, por haver ganho o prêmio.
      Vista Alegre herdou do pai 234 escravos. Aos poucos, foi libertando seus escravos, o que geralmente acontecia no dia 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da fazenda Campo Alegre. A exemplo de seu vizinho, o visconde de Pimentel, o barão de Vista Alegre cria em sua fazenda Campo Alegre uma escola para “ingênuos”, crianças filhas de escravos que haviam nascido após a Lei do Ventre Livre.
      De nada adiantaram as iniciativas acima. A abolição veio, e com ela a falência dos Vista Alegre.
      Em 14 de maio de 1890, o barão hipoteca ao Banco da Lavoura e do Comercio do Brasil a fazenda Campo Alegre, sítio Retiro e alguns imóveis urbanos na Capital.    Com a possibilidade de perder tudo que havia conquistado e com a saúde abalada por complicações cardíacas, com a idade de 42 anos, em 8 de janeiro de 1891, o barão de Vista Alegre falecia, repentinamente, no seu palacete da rua Conde d’Eu. Seus restos mortais foram inumados no cemitério de S. João Batista, no Rio de Janeiro.
      A fazenda Chacrinha que estava hipotecada foi arrematada pelos Esteves, Irmãos e Cia, por 195:295$000.
      Sem sabermos do real motivo da dissolução do patrimônio rural dos Esteves, o certo é que estes hipotecaram ao Banco do Brasil as fazendas Chacrinha (5/8/1892), Campo Alegre, Santa Thereza e Vista Alegre, estas duas últimas havidas em execução de uma hipoteca do visconde de Pimentel datada de 8/8/1881, no valor de 120 contos de réis.
      Levadas novamente a leilão pelo Banco do Brasil, em 1901, as quatro fazendas acima mencionadas são adquiridas pelos irmãos Álvaro e Horácio Mendes de Oliveira Castro.
      Com os Mendes de Oliveira Castro um novo ciclo se inicia na história dessas fazendas.
      Depois de fechado o negócio, os irmãos Oliveira Castro formaram a sociedade denominada Desde o início, Álvaro assumiu a administração direta da Companhia Alliança Agrícola, proprietária das fazendas Santa Thereza, Vista Alegre, Campo Alegre, Caieira, Chacrinha e o sítio Retiro (Velho).
      Empreendeu a modernizou o sistema de beneficiamento de café da Campo Alegre, ampliou a linha férrea até a sede da Chacrinha e substituiu os bondes de tração animal por pequenas locomotivas à vapor. Reformou a antiga estação “Souza Barros” e mudou seu nome para “Estação de Chacrinha”. Diversificou as atividades agrícolas nas fazendas, introduzindo nas propriedades o gado de leite e a produção de laticínios.  Para a produção de laticínios, Álvaro centralizou a produção na fazenda Vista Alegre, aproveitando as antigas instalações do engenho de café da fazenda. Para melhorar a produção da manteiga produzida em Vista Alegre, convidou o dinamarquês Malm Nielsen, que, com essa sociedade, mudaria completamente a história da produção de queijos finos no Brasil.
      Aos poucos, os enormes cafezais vão sendo substituídos por pastos, como se sucedeu com todas as fazendas do vale do Paraíba.
      Com o passar dos anos, Álvaro adquire a parte de Horácio na sociedade, tornando-se único proprietário da Companhia e, em 1956, toma a iniciativa de dividir seu patrimônio entre seus cinco filhos.
      Em 1985, os irmãos Oliveira Castro vendem Chacrinha ao empresário e médico carioca Dr. Pedro Alberto Guimarães, um apaixonado por antigas fazendas de café, que adquiriu e recuperou da ruína algumas casas históricas, entre elas Santana do Turvo, em Barra Mansa, e São Fernando, em Vassouras. Com Chacrinha não foi diferente, embora seu estado de conservação fosse excelente. Em agosto de 1987, as obras de restauração foram inauguradas com toda pompa e circunstância.
      Dr. Pedro Alberto, em 1996, resolve vender Chacrinha ao casal de advogados cariocas Sérgio Shaione Fader Fadel e Hecilda Martins Fadel, com raízes no vale do Paraíba.
      Chacrinha não poderia estar em melhores mãos. A sensibilidade artística do casal Fadel se uniu ao gosto pela história desta aristocrática propriedade.
      Sérgio continua com a vocação econômica da fazenda mantendo a criação de gado da raça nelore e girolando para corte e leite, além da produção da aguardente ‘Chacrinha’.
      A Sérgio e a sua dedicada esposa Hecilda, o mérito de fazer perpetuar a vocação histórica da fazenda Chacrinha, como monumento histórico a ser preservado.
       A propriedade é produtiva e seleciona Nelore de Elite.

Texto e Pesquisa: Adriano Novaes
Revisão: Sonia Mattos Lucas

Informações:
Estrada de Chacrinha s/n - Valença-RJ
Contato:
Drª. Hecilda Fadel
Tel:
(21) 2262-8685 - Fax: (21) 2240-5458 ou (24) 2453-4661
OBS: A Fazenda recebe para visitação guiada, com reserva antecipada. Abre anualmente para concertos do Festival Vale do Café.

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Fazenda União

       A sede da Fazenda União é um exemplar de propriedade rural do ciclo cafeeiro. Na opulência do meio produtivo rural, As casas tinham um porte avantajado, dotadas de importância arquitetônica e muitos cômodos, de volume e imponência maior do que se imagina para uma residência apenas familiar. Podemos encontrar outras casas grandes do gênero ao longo do Vale do Paraíba, apontando claramente para uma certa tendência à excentricidade e por vezes até ao exibicionismo dos então, Barões do Café.

       A história da Fazenda União inicia-se em 1802, quando José do Amaral obteve por concessão a Sesmaria do Paraíso.Ficando durante onze anos sem condições para explorar as terras, resolve vendê-las para João Pereira Nunes em 1813, que também não produziu, não beneficiou nem plantou nada em seus campos.
Em 1814, o Capitão Bernardo Vieira e sua esposa Dona Escolástica Maria de Jesus , compraram estas terras sem produção alguma e inexploradas, o casal então deu o nome de Fazenda do Paraíso à propriedade recém adquirida.

       Com o falecimento do Capitão Bernardo Vieira em 1838, as terras da Sesmaria foram dividas em sete partes , dando origem às Fazendas União , Esperança, Sapucaia, São Luis, São Policarpo, Divisa e Sossego.
Desta partilha de bens entre herdeiros, coube a José Vieira Machado e sua esposa Dona Lina Laudegária Vieira e Souza as terras em que atualmente se encontra a Fazenda União. Em 05 de Setembro de 1853 a propriedade foi vendida para Antônio Pereira da Fonseca Júnior, que adquire também a Fazenda Esperança. O novo proprietário recebe a escritura com o nome de Saudades do Rio.

       Em 18 de Setembro de 1859, a Fazenda retoma o seu antigo nome de União, através do Barão e , mais tarde , de Visconde do Rio Preto, sendo esse o seu mais próspero e ilustre proprietário. Por causa de sua localização privilegiada, situada ao longo do caminho para as Minas Gerais, a fazenda tornou-se passagem e pouso obrigatório para viajantes, impondo-se como uma das mais concorridas, da então recém fundada, freguesia de Santa Teresa d Valença.Filho do Visconde do Rio Preto, o Barão Domingos Custódio Guimarães Filho, recebe em 1867 a Fazenda União como dote de casamento, tornando-se proprietário, juntamente com Dona Maria Balbina de Araújo, sua esposa Posteriormente, em 1873, o médico Camilo Bernardino Fraga e sua esposa Dona Luíza Vieira da Cunha Fraga, tornaram-se seus proprietários. A abolição da Escravatura em 1888, acelerou o processo de decadência do ciclo e das fazendas de café.

       Em 1901, a agora viúva Dona Luíza, enfrentando graves dificuldades financeiras, vê-se obrigada a hipotecar a fazenda à João Alves Montes. Em meados do ano de 1918, o Senhor Melchiades Augusto de Mourão Matos, que havia sido padre e abandonou o celibato para desposar Dona Olga Morgante Ferreira, compra a propriedade. Vendendo-a quatro anos mais tarde, em 1922, para José Rodrigues de Almeida e sua esposa Dona Prudência. O casal resolve então mudar a atividade produtiva da fazenda para a criação do gado leiteiro, que em todo o Vale do Paraíba, tornara-se a atividade econômica principal. A Fazenda União permaneceu com os herdeiros de José Rodrigues de Almeida até 1972, quando foi vendida para Vicente Crispin de Oliveira e Dona Filomena Faria de Oliveira. Adquirida por João Manoel dos Reis Filho em 1992, o prédio centenário foi revitalizado e orientado a atender aos requisitos do conforto moderno, foram recuperados o telhado, as paredes de pau a pique, os pisos e toda estrutura em madeira e até os seus porões. O entorno da imponente sede recebeu um elaborado cuidado paisagístico, onde se procurou preservar as árvores centenárias e as preferências botânicas do requintado período colonial.O mobiliário foi então acrescido de preciosas peças de época, recuperadas e adquiridas em leilões, antiquários e incansáveis inserções pela região do vale . Em um trabalho feito ao longo dos anos, todo o seu interior recebeu tratamento arquitetônico e artístico compatível à época colonial.

       Mais tarde, João Manoel casa-se com Dona Rosalina Monteiro dos Reis e, no sentido de preservar e divulgar o estilo de vida e os costumes do nosso período colonial, sobretudo durante o ciclo do café no Vale do Rio Paraíba , o casal vem preservando as tradições, e para oferecer a hospitalidade e o provincianismo daquela época,transformaram a Fazenda União em um espaço de cultura e lazer.

Texto e Fonte: Ana Helena Ribeiro Telles Santos

Informações:
João Reis
Tel:
(24) 2453-2940 ou 9845-7351
email: fazendauniao@yahoo.com.br

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Fazenda Santo Antônio

       Esta Fazenda foi um presente de casamento do Visconde de Ipiabas para sua filha Cândida Peregrina, no enlace com o Comendador Benjamin Salles Pinheiro. Mais tarde vereador e Prefeito de Valença e um dos fundadores da estrada de ferro Rio das Flores. Em 1865 ampliou a Casa Grande dotando-a de todo o luxo e conforto próprio da burguesia oitocentista.

       A Fazenda foi propriedade do Visconde de Ipiabas, homem de grande influência no Brasil Império - Ciclo do Café.

Informações:
Arturo Pereira
Tel:
(24) 2488-2148 ou (21) 9889-7017
e-mail: fazstoantonio@hotmail.com
Link de Rio das Flores: www.riodasflores-artur.com.br

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Fazenda Paraíso
(Estrada Rio das Flores – Paraibuna, 9,3 km após Rio das Flores- RJ,
no seu distrito de Manuel Duarte)

       Atualmente, a Fazenda Paraíso está na mini-série "Um Só Coração", da TV Globo.

       A “Jóia de Valença” como dizem os historiadores, pertencia na época do café à freguesia valenciana de Santa Thereza, famosa pela suas condições favoráveis ao cultivo da rubiácea, pelas importantes fazendas com seus magníficos solares rurais e pela maior concentração de fazendeiros nobilitados (barões, viscondes e condes) de toda a rica e grande região de serra acima da cidade dos marqueses.

       O nome original dessa fazenda era Flores do Paraízo, provavelmente em homenagem ao Rio das Flores que corre em suas terras e pouco adiante deságua no Rio Preto e, também, por ser mesmo um paraíso.

       O conjunto agrícola de grande porte – do qual considerável parte ainda hoje se vê – foi construído por Domingos Custódio Guimarães, 1o barão e depois visconde do Rio Preto e era a sede de seu império cafeeiro. Ao morrer deixou cerca de 15 grandes propriedades agrícolas nas Províncias Fluminense e Mineira, além de casas, palacetes urbanos e inúmeros outros bens (vale a pena conhecer, em Valença, o palacete dele, hoje a Faculdade de Economia, e o mausoléu da família no cemitério do Riachuelo).

       A residência da Fazenda do Paraíso, um solar de dois andares de inspiração neoclássica em forma de U, foi construído solto no meio do terreno. Tal construção é ricamente ornamentada por fora com obras de cantaria, ferro e madeira e por dentro com paisagens, pinturas “trompe l’oeil” e “faux marbre” do pintor espanhol José Maria Villaronga, papéis de parede franceses, ricos trabalhos de marcenaria, em especial, nos pisos, além de outros em variados tipos de ladrilhos hidráulicos, etc. O interior, ricamente decorado com móveis, estatuetas, lustres e espelhos tem, para arrematar, uma capela interna que ocupa a altura dos dois andares e parte considerável da profundidade do casarão na sua ala esquerda.

       Nesse conjunto agrícola e nesse ambiente requintado, ambos particularmente enfeitados e engalanados, no dia 7 de setembro de 1868, data em que o jovem Império do Brasil completava 46 anos de idade, foi comemorada a inauguração da ligação rodoviária de Manoel Duarte com a estrada União e Industria. A data foi propositadamente escolhida pois coincidia com o dia do aniversário do visconde do Rio Preto, que faria 66 anos, posto ter sido ele o grande incentivador da ligação mencionada e que facilitaria, em muito, o escoamento do café desta parte da região valenciana e das fazendas dele, naturalmente. Para tanto, foi montada uma monumental festa para comemorar os três eventos. Aconteceu o imprevisto. Em meio à grande festa quando, sob aplausos, o visconde do Rio Preto adentrava a rica sala de entrada do solar, ele veio a falecer de fulminante ataque cardíaco nos braços da viscondessa e amparado por parentes e por personalidades como Mariano Procópio Ferreira Lage – engenheiro, construtor da estrada e figura de proa da festa, José Francisco de Mesquita - o marques de Bonfim, ex-sócio e amigo particular do aniversariante, e na presença de um sem número de ilustres convidados de vários locais da Província Fluminense, em particular de Valença e da Corte.

       Paraíso, ainda guardando muito do esplendor do passado quando, certamente, era a mais rica e suntuosa casa sede do café do Vale do Rio Preto e após passar por outros proprietários, foi vendida em 1912 ao cel. Alexandre Belfort Arantes descendente de tradicionais troncos mineiros, em cuja família ainda se encontra sendo hoje administrada por um bisneto dele, Paulo Roberto Belfort Carneiro da Silva.

Texto e Fonte: Roberto Guião de Souza Lima

Informações:
Paulo Roberto Belfort
Tel:
(24) 2458-0093
Link de Rio das Flores:
www.riodasflores-artur.com.br

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Fazenda Campos Eliseos

       Uma Fazenda Histórica que Hospeda. A Campos Elíseos não é uma “Pousada” nem um “Hotel Fazenda” é uma verdadeira Fazenda Histórica centenária que hospeda no mesmo estilo que na Europa, e agora no mundo inteiro, é conhecido como ''Turismo de Habitação''. Na Campos Eliséos os hospedes são recebidos com amizade e com a certeza poderão se sentir na fazenda como na própria casa de campo.

       Uma sede antiga, fundada pelo Visconde de Ipiabas em 1851, hoje reformada com respeito ao estilo da época, acrescentando-se o charme Italiano.

       Disponibilidade de 6 apartamentos para um total de 22 camas. Todos os apartamentos possuem banheiro interno.
       Diária com café da manha, pensão completa ou meia pensão. Salão de TV, restaurante com fogão a lenha, som.
       Comida italiana e mineira, com alguns pratos internacionais.
       Na Fazenda: cachaça aromatizada "Sinhazinha", doce de café "Moreninho" e "Laranjas do Engenho".Mel.
       Piscina, cavalos para passeios com acompanhante, caminhadas, trilhas ecológicas, açudes, cachoeira.
       Criação de cães das raças Golden Retriever e Pug com o sufixo "Highland of Gold", gado, cabras.

       Localizada no município de Rio das Flores, no Vale do Café, oferece varias oportunidades de roteiros para visita outras fazendas Históricas, cachoeiras, Cidades históricas com clima agradável.

       Localizada perto dos municípios de Vassouras, Barra do Piraí, Valença com outras interessantes opções para visitações e lazer.

Informações:
Deborah Jappelli ou Luciana Jappelli
Telefax:
(24) 2488-2014 ou 2488-2044
Site: www.fazendacamposeliseos.com
e-mail: deborahjappelli@uol.com.br
ou campos-eliseos@uol.com.br

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Fazenda Cachoeira Grande

       De todas as famílias que povoaram o Vale do Paraíba durante o efêmero ciclo do café, nenhuma teve tanta projeção social quanto os Teixeira Leite. Entre estes, destaca-se a figura ímpar de Custódio Ferreira Leite - O Barão de Aiuruoca, cuja ação projetou-se em várias regiões cafeeiras do Vale. Além de ter proporcionado obras assistenciais como abertura de estradas, construção de pontes, igrejas e hospitais, a este é atribuído a propagação do café no Vale do Paraíba.Oriundo de São João D’El Rei, filho de abastados senhores de minas de ouro, o Barão de Aiuruoca imigrou para o Vale do Paraíba em princípios do século XIX, trazendo consigo inúmeros parentes. Entre estes, o sobrinho Francisco José Teixeira Leite, filho de sua irmã Dona Bernardina - a Baronesa de Itambé.

       Francisco José, com apenas 16 anos de idade, havia sido contratado para a construção da Estrada da Polícia em 1820, na qual a cidade de Vassouras foi fundada. Em 1830, casa-se com a prima, Dona Maria Esméria Teixeira Leite, recebendo como dote, parte das terras que viriam a integrar a Fazenda da Cachoeira. Desde então, dá início às atividades de abertura da fazenda, onde planta as primeiras mudas da rubiácea em substituição às extensas florestas que outrora revestiam seus morros. Com as madeiras extraídas desta derrubada, constrói a casa de morada, senzalas, engenhos, entre outros... Paralelamente, dedica-se à negociação de capitais e às causas sociais na vizinha Vassouras. Sendo um de seus fundadores, adquire nesta um elegante palacete, onde passa maior parte de seu tempo, podendo assim, melhor dedicar-se ao desenvolvimento social e econômico da cidade. Tal dedicação colabora para que a cidade torne-se o mais importante centro cafeeiro durante o segundo Império. Neste período, Cachoeira é mais usada como residência que empreendimento agrícola.

       Em 1871, Francisco José chega ao ápice de sua projeção social e é agraciado pelo Imperador D. Pedro II, com o título de Barão de Vassouras. Treze anos depois, falece aos 80 anos de idade, deixando uma fortuna aos 11 filhos que teve do primeiro e segundo matrimônios, este último com Dona Alexandrina Teixeira Leite. Mesmo com a plena decadência da produção cafeeira, Cachoeira ainda vive dias de pompa que desfruta desde a fase mais rica do ciclo.Em 1884, meses após o falecimento do fundador de Cachoeira, os herdeiros deste ofereceram um jantar requintado ao casal Princesa Isabel e Conde D’Eu, além de outros ilustres convidados como os barões de Santa Mônica e Visconde de Ibituruna. Este talvez tenha sido o último festim de uma era de riquezas.

       No século XX, Cachoeira já não mais pertencia à nobre família Teixeira Leite. Na década de 40 é adquirida por Mário Mondovo, italiano de origem judaica que emigrou para o Brasil afim de exilar-se da perseguição nazista que assolava a Europa durante a 2a. Grande Guerra. Cachoeira prosperou e dedicou-se a diversas atividades agrícolas mas, somente com a pecuária leiteira é que a fazenda se firmaria. Neste final de século, mais precisamente em 1987, Mondovo vende a Fazenda da Cachoeira ao empresário Francesco Vergara Caffarelli. Com o novo proprietário, a Casa da Cachoeira, após longos anos de abandono e quase em ruínas, passa por um processo de restauração.

       Caffarelli, italiano oriundo de Roma, foi grande amante das artes. Ajudado por sua esposa, Núbia Vieira Monteiro Caffarelli, dedicou-se com afinco aos trabalhos de restauração do casarão, que consumiram quatro anos e teve projeto assinado pelo arquiteto Eloy de Mello.

       Com sua área original bastante reduzida, Cachoeira dedica-se hoje às atividades pecuárias e às do turismo cultural. Núbia e sua cunhada Madalena participam do Instituto PRESERVALE, contribuindo assim, para uma consciência preservacionista.

Pesquisa: Adriano Novaes
Revisão: Sonia Mattos Lucas

Informações:
Estrada Fazenda da Cachoeira, 1639 - Vassouras-RJ
Caixa Postal: 85.611 - CEP - 27.700-970
Telefone para Reservas: (24) 2471-1264 e (24) 2491-1983
Site: www.fazendacachoeiragrande.com.br

e-mail: nvergara@centroin.com.br

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Fazenda do Secretário

       A Fazenda do Secretário é o melhor exemplo de solar rural cafeeiro em estilo neoclássico existente no Brasil. Localizada no Município de Vassouras, a propriedade chegou a possuir 500.000 pés de café e 366 escravos. Restaurada e mobiliada ao estilo da época, o solar foi construído em meados do século XIX (1830) por Laureano Correa e Castro, o Barão de Campo Belo. O Barão foi Coronel Comandante Superior da Guarda Nacional de Vassouras e Iguaçú, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Comendador da Ordem da Rosa. O título de Barão lhe foi agraciado em 1854 pelo Imperador Dom Pedro II.

      A Fazenda do Secretário possui vários aposentos, uma escadaria importada da Europa em madeira de lei, capela, salão de baile e salas de jantar com pinturas do catalão José Maria Villaronga, conhecido por suas obras em estilo "trompe d`oeil", uma das características da decoração interior das fazendas do Vale do Paraíba. Os jardins com sua extraordinária beleza e dimensão, possuem estátuas em ferro fundido da famosa fundição Barbezat & Co., localizada no Vale d’Osne. A Fazenda do Secretário foi retratada por Vitor Frond, renomado pintor, e já serviu de cenário para várias produções da TV Globo, como as minisséries "Os Maias" e "Os Quintos dos Infernos".

Informações:
Sra. Martha Ribeiro de Britto
Tel:
(24) 2488-0150 ou (21) 2544-8850

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Fazenda Mulungú Vermelho

       Sua origem remonta ao princípio do século XIX, quando suas terras foram doadas através do sistema de sesmaria ao concessionário capitão Antônio Luiz do Santos, e sua mulher D. Luiza Maria Angélica, a terceira filha do lendário Capitão Ignácio de Souza Werneck, patriarca do clã mais importante do período cafeeiro no Vale do Paraíba.

       Esta união deu origem ao ramo Santos Werneck, que vão estender seus domínios na região de Massambará, no município de Vassouras e no distrito de Bemposta, município de Três Rios.

       D. Luiza faleceu em 1813 e o Capitão Antonio Luiz dos Santos em 1825, aos 53 anos de idade, de uma "inflamação do peito". Esta é a data provável em que um de seus sete filhos, Francisco Luiz, recebeu de herança as terras que deu origem à fazenda São Francisco, hoje denominada Mulungú Vermelho.

       Um fato curioso sobre esta família é que de todas as fazendas fundadas pelos filhos do capitão Antonio Luiz, pelo menos as de Massambará, tiveram nomes de santos homônimos aos seus fundadores, como por exemplo a fazenda São Fernando, fundada por Fernando Luiz dos Santos Werneck, a de Santo Antônio, por Antônio Luiz dos Santos Werneck (este migrou para Bemposta fundando lá diversas fazendas), São Luiz, por Luiz Barbosa dos Santos Werneck e São Francisco, por Francisco Luiz dos Santos Werneck, que curiosamente usava a grafia "Verneck".

       Pelo que consta, o solar de São Francisco foi construído em 1831, na primeira fase do café no Vale do Paraíba e, com pouco tempo de lavoura, tornou-se uma das mais prósperas de Vassouras. Tudo isso facilitado pela abertura da importante e pioneira estrada do Comércio em 1816, que cortou as fazendas dos irmãos Santos Werneck, de ponta a ponta, trazendo lhes grandes vantagens no transporte de café para os portos da baixada e posteriormente aos do Rio de Janeiro e finalmente Europa. Por esta mesma estrada, virão os primeiros requintes da Corte do Rio de Janeiro, transformando as sedes das fazendas cafeeiras em verdadeiros palácios rurais, que nada deviam às residências mais luxuosas da Capital do recém criado império brasileiro.

       Influenciado pela arquitetura mineira do século XVIII, o solar de São Francisco vai receber uma "maquiagem” neoclássica, estilo este introduzido no Brasil em 1816, pela Missão Artística Francesa, que virá influenciar toda a arquitetura valeparaíbana na fase mais rica do café. A presença do neoclássico no solar pode ser notada nas marcações dos cunhais, nos capitéis, cimalhas, sobrevergas e caixilhos trabalhados.

       Em meados do século XIX, quando a produção de café no Vale do Paraíba atinge seu apogeu, São Francisco é uma das mais ricas do vale do ribeirão Florência, produzindo, além do café, cereais que, em alguns casos, abasteciam fazendas vizinhas. Trabalhavam em seus cafezais cerca de 110 escravos, em um número aproximado de 280 mil pés de café, como podemos observar em inventários da fazenda.

       O tempo passou e os fazendeiros, despreparados quanto ao uso da terra, acabaram por esgotá-la e decadência da cultura do café foi inevitável. A situação ainda se agravou com a crescente campanha abolicionista e a expansão do mercado inglês no império brasileiro, que não admitia o modo de produção escravista.

       Comendador Francisco não viveu para ver a derrocada de sua fazenda, falecendo em 1871, quando o café começava dar sinais de decadência. Sua viúva, D. Maria Francisca das Chagas Werneck, com quem teve três filhos, viveu até 1886.

       São Francisco ficou com as filhas herdeiras, Francisca Adelaide, casada com o primo Luiz dos Santos Werneck, herdeiro de São Fernando, e Zeferina Adelaide das Chagas Werneck, casada com o primo, o capitão João Barbosa dos Santos Werneck, herdeiro da fazenda de "Cima" (São Luiz).

       Capitão João e Zeferina adquirem as partes dos outros herdeiros, ficando únicos proprietários da São Francisco e mais as de "Cima" e "das Cruzes", sendo está última onde casaram em 1858.

       Pouco tempo depois falece o capitão João, e a fazenda é herdada por seu filho, Joaquim Barbosa dos Santos Werneck, que se torna o único proprietário da fazenda, tendo comprado a parte do seu irmão João e a parte de sua mãe, que havia ficado com a fazenda “Cima”.

       Por volta de 1903, Joaquim se desfaz da fazenda, então com seus 117 alqueires geométricos constando do Sítio "Velho" e fazenda "Pao Ferro", antiga Cruzes, vendendo-a aos recém casados Fortunato Delgado Motta e Gabriela Messias Delgado Motta.

       Vindos do município de Lima Duarte, MG, este casal iniciou um novo ciclo na história de São Francisco: a do gado de leite, sem, no entanto, abandonar a tradicional cultura do café cultivado na fazenda até meados da década de 1940. Algum tempo depois adquirem as fazendas vizinhas de "Cima" (São Luiz), Cachoeira Bonita e "Dr. Reis" (São José).

       Fortunato era um homem simples e muito respeitado dos por seus 11 filhos, tidos com sua amada esposa D. Gabriela Messias, filha de João Evangelista de Almeida Ramos e Mariana Evangelista Duque, barões de Santa Bárbara do Monte Verde.

       Sinhá Gabriela, como era carinhosamente chamada pelos criados da fazenda, faleceu em 1935, e Fortunato viveu ainda tempos depois no estado de viúvo.

       Em 1947, falece Fortunato e São Francisco é dividida entre seus herdeiros, a saber: Maria (Nicota), Militão, Judithe, Mariana (Neném, falecida ainda jovem), Maria José, Jayme (Zezé), Geraldo, Francisco, Thereza, Ana (Anita) e Fortunato. Suas terras são fracionadas e o solar, com uma área de terras reduzida, é vendido a Carmem Lahmeyer Duval e seu marido Carlos Afonso Ferraz Duval e Selma Ferreira da Silva.

       O tempo em que o casal Duval fica na fazenda, é o suficiente para promover a recuperação do solar, que se encontrava em adiantado estado de deterioração.

       Esse histórico patrimônio foi adquirido em 1988, por Simone Marques Coimbra Pio da Fonseca, já com o nome de Mulungú Vermelho.

       Localizada no município de Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, Simone dedicou-se com afinco às obras de recuperação da fazenda.

Texto e Pesquisa:
Adriano Novaes
Professor, Genealogista e Pesquisador da História do Ciclo do Café, Sócio do Colégio Brasileiro de Genealogia.

Informações:
Estrada de Aliança, 4446 - Massambará - Vassouras
Telefone para Reservas: (24) 9829-3628

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Fazenda Cachoeira do Mato Dentro

       Situada no município de Vassouras, está localizada na BR 393, à 15 Km do centro da cidade. Pertenceu a José de Almeida Avelar, Barão do Ribeirão, estando desde 1896 com a Família Rangel. Em estilo neoclássico, mantém características originais do século XIX, fazendo parte do Ciclo do Café, que tanto enriqueceu a nossa história. Em bom estado de conservação, preserva ainda hoje grande parte do mobiliário, louças e acervo de época, sob a administração de seu proprietário Luiz Felippe Rangel. Destaca-se entre outras atrações um banheiro de pedra pertencente aos escravos, além dos terreiros de café, senzalas e o contato direto com a vida no campo com passeios à cavalo, carro de boi e animais domésticos de grande e pequeno porte.

       Residência da família, hoje abre suas portas para visitas de turistas, escolas e historiadores, podendo ser oferecido café ou almoço tipicamente rural, além de queijos tipo frescal, lingüiça e doces produzidos no local para consumo e venda. Na segunda quinzena do mês de maio realiza-se tradicionalmente um Concerto de Outono.

Informações:
Tel:
(24) 9992-7350 ou 9914-2286 ou 9845-1229

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Fazenda São Fernando

       Localizada em Massambará, Distrito de Vassouras, a Fazenda São Fernando foi no século passado uma das unidades produtoras de café do Vale do rio Paraíba Fluminense. Fundada no início do século XIX, rapidamente se inseriu na monocultura cafeeira, tornando-se uma das importantes propriedades da região. Sua origem territorial remonta ao século XVIII, quando as doações de terra se intensificaram ao longo do “Caminho Novo” das Minas Gerais, especificamente às sesmarias da Várzia e Vila Latina.

       Fernando Luiz dos Santos Werneck, seu fundador, pertenceu a um dos mais poderosos e brasonados clãs da região. Ao longo de sua trajetória, no século XIX, enquanto unidade de produção escravista, a Fazenda São Fernando acompanhou, passo a passo, o movimento de expansão, o apogeu e a decadência da cafeicultura no Vale do Paraíba Fluminense, podendo ser considerada como um dos notáveis exemplos desse processo.

       Na virada do século, esgotado o ciclo que a produziu, a Fazenda São Fernando hibernou, preparando-se para a nova etapa que o século XX lhe reservava.

       Com 122 alqueires e 2.000 m2 de área construída, a sede monumental, construída em três diferentes momentos ao longo do século XIX, foi restaurada com rigor e excelência, baseada na pesquisa arqueológica desenvolvida na propriedade. Uma pequena coleção de objetos - encontrada durante as escavações do sítio arqueológico e recuperada – está exposta no antigo cárcere, revelando aspectos do cotidiano de senhores e escravos que ocuparam a propriedade no passado. A fazenda está decorada com mobiliário e obras de arte, característicos do estilo da época, de grande apuro e beleza.

A Pesquisa Arqueológica

       Com o objetivo de recuperar evidências materiais das atividades cotidianas na Fazenda São Fernando, ao longo do século XIX, foram realizadas escavações arqueológicas em diversos pontos da propriedade. A pesquisa voltou-se primordialmente para as possíveis áreas de despejo de lixo, considerando-se o elevado potencial informativo desse tipo de material, capaz de refletir com grande fidelidade os padrões de comportamento adotados por um determinado grupo.

       O interesse dessa amostra é de natureza fundamentalmente comparativa e, enquanto produzida por um segmento social, apresenta um perfil que deverá ser sobreposto ao de contextos semelhantes em outros sítios arqueológicos históricos, de tal forma que permita a constatação de regularidade assim como a configuração de padrões comportamentais próprios às categorias examinadas.

Atividades Atuais

       Hoje, a Fazenda São Fernando desenvolve as atividades de criação e seleção de gado Girolando F1 leiteiro e venda da produção leiteira in natura, agricultura orgânica e reflorestamento, plantando anualmente 6.000 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica, visando recuperar a fauna e flora e protegendo as nascentes da propriedade. A Fazenda tem sido um laboratório de experiências nas áreas citadas, uma porta aberta para pesquisas, epicentro irradiador de ações sociais e culturais e pioneira na locação de telenovelas sempre visando a maior valorização da região.

       A Fazenda é hoje sede do Instituto São Fernando, que atua como catalisador de políticas públicas nas áreas de educação – Programa Educar Mais de formação continuada para a rede pública de educação de Vassouras, meio ambiente e eco-agricultura – Orgânicos do Vale com distribuição da produção em cestas -; cultura – apóia o Programa de Integração pela Musica - PIM desde sua criação, hoje consagrado como Ponto de Cultura pelo Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura -; e, patrimônio histórico na região do Vale do Paraíba Fluminense. Desenvolve ainda programas de Turismo Cultural, participando, desde 2003, da promoção do Festival Vale do Café, realizado anualmente no mês de julho, e é precursor das atividades do Instituto Preservale, do qual o proprietário da fazenda é Sócio Fundador e Conselheiro.

       O Instituto São Fernando articula parcerias público-privadas, para contribuir na formulação e implementação de políticas públicas que visem não apenas a melhoria de condições materiais, mas também a ampliação do horizonte de desejos e da disposição para agir da comunidade, contribuindo para que as pessoas tenham maior autonomia na condução de suas vidas.

       A Fazenda de propriedade de Ronaldo Cezar Coelho, desde dezembro 1983, está aberta a visitação pública. A visita guiada à Fazenda compreende um excelente tour pela sede, ruínas da antiga senzala, quadrilátero do café, e um cafezinho na cozinha.

       A Fazenda reúne ainda um acervo de obras de arte representativo das escolas moderna e contemporânea.

Informações:
Oferece visitação guiada, sob agendamento prévio.
BR 393, Rodovia Lucio Meira, Km 218, Massambará, Vassouras/RJ

Tel:
(24) 2488-9100 / Fax: (24) 2488-9099 - Sr. Eugênio

e-mail: fazsaofernando@terra.com.br
Arquivo PDF: Clique aqui para fazer o download do Histórico da Fazenda! (42 KB)

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Fazenda Monte Alegre

       A história da fazenda Monte Alegre está fortemente ligada à de seu mais importante e ilustre morador, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, o Barão de Paty do Alferes, membro do “Clã dos Werneck”, clã este que dominou por quase 200 anos a maior parte das terras na “Serra Acima”, como era conhecida esta parte da então Província Fluminense.

       Não foi o Barão quem construiu Monte Alegre, porém, é certo que desde o ano 1855 o Barão residiu nesta fazenda, fazendo dela seu centro de negócios e de documentação, arquivos, etc... Das várias fazendas que possuía (sete, com centenas de escravos) era a melhor aparelhada, melhor localizada, possuidora do melhor quadro de profissionais especializados (enfermeiros, sapateiros, lavadeiras, etc.. só carpinteiros havia 10) e a que possuía melhores instalações. A Monte Alegre chegou a abrigar 200 escravos por volta de 1859.

       Uma grande reforma nesta fazenda ocorreu por volta de 1861 – ano que vamos ver em destaque na fachada – por uma razão curiosa. O imperador Pedro II veio de Petrópolis a Paty do Alferes de surpresa pela picada do Paty – hoje Estrada do Imperador - em 1858, e foi recepcionado pelo Barão de Paty em sua casa no centro de Paty (posteriormente transformada em hotel, esta casa não mais existe, foi demolida). Apesar dos insistentes apelos feitos ao Imperador para que pernoitasse em Paty, tudo indica que outros compromissos o obrigaram a seguir viagem, frustrando seus anfitriões, a despeito das ótimas impressões levadas por Pedro II. Assim mesmo decidiu o Barão promover grande reforma em sua fazenda Monte Alegre, para colocá-la à altura de visitantes ilustres como o Imperador. E assim fez. Lamentavelmente, no mesmo ano da conclusão das reformas – 1861- morreria o Barão de Paty aqui mesmo, na Monte Alegre, em 22 de novembro, vítima de congestão cerebral (hoje conhecida como AVC), mal que já o afligia há algum tempo.

       Monte Alegre possuía em seus melhores tempos: casa de moradia com oratório próprio; moinho; engenho de farinha; 59 lances de senzala; pilões; serraria; olaria; forno apetrechado; 2 lances de casa para guardar carros; 10 lances de armazéns de café e tulhas; um canavial; cafezais; 9 enfermarias para os escravos, etc

       Em seu interior havia mobílias de mogno, jacarandá, cedro e peroba, um belíssimo piano, serviços de louça da Índia incluindo aparelhos de porcelana com o brasão da família, além de outros objetos de luxo.

       Dispunha o Barão para seu transporte, dos familiares e amigos mais íntimos (ou hóspedes ilustres) de 5 carros, 2 carretões, 2 carroças, 1 carro de 4 rodas e 2 liteiras, além de adequada estrebaria com cavalos de raça para suprir tudo isto com tração animal.

       Com a morte do barão, sua esposa Maria Isabel, apesar da inexperiência, assumiu seus negócios com mão firme até sua morte, em 1866.

       Por herança da Baronesa de Paty, coube a Fazenda à sua filha Maria Isabel Peixoto de Lacerda Werneck de Castro, futura Viscondessa de Arcozelo, em função de seu casamento com Joaquim Teixeira de Castro, Visconde de mesmo título, a partir de 1874.

       A Viscondessa manteve um interessantíssimo diário por ela mesmo manuscrito – o que era relativamente raro, na época, mulher alfabetizada – que dá uma boa visão do dia a dia em Monte Alegre: as cozinheiras dos escravos levantavam-se antes mesmo do nascer do sol para acender o fogo sob caldeirões de ferro apoiados em imensos fogões de lenha. O feitor ou um dos capatazes então se encaminhava para o sino de bronze, a fim de despertar os negros acomodados na senzala. Havia sempre um sistema rígido a seguir: nos dormitórios mais espaçosos ficavam os casais e em quartos comuns dormiam os solteiros, tanto homens quanto mulheres. Alertados pelo sino, levantavam-se imediatamente de suas tarimbas de tábuas e cada um pegava sua ferramenta pendurada nos beirais da senzala : enxada, machado, foice e outras.

       Da senzala rumavam para a cozinha própria dos escravos, onde então recebiam a primeira ração do dia, constituída por um bom café bem encorpado, um bom pedaço de pão, pedaços de rapadura e um prato de angu.
Enquanto isto, no interior da casa grande, os escravos “de porta adentro” encarregavam-se de arrumar a mesa dos senhores e tratavam de apagar as velas ou os pesados lampiões de azeite de mamona, ajeitando tudo e limpando para servir a primeira refeição da família.

       O dia transcorria de maneira lerda, com as escravas cuidando do asseio dos quartos e salas, servindo café e chá para a família ou a eventuais visitantes, enquanto os negros e os feitores, supervisionados pelas cavalgadas de inspeção de surpresa dos patrões, tratavam da lavoura e dos animais.

       Já à noite, a família do fazendeiro recolhia-se bem cedo – no caso de não aparecer visitante – sempre acompanhada atentamente pelas mucamas. Essas se incumbiam de levar a água morna para lavar os pés cansados dos senhores que chegavam exaustos das lavouras, providenciando possíveis “banhos de assento” para as senhoras e sinhazinhas.

       Às mesmas cabia também distribuir pelos vários quartos os vasos sanitários para uso dos familiares, recolhendo-os na manhã seguinte para despejo, tão logo todos se retirassem para o trabalho.

       Depois de todas as providências noturnas, as mucamas e demais escravos encarregados de proporcionar o conforto dos patrões (como fechar janelas e cerrar as cortinas dos vários cômodos e salões, colocar chinelos aos pés das camas, deixar sobre as cômodas os jarros com água ao lado de copos, etc.) pediam a benção aos senhores e senhoras, desejavam bom sono a mancebos e sinhazinhas, verificavam o conforto e a segurança das crianças, apagavam todas as luzes e buscavam um repouso em seus humildes dormitórios ou no cantinho escuro das senzalas.

       Porém, apesar do fausto vivido por alguma (poucas) gerações do clã dos Werneck na Monte Alegre, a história prosseguiu implacável. Por força de vários fatores econômicos, como principalmente o esgotamento da terra para o plantio de café um virtude de tratos culturais inadequados e da abolição da escravatura, os Werneck, empobrecidos, tiveram de deixar a fazenda em 1911. Vendeu-a a Viscondessa de Arcozelo, filha do Barão de Paty, já viúva do Visconde, a um membro de família aparentada, Joaquim Ribeiro de Avelar.

       A Viscondessa teve de mudar-se para uma pequena fazenda, morando, segundo depoimento de seus próprios parentes, numa casa “meio de colono” onde veio a falecer, com enterro de pobre, em carro de boi, seguido por cortejo de ex-escravos descalços e maltrapilhos. Consta até que o custeio do funeral foi feito pela família da zeladora do cemitério, já que os filhos da falecida “já estavam tão pobres que não tinham dinheiro."

       Daí em diante a Monte Alegre foi fragmentada, tendo a casa passado por várias mãos, como Sabino de Robertis, Antonio Faustino Porto e até mesmo de uma empresa que a transformou em hotel e cassino.

       Finalmente, chegou às mãos de seus atuais proprietários, o engenheiro e escultor Gabriel Fonseca e família, que a compraram em ruínas e por preço irrisório. Levaram 6 anos para restaura-lá, com uma equipe de 3 artesãos, com enormes dificuldades para seguir os padrões originais, inclusive do paisagismo do artista francês Glaziou nos jardins.

       Mais tarde, seguindo o projeto básico dos paisagistas José Tabacow e Cíntia Chamas, os atuais jardins foram sendo implantados. Atualmente os jardins e as construções coloniais totalmente restauradas abrigam o Parque de Esculturas Lúcia Miguel Pereira. Além das esculturas do proprietário, o escultor Gabriel Fonseca, o Parque também expõe trabalhos de Maria Martins, Agostinelli, Ângelo de Aquino e João Goldberg dentre outros renomados artistas.

Texto e Pesquisa: Milton Cabral
Fontes:
1- Sebastião Deister - Serra do Tinguá, 300 anos de Conquistas - Séc. XVII ao Séc. XX
2- Antigas Fazendas de Café da Província Fluminense – 1980 – Nova Fronteira
3- Fazendas Solares da Região Cafeeira do Brasil Imperial 1986 – Nova Fronteira
4- Vassouras de Ontem - Compilação Greenhalgh Faria Braga
5- Notas para a História de Vila de Paty do Alferes - Frei Aurélio Stulzer – 1944
6- No tempo dos barões - Maria Werneck de Castro – Ed. Bem-te-vi
7- Barões e escravidão - Eduardo Silva – Nova Fronteira

Informações:

Endereço: Av. Beira Rio, 7 - Paty do Alferes - RJ - CEP: 26950-000
e-mail: fazenda-monte-alegre@ig.com.br
Parque de Esculturas da Fazenda Monte Alegre: www.gabrielsculptor.com

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Fazenda Pau Grande

       São das mais antigas as referências e registros das terras onde está situada a fazenda Pau Grande. Ao contrário da maioria das fazendas de café, Pau Grande já existia muito antes do ciclo, dedicada principalmente à produção de açúcar. A ocupação, ainda no final dos anos seiscentos, teve origem na abertura da mais importante estrada do Brasil colonial, o lendário Caminho Novo das Minas Gerais, obra de Garcia Rodrigues Paes e Pedro de Morais Raposo.

       O Visconde de Asseca, Martim Corrêa de Sá, família dos maiores latifundiários do Rio de Janeiro durante dois séculos, foi seu mais antigo proprietário. Mas o arquivo referente à concessão de sesmarias revela a presença na fazenda, em 1748, dos Gomes Ribeiro, Francisco e Manoel. Essa mesma família seria dona de Pau Grande até o século XX.

       A localização da fazenda a tornava passagem e pouso para viajantes.

       Auguste Saint-Hilaire, o sábio naturalista francês, e Tiradentes, precursor e mártir da independência do Brasil, lá estiveram. Os acontecimentos que culminaram com o enforcamento de Tiradentes por ordem da rainha de Portugal D. Maria I tiveram influencia no rumo da história de Pau Grande, pois o envolvimento de Antônio Avelar com o herói e as pressões que sofreu trouxeram-lhe grande prejuízo financeiro, como meio de escapar da “devassa”, e ocasionaram sua morte em 1794. O clima hostil obrigou a família a se retirar para a fazenda, e em 1797 Luiz Gomes Ribeiro, genro e herdeiro de Antônio, assume os negócios junto com a viúva, não sem antes adquirir as partes dos sócios. José Rodrigues Cruz se retira para fundar a vizinha fazenda Ubá, segundo depoimento de Saint-Hilaire “habitada por índios selvagens”.

       É Luiz Ribeiro quem manda construir a grande casa que hoje surpreende e encanta o turista por sua grandiosidade arquitetônica e beleza plástica.

       Ribeiro permanece na fazenda até 1810, quando desavenças com sua sogra o levam a retirar-se para a fazenda Guaribu, onde iria residir até a morte, em 1839. Joaquim Ribeiro de Avelar, futuro Barão de Capivari, sucede o cunhado Luiz e torna-se senhor de Pau Grande na faze áurea do café. Nem Capivari nem seus irmãos e irmãs se casariam, o que não impediu o barão de reconhecer um filho natural, dar-lhes o seu nome, educá-lo e faze-lo herdeiro único e sucessor. Foi ele o segundo Joaquim Ribeiro de Avelar, que mais tarde receberia o título de Visconde de Ubá. Sua esposa, Mariana, filha do mordomo do Paço Imperial José Maria Velho da Silva, introduz então na fazenda todo o requinte e conforto na época exigidos nas casas ricas, sendo desta fase a instalação de banheiros dentro do solar, bem como a maior parte das alfaias. O casarão recheado de móveis, quadros, tapetes, louças e cortinas era famoso também por sua prataria.

       Falecendo o Visconde de Ubá em 1888 e com as dificuldades decorrentes do final do ciclo, Pau Grande entra em franca decadência, que a viúva viscondessa não conseguiu evitar.

       Depois dos Ribeiro de Avelar e com sua área reduzida a menos de 20 alqueires geométricos, a fazenda pertenceu ao colecionador de arte Plácido Gutierrez e em seguida à empresaria Lily de Carvalho Marinho. Na década de 1980, o empresário Walter Soares Ribas, adquirindo-a, empregou os recursos necessários e o melhor de seus esforços para, num grande trabalho de restauração, assessorado por equipe técnica, devolver à Pau Grande o seu antigo resplendor.

       O telhadão e o espaço do velho engenho abrigam as baias para a criação de cavalos manga-larga marchador, principal atividade da fazenda, e um moderno estábulo para vacas leiteiras foi construído aproveitando parte de antigas tulhas. Pau Grande destaca-se pelos imponentes trabalhos de cantaria, sobre-tudo os de formato redondo com que são feitas as fundações das várias dependências externas.

       Distando seis quilômetros do município de Avelar, no estado do Rio, em estrada pavimentada, a fazenda Pau Grande, renovada e revivida, está entre as mais extraordinárias casa rurais do Brasil.

Texto (parte) de Fernando Tasso Fragoso Pires extraído do livro “Fazendas: As Grande Casas Rurais do Brasil”, editado por Salamandra Consultoria Editorial Ltda., 1995.

Texto (parte) de Fernando Tasso Fragoso Pires extraído do livro “Fazendas: As Grande Casas Rurais do Brasil”, editado por Salamandra Consultoria Editorial Ltda., 1995.

Informações:

Endereço: Estrada Paty do Alferes, km 11
Contato: Walter Ribas
Tel: (21) 2536-2300

Site: www.fazendapaogrande.com.br
e-mail:
wribas@luxorhoteis.com.br

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Fazenda Santa Cecília

       Fazenda histórica do ciclo do café, foi construída em 1770 em estilo colonial. No apogeu do Ciclo do Café, por volta 1840, seu proprietário, o Barão de Paty de Alferes, realizou uma reforma alterando seu estilo para neo-clássico. Localizada no Distrito de Vera Cruz, município de Miguel Pereira, possui em seus jardins uma capela projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer com um painel dedicado à Santa Cecília desenhado por ele em seu interior. Local de beleza cênica única, abre suas 20 suítes para hospedagem na modalidade do Turismo de Habitação. Dispomos de piscina, açude para pescaria, rio e cachoeiras propícios para banho, passeios à cavalo, curral e nas instalações da Fazenda temos salão de jogos, sala de leitura e restaurante com pratos da culinária regional mineira, doces e queijos produzidos na Fazenda e um tira gosto exclusivo: o Pastel de Angu.

       Já estamos trabalhando com visitação ou day-use com agendamento prévio em qualquer dia da semana, desde que o contato seja feito com no mínimo 05 dias de antecedência. Damos preferência a grupos, pois montamos a estrutura para almoço ou o lanche que está incluso na visitação.

       Venha experimentar e conhecer a nossa história!!!

Informações:

Endereço: Estrada Tigipió 656 - Vera Cruz - Miguel Pereira
Contato e Telefone para Reservas:
Maria Cecília Aparecido de Oliveira
Tel: (24) 2484-8283

e-mail: faz.santacecilia@uol.com.br

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Fazenda São João da Barra

       São João da Barra, antiga fazenda do ciclo do café, cerca de 1830, tendo sido recém-restaurada. Expõe gravuras e documentos originais do século XIX.

Informações:

Endereço: Estrada do Bonfim (Antiga estrada Morro Azul-Arcádia) - Miguel Pereira
Serviços: Agendamento sob consulta. Ao final da visitação será servido um lanche.
Contato:
Rogério ou Tatiana
Tel: (21) 2239-5823

e-mail: tatianarybroek@globo.com

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Centro de Cultura Fazenda da Posse

       Marco histórico do município de Barra Mansa, a sede da Fazenda da Posse teve sua construção concluída em 1768. Jóia do estilo colonial brasileiro (com influencia do barroco europeu), esse prédio de linhas singelas mas, profundamente expressivas, caracterizou-se por apresentar elementos originais como as telhas tipo “coxeira”, pau a pique nas alvenarias externas e internas do primeiro piso com a estrutura aparente, alcovas e janelas “fora do prumo” do andar superior. A planta primitiva foi alterada nas diversas reformas pelas quais passou, mas na última, por iniciativa de grupos ligados à preservação histórica da cidade e com o patrocínio do Sistema Firjan, praticamente reconstruiu o casarão que se encontrava em ruínas. O trabalho executado contou com a preciosa colaboração do Sistema Firjan (federação das Industrias do Rio de Janeiro) em parceria com profissionais do IPHAN e da prefeitura municipal de Barra Mansa.

       Na recuperação do prédio foram utilizados elementos das construções originais (vigamentos, esquadrias) e material da mais nova tecnologia como lâmpadas dicróicas necessárias para a realização de exposições de artes plásticas freqüentes na atual programação da casa. No entorno da casa destaca-se um gramado com jardins, árvores e fonte, onde nos dias festivos são instaladas tendas para apresentações musicais e de outros gêneros. A gestão do Centro de Cultura Fazenda da Posse é partilhada pelo SESI Barra Mansa e a Fundação de Cultura, Esporte e Lazer de Barra Mansa, responsável pela gerência artística do casarão a qual vem organizando desde o início da primeira administração do prefeito Roosevelt Brasil Fonseca em 2001, uma média de oito exposições artísticas anuais e inúmeros cursos. workshops e oficinas abertas à comunidade regional. Um conselho formado por membros do SESI e da Fundação de Cultura, dedica-se a traçar os rumos da instituição e estabelecer novas regras e critérios para o seu melhor desempenho no futuro.

Setor educativo

Encontros com a Arte – Arte e professor
O programa Encontros com a Arte para professores propõe reflexões sobre a educação e o conhecimento, criando inter-relações entre diferentes disciplinas como a história da arte, o ensino e o fazer artístico. O intuito é aproximar professores e arte e estimular reflexões e debates sobre uma concepção atualizada de educação, sobre aspectos da didática e sobre conhecimentos necessários ao educador.

Encontros com Arte – Arte e Alunos/ Arte e comunidade
O programa Encontros com a Arte para alunos e comunidades, propõe uma visita orientada à casa, à exposição e atividades de arte em oficinas. Com o intuito de aproximar o público da obra do artista, são elaborados laboratórios de arte com atividades de desenho, pintura, modelagem, exibição de filmes, imagens e música, dentro do contexto da exposição.

Sala Dr. Mário Ramos

No pavimento superior do Centro de Cultura Fazenda da Posse, encontra-se a sala dedicada à memorabilia do Dr. Mário de Oliveira Ramos que nasceu em Barra Mansa em 25 de abril de 1882 e que exerceu a medicina nessa cidade, a partir de 1907. Filho do Dr. José Hypólito de Oliveira Ramos e de D. Francisca Júlia Alves de Oliveira, neta do Barão de Guapy, casou-se em 1907 com Valentina Borges Vieira Ferraz, indo residir no casarão da Av. Joaquim Leite, nº 25, onde instalou consultório no 1º pavimento do sobrado. Formou enorme clientela na região atendendo a todos os que por ele procuravam, em sua grande maioria pessoas sem recursos e que pagavam suas consultas com doações de gêneros alimentícios, aves e pequenos animais de criação caseira.

Administração do Centro de Cultura: Iran de Oliveira – Presidente
                                                 Luiz Augusto Mury – Vice-Presidente
                                                 Carla Giovana Castro Rolim – Coordenadora

Informações:

Centro de Cultura Fazenda da Posse
Endereço:
Rua Dario Aragão, nº 02 - Centro - Barra Mansa-RJ - CEP: 27330-050
Horário de Funcionamento: de quarta-feira a domingo de 11 h às 17 h
Contato:
Carla Giovana
Tel: (24) 3322-3855

e-mail: fazendadaposse@uol.com.br

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